Quando penso em carnaval lembro-me de Agostinho. Não porque ele fosse um folião, mas porque Agostinho era alguém que lutava com suas concupiscências, principalmente as relativas a sexualidade.
Agostinho enfrentava intensa batalha no começo da vida adulta com relação à imoralidade e ao orgulho. Por muitos anos, ele manteve uma concubina, a qual lhe deu um filho ilegítimo. Pelo fato de nenhum dos sistemas filosóficos experimentados ter feito exigências quanto a sua moralidade pessoal, Agostinho acreditava que seu estilo de vida imoral era justificável. Sua paixão pela fama pessoal no mundo acadêmico também o consumia.
Buscando fama e fortuna, Agostinho viajou para Roma e Milão, na esperança de ensinar sua amada retórica. Ali ele se encontrou com Ambrósio, bispo de Milão. O brilhantismo de Ambrósio impressionou Agostinho, pois Ambrósio mostrou-lhe que suas objeções ao cristianismo eram rasas e equivocadas.
A conversão de Agostinho aconteceu em 386, porém, não apenas por meio da argumentação intelectual, mas por meio de um encontro emocional com Deus. Agostinho sentou-se certo dia num jardim, fora de Milão, para ponderar sobre as questões filosóficas com as quais tinha dificuldades. Como diz em suas Confissões, ele ouviu a voz de uma criança dizer: “Pegue e leia”. Agostinho tomou nas mãos a carta de Paulo aos Romanos (especialmente 13.13-14) e ali encontrou as respostas para suas perguntas. “Todas as sombras da dúvida desapareceram”, escreveu (Confissões, 8.18). As palavras foram:
Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.
Estas palavras deveriam ecoar também para os foliões, que são dominados por suas concupiscências. Ao invés de dar vazão a carne, deve-se escolher ser revestido de Cristo. Na Palavra de Deus, Agostinho encontrou a verdade na pessoa de Jesus Cristo. Ele também encontrou poder para romper a ligação que tinha com a licenciosidade e vida que nenhuma moda intelectual passageira da época pode prover. Ele experimentou o poder da graça de Deus que definiria o restante de sua vida.
Agostinho mudou radicalmente, rompendo todos os laços com seu passado imoral. Depois de ter sido batizado por Ambrósio em 387, voltou para o norte da África onde se dedicou à vida de estudo e devoção à igreja de Cristo. Agostinho tornou-se sacerdote em 391 e, em 395, foi nomeado bispo de Hipona, uma cidade a oeste de Cartago. Seu enorme poder e influência foram sentidos por muitos anos em função de seu bispado, especialmente por meio de sua extensa obras escrita.
Numa era em que modas intelectuais e estilos de vida promíscuos continuam a escravizar as pessoas, a vida de Agostinho permanece um exemplo tocante. Ele demonstrou que apenas a graça divina pode romper as cadeias do pecado, pois somente Jesus responde às perguntas tormentosas da vida. Quando encontrou a chave para a vida, Agostinho colocou-se como um modelo de erudição e brilhantismo explicado apenas pelo poder da graça de Deus.
(O artigo escrito é do Pr Eber Jamil, dono do blog, inspirado em alguns textos históricos).
Pr Eber muito oportuno este texto.
Um sopro de ar fresco em meio a esta nuvem de obscuridade que paira sobre a nossa cidade maravilhosa nesta época.
Lembrei com saudades das suas aulas de Historia da Igreja.
Quando um homem se permite ter o caráter moldado por Deus seu nome honra ao Criador mesmo depois de sua morte.
Agostinho conseguiu isso, eu também quero ser assim.