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OS PROPÓSITOS DOS MILAGRES DE JESUS

Jesus Texto Base:

Jo 20.30 e 31

30 Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro.

31 Estes, porém, foram escritos para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Introdução:

Existem nos evangelhos as narrativas de alguns milagres realizados por Cristo. Conforme está no texto base: nem todos os milagres foram escritos, mas os que foram escritos tiveram propósitos divinos.

Há três palavras gregas para designar um milagre:

  • Teras – coisa portentosa
  • Dunamis – poder maravilhoso
  • Seméion – um prova ou sinal sobrenatural.

Os milagres, no evangelho de João, são designados como “sinais”, e, em outra parte do NT, a palavra para “milagre” é regularmente ligada com o vocábulo que designa “sinal”. Isto nos ensina que os milagres não designam simplesmente a capacidade de Jesus fazer maravilhas, mas sim o messiado de Cristo. O objetivo do ministério de Cristo não era realizar milagres e sim buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.10). Como observamos na cura do filho do oficial à distância, Jesus não quer que a fé nele se baseie nos sinais, mas sim naquilo que ele é: Deus, o caminho, a verdade e a vida (Jo 20.31 e 14.6). Vejamos alguns propóstitos dos milagres realizados por Cristo:

I – Manifestar a Sua Glória (Jo 2.11)

Veja Jo 2.11: Jesus principiou seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.

Segundo o dicionário da Bíblia de Estudo Almeida, a Glória é: auto-revelação da santidade, pureza e natureza de Deus (Sl 24.10). A nuvem luminosa (xequiná) que apareceu na tenda da congregação e no templo, no AT, manifestava a glória de Deus (Ex 15.11; 16.10; Nm 14.10; 16.19), a presença ativa de Deus para salvar o seu povo. No NT, a glória de Deus se manifesta em Jesus, Filho de Deus encarnado (Jo 1.14), e, particularmente, na sua morte, ressurreição e ascensão (Jo17.1; Hb 1.3).

A Glória de Deus é eterna; diferentemente do homem que é efêmera e passageira (Is 40.5-8); e uma das formas de Jesus manifestar a Glória de Deus que estava nele foi as realizações dos milagres (Jo 11.40).

II – Os milagres foram sinais de que o Messias havia chegado

Veja Is 35.5, 6; Is 61.1 e 2 e Lc 4.16-21 e compare com a resposta que Jesus enviou a João Batista, mostrando assim que os milagres que ele realizava atestavam que o Messias havia chegado (Mt 11.5). Observe como Mateus associa as realizações dos milagres realizados por Cristo como cumprimento do capítulo messiânico de Isaías 53. Compare Is 53.5 e Mt 8.16 e 17. Depois de ter acalmado a tempestade, os discípulos ficaram estupefatos com o domínio que Jesus tinha sobre a natureza. “Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?”, perguntaram os discípulos. (Mt 8.27). Depois da multiplicação dos pães e peixes muitos da multidão reconheceram que Jesus era o profeta prometido por Moisés (Jo 6.14; Dt 18.15).

III – Os milagres de Jesus apontavam para o fato que ele tem poder para perdoar pecados.

Tal verdade fica clara quando Jesus cura o paralítico de Cafarnaum. Jesus diz que, para mostrar que tinha autoridade para perdoar pecado, curaria o paralítico (Mc 2. 10 e 11). Aliás, este milagre mostra claramente que a maior necessidade do homem não é a solução dos seus problemas ou a cura de uma enfermidade, mas sim o seu relacionamento com Deus, onde o pecado é o principal obstáculo (Rm 3.23), depois de todo o esforço dos amigos do paralítico em levá-lo a Cristo. Jesus prioriza primeiramente o perdão dos pecados do paralítico, para depois curá-lo. Quantos querem uma cura física sem antes resolver o problema do pecado? O problema do pecado só é resolvido com a fé em Jesus como Salvador e Senhor.

IV – Os milagres mostram a divindade de Cristo

João escreve acerca dos milagres que ele mesmo narra: Estes, porém, foram escritos para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (Jo 21.31). Os evangelhos mostram 35 milagres específicos de Cristo, João escolheu apenas sete dos muitos milagres que Jesus operou. Vejamos os sete:

1. A transformação da água em vinho (Jo 2.1-11)

Mostra Jesus como o Senhor da qualidade. Tudo que ele faz supera as nossas expectativas. Seu poder transformador gera em nos uma verdadeira alegria que não se compara com nada que o mundo e a religião possa oferecer.

2. A cura do filho do oficial (Jo 4:46-54)

Jesus é O Senhor que vence as distâncias. O seu poder não está restrito a locais. A sua Palavra tem um longo alcance.

3. O paralítico do tanque de Betesda (Jo 5.1-9)

Jesus é O Senhor da misericórdia, que alcança os esquecidos e solitários vencidos pelo tempo.

4. A multiplicação dos pães e peixes (Jo 6.6-13)

Jesus é O Senhor da provisão que do escasso promove a multiplicação.

5. Jesus anda sobre as águas (Jo 6.19-21)

Jesus está acima das circunstâncias. É aquele que anda por terrenos inseguros e apazigua o vento contrário.

6. A Ressurreição de Lázaro (Jo 11.1-44).

Jesus é o Senhor da vida que nunca teve e nunca terá fobia da morte, pois ele venceu a morte, e com Jesus a morte já não existe, porque aquele que nele crê, ainda que esteja morto, viverá. A vida que ele nos dá é livre das faixas que nos impedem de caminhar livremente.

7. A Grande Pesca (Jo 21.1-8).

Jesus é o Senhor da produtividade que pode suprir, quando todo o nosso esforço é improdutivo. Quando lutamos e nada conseguimos, se ele mandar conseguiremos sob o poder de sua Palavra.

João escreveu estes milagres com o propósito de evidenciar a divindade de Cristo, e, uma vez isto crido, a pessoa teria a vida eterna.

Conclusão:

Percebemos que os milagres realizados por Cristo não eram um fim em si mesmo, mas tinham um propósito maior de manifestar sua glória; mostrar que ele era o Messias, que ele tinha autoridade para perdoar pecados e para ser crido como Deus.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

O MAIOR SINAL DE TODOS OS SÉCULOS.

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Texto Base:

Mt 12.38-41.

38 Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal.

39 Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará o outro sinal senão o do profeta Jonas;

40 Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra.

41 Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é maior do que Jonas.

Introdução:

Existem nos evangelhos 35 milagres realizados por Cristo. Sabemos que Cristo realizou muito mais milagres. Por isto João escreveu: “Jesus fez muitas outras coisas. Se cada uma delas fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que seriam escritos” (Jo 21.25). Porém os milagres escritos e relatados tinham um objetivo, segundo João: “… foram escritos para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).

Mas qual foi o maior sinal? Creio que o maior sinal foi a ressurreição de Cristo destacado neste texto como o sinal de Jonas. Sendo o milagre ocorrido com Jonas inferior a ressurreição de Cristo. Como disse Jesus: está aqui quem é maior do que Jonas.

I – Alguns religiosos pedem um sinal a Cristo

Jesus fala do sinal de Jonas em resposta ao pedido dos escribas e fariseus por um sinal. Eles fecharam os olhos para inúmeros milagres que Jesus já havia realizado. Não era suficiente para eles que Jesus tivesse curado os enfermos, purificado os leprosos, ressuscitado mortos e expulsado demônios. Eles ainda não criam e nem tinham, na verdade, o desejo de crer, mas desejavam “provar” a Cristo. Creio que os maiores incrédulos vivem num ambiente religioso. Cercados por ritos, normas, porém sem vida com Deus. Eles erravam, apesar de serem mestres da lei; mas, na verdade, não conheciam as escrituras, como deveriam, muito menos, o poder de Deus (Mt 22.29).

Esses religiosos queriam um sinal sem crer; só pela vista. Jesus disse, em certa ocasião: Bem-aventurados os que não viram, e creram (Jo 20.29). Os religiosos agiram com incredulidade, em oposição à fé que é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem (Hb 11.1).

Jesus não respondeu como o esperado a esses homens, porque não queria provar a sua divindade através de “testes humanos” e nem ser conhecido como um milagreiro ou curandeiro. Em muitas ocasiões, Jesus pedia àqueles que eram curados por ele para que não divulgassem suas curas (Mc 7.36; Mt 8.4; Mt 9.30; Mc 5.43 e Lc 5.14). Jesus sabia que o povo tinha tendência de distorcer o caráter de sua missão aqui na terra. Jesus veio implantar o reino de Deus, espiritualmente falando, o qual tinha implicações terrenas (Mt 6.10; Mt 6.33; Mt 13.11; Mt 13.45 e Mt 18.3); porém as multidões esperavam um Messias, no sentindo político e terreno, o qual os libertasse do jugo romano (Jo 6.15; Jo 6.26 e 27). Jesus veio salvar e buscar o que se havia perdido (Lc 19.10).

Como a geração daqueles fariseus e escribas, vivemos numa geração má e adúltera sedenta por sinais, sem desejar o novo nascimento, a regeneração, a mudança de vida e sem uma fé legítima (At 8.9-25).

II – O maior de todos os sinais

Para confirmar a obra de Jesus, haveria o maior sinal de todos: Deus ressuscitaria seu Filho da sepultura. Maior sinal do que aquele que serviu para a conversão de toda a Nínive. Vários obstáculos foram vencidos para que a ressurreição de Cristo ocorresse. Vejamos alguns deles: A) A pedra enorme. A pedra pesava cerca de uma tonelada e meia e foi revolvida por um terremoto de origem divina (Mt 28.2). B) A guarda romana. Uma escolta de soldados romanos guardava o túmulo (Mt 28. 62 -66), mas foi vencida. C) O selo romano. Foi colocado sobre a pedra um selo romano para que ninguém violasse (Mt 27.66). Quem violasse o selo romano era passível de morte. D) A morte. A morte em si era o maior obstáculo para a ressurreição de Cristo, mas Jesus venceu a morte (Mt 28. 5 e 6).

Na ressurreição de Cristo o poder político e terreno do Império Romano foi vencido, foi vencido também o poder de Satanás e o poder da morte (1 Co 15.54-57).

III – Jesus maior do que Jonas:

O fato de Jonas ter sido lançado no mar e engolido por um grande peixe impactou os ninivitas, juntamente com a pregação dele, a tal ponto de todos se converterem, proclamarem um jejum onde até os animais jejuaram, e vestiram-se de pano de saco, desde o maior até o menor (Jn 3.5-10). “A população total de Nínive deveria ser, aproximadamente seiscentos mil habitantes, uma vez que havia 120 mil crianças e também muitos animais” (Jn 4.11) (Bíblia Anotada Expandida). Maior impacto deve causar a ressurreição de Cristo, porque ele é maior do que Jonas. Que tipo de impacto a ressurreição de Cristo deve nos causar?

  • Poder para se viver uma vida nova – Quando manifestamos a nossa fé em Jesus, identificamo-nos com sua morte e ressurreição. Morremos para o domínio do pecado e de Satanás, e recebemos o poder da ressurreição para viver uma vida nova (Rm 6.4-15).
  • Poder para enfrentar as lutas – Temos o poder da ressurreição de Cristo em nossas vidas que nos ajuda a enfrentar os percalços da vida (2 Co 1.8-11 e Rm 8.11).
  • Testemunho e pregação com mais autoridade – Jesus está vivo e nos outorga poder para ser suas testemunhas (Mt 28.19-20; Mc 16.15-19 e At 5.29-32).
  • Temos uma esperança viva – Porque o nosso Senhor está vivo (1 Pe 1.3-9).

Conclusão

Jesus deixou para aquela e para esta geração má e adúltera o maior se todos os sinais: a sua ressurreição. Venceu, com isto, o Império Romano, Satanás e a morte. Ninguém pode resisti-lo. Jesus chamou tal milagre de sinal de Jonas. Jonas sobreviveu dentro do ventre de um grande peixe e pregou a palavra de Deus, levando toda a Nínive ao arrependimento. Se Jonas, que é inferior a Cristo, impactou de tal forma, quanto mais a ressurreição de Cristo. Sejamos divulgadores e proclamadores da ressurreição de Cristo que continua a impactar todas as gerações. Sirvamos ao Senhor que está vivo e que nos prometeu buscar para estarmos com ele (Jo 14.1-3).

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

TENDO OLHOS, NÃO VEDES?

AANM.JESUSHEALSTHEBLINDMAN

Leia Mc 8.10-26

Neste texto bíblico, objeto de nossa meditação, os verbos olhar e ver são empregados várias vezes; não só em conexão com a cura do cego de Betsaida, mas desde o pedido dos fariseus a Jesus: um sinal do céu. Na verdade, a cura do cego é o ponto culminante deste assunto.

O fato de Jesus curar esse cego em duas etapas tinha o propósito de mostrar aos díscipulos que eles ainda enxergavam as coisas espirituais de forma turbada. Já enxergavam espiritualmente, porém, não enxergavam de forma nítida como o cego de Betsaida, antes do segundo toque. Veja as perguntas que Jesus fez aos díscipulos: “Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvidos, não ouvis?”

I – A cegueira dos fariseus:

Logo depois da multiplicação dos pães pela segunda vez, os fariseus incrédulos se aproximam de Jesus para o “tentar”, pedindo um sinal do céu. Eles não desejavam crer, mas sim “provar” a Cristo. Jesus havia acabado de multiplicar os pães pela segunda vez (Mc 8.1-10); mesmo assim os fariseus pediam outro sinal. Segundo a narrativa de Marcos, Jesus respondeu que não daria nenhum sinal àquela geração. Segundo a narrativa de Mateus (16.1-4), o único sinal dado seria o do profeta Jonas, o qual se refere ao fato de Jonas ter ficado três dias e três noites no ventre do peixe, assim como Jesus ficaria no coração da terra três dias e três noites e depois ressuscitaria, como de fato aconteceu (Mt 12.38-41). Jesus, ao se referi aos fariseus, chamou-os de guias cegos (Mt 23.16, 17, 19, 23, 24 e 26). Os fariseus eram cegos por sua incredulidade, jactância e justiça própria. Jesus não cede à provocação dos fariseus, pois ele não veio para aqueles que se acham sãos, mas para aqueles que reconhecem as suas enfermidades (Lc 5.31 e 32).

II – A visão turbada dos discípulos

Por sua vez, os discípulos que já enxergavam espiritualmente falando, mostram ter ainda uma visão turbada das coisas espirituais. Durante a travessia no barco Jesus faz uma advertência para que eles se guardassem do fermento dos fariseus e de Herodes. “Os judeus, seguindo o mandamento de Deus (Ex 13.7), evitam o uso de toda levedura na semana imediatamente após a Páscoa. Na época de Cristo, a levedura simbolizava a má inclinação do homem. Jesus aplica o símbolo da levedura à corrupção espiritual daqueles que procuram derrotar seu Messias” (in: Bíblia Vida Nova). “O fermento dos fariseus era a hipocrisia (Lc 12.1), e o fermento de Herodes era o secularismo e o mundanismo”. (in: Bíblia Anotada Expandida).

Jesus trata com seus discípulos de algo espiritual, porém eles têm uma compreensão materialista da advertência, e começaram a discutir entre si, dizendo que Jesus tinha falado isto, porque eles não tinham trazido pão (Mc 8.16). Tal compreensão materialista de algo espiritual é um dos aspectos da visão espiritual turbada dos discípulos. Um segundo aspecto é a incredulidade deles. Eles discutiram entre si, porque não tinham trazido pão, só que o texto informa que eles tinham um pão (v.14) o qual consideraram como um nada. Jesus faz uma série de advertências a eles:

Para que arrazoais que não tendes pão? Não considerastes nem compreendeis ainda? Tendes ainda o vosso coração endurecido? Tendo olhos, não vedes?

Eles estavam discutido entre si, porque só tinham um pão, e ainda consideravam esse único pão um nada, depois de Cristo ter realizado as duas multiplicações de pães e peixes (Mc 8.19 e 20). E aí está o terceiro aspecto da visão turbada dos discípulos: a memória curta. Quando digo: memória curta, não estou dizendo que eles tinham esquecido da primeira e da segunda multiplicação dos pães; porém, refiro-me ao fato de que eles não aplicavam as experiências anteriores ao presente da vida deles. Os discípulos discutiram, porque tinham um só pão, quando Jesus já havia alimentado, com poucos pães, cinco mil pessoas, na primeira multiplicação, e quatro mil, na segunda multiplicação.

III – A cura do cego de Betsaida

Depois do pedido dos fariseus, e depois do diálogo, acontece a cura gradual desse cego de Betsaida; tal fato é o ápice da narrativa. Este milagre é narrado por Marcos somente. Percebemos que os fatos estão interligados: os fariseus queriam ver, porém eram cegos espirituais. Os discípulos viam espiritualmente, porém de forma turbada. Agora Jesus encontra com um cego, no sentido físico, que passa por um processo para ter uma visão completa.

Jesus tomou o cego pelas mãos para levá-lo para fora da aldeia. Cuspiu em seus olhos e perguntou-lhe se via alguma coisa. O cego respondeu:

Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam.

Jesus dá um segundo toque. Observemos que Jesus não desejava que o homem apenas enxergasse, mas que enxergasse bem. Era o mesmo desejo que ele tinha em relação aos discípulos que enxergassem as coisas espiritualmente falando de forma clara.

Temos nessa cura gradual do cego uma ilustração vívida do modo pelo qual o Espírito Santo continua a operar na transformação das almas, através da santificação. Aquele que foi salvo por Jesus passa a enxergar cada vez mais pelo processo da santificação. Não basta a recuperação parcial da vista. Na santificação o crente não pode ficar no meio do caminho. “A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Nós que fomos guindados para o reino da Luz do Senhor, precisamos enxergar, de forma clara, questões como sexualidade, dinheiro, vida familiar, o próximo e outras.

Conclusão

Neste milagre fica patente que, quando Jesus realizava um milagre, muitas vezes, ele não apenas objetivava a cura e salvação do indivíduo, mas também o crescimento espiritual dos seus discípulos e das multidões que o cercavam. Os milagres de Cristo são pedagógicos, cheios de lições preciosas que devem ser guardadas em nosso coração.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

CURANDO O INIMIGO.

 

05_orelha_vermelha Texto Base:  Lc 22.47-51

47 E, estando ele ainda a falar, surgiu uma multidão; e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar.

48 E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?

49 E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder, disseram-lhe: Senhor, feriremos à espada?

50 E um deles feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita.

51 E, respondendo Jesus, disse: Deixa-os; basta. E tocando-lhe, o curou.

Numa época onde a violência está em cada esquina, balas perdidas, assaltos, vinganças, milícias, quero trazer um pequeno estudo sobre o último milagre corporal realizado por Cristo. Tal milagre sintetiza a mensagem de paz, de amor e de cura que o cristianismo pode trazer. É sobre a cura de Malco, cujo nome no hebraico significa conselheiro, criado particular ou escravo do sumo-sacerdote Caifás. O seu nome é citado por João que também cita que foi Pedro que cortou-lhe a orelha (Jo 18.10); porém João omite a cura do mesmo. Só Lucas, o médico, registra o milagre. Mateus (Mt 26.51 e 52) e Marcos (Mc 14.47) registram a retaliação por parte do díscipulo, sem citar o nome do autor do golpe contra Malco e sua cura.

Devo, antes de abordar a cura do servo, pintar o quadro, mostrando o cenário desta cura. Aconteceu no jardim de Getsêmane (o nome significa “prensa do óleo” ou “lagar de azeite”), também chamado de Jardim das Oliveiras, onde Jesus estava com seus discípulos, Levando Tiago, João e Pedro para um lugar mais reservado. Ali Jesus, em oração, suou gotas de sangue, vivendo o significado do nome daquele lugar, e mostrou a sua submissão à vontade do Pai. Tal passagem mostra claramente a sua humanidade. Mesmo sendo Deus, viveu sua humanidade plenamente. Procurou três vezes seus discípulos e encontrou-os dormindo. De repente aparece uma multidão com varapaus e tochas, acompanhada de Judas, um dos doze, o qual beija Jesus para o identificar. Quando Pedro percebeu a emboscada, sacou da espada e acertou a orelha de Malco. Jesus disse: “Embainha a tua espada; porque todos que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mt 26.52). Jesus vai mais além, dizendo: “Pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras que dizem que assim convém que aconteça?” (Mt 26.53 e 54). Depreendemos quatro lições destas palavras de Cristo. Primeiro, ao usarmos a espada, atrairemos a espada de volta. A violência gera violência. A palavra dura gera a ira, mas a palavra branda desvia o furor (Pv 15.1) A segunda lição, que Jesus tinha poder para impedir a sua prisão na hora que quisesse. Tanto que ele manifestou seu poder curando Malco e, quando Jesus se apresenta, algumas pessoas caem por terra (Jo 18.6). A pergunta dele foi: pensas tu que eu não poderia agora orar(…)? Jesus podia e continua podendo. Às vezes nos acontecem coisas que nós perguntamos por que Deus não evitou. A terceira é que aquilo aconteceu para que se cumprissem as Escrituras. Tudo aquilo fazia parte dos planos de Deus. A quarta é que as armas que Cristo tinha eram maiores do que a espada. Jesus falou em doze legiões de anjos. (As legiões romanas contavam 6.000 homens). As armas que o cristão dispõe não são carnais, mas poderosas em Deus para vencer as situações que se levantam (Ef 6.10-20; 2 Co 10.4). “Cristo jamais pensou em implantar seu reino ou a sua nova doutrina, por meio da violência” (in:Milagres de Jesus e sua função pedagógica. Sátilas do Amaral Camargo).

Observe a pergunta feita a Jesus, antes de Pedro desferir o golpe: Senhor, feriremos à espada? (Lc 22.49). Quem fez a pergunta? Pedro? Não sabemos exatamente. Como lidar com aqueles que são os nossos opositores? Como lidar com nossos adversários? Usando a espada da língua? Usando a espada da vingança? Usando a espada da ofensa? Usando a espada do revide? Usando a espada do rancor? Tais perguntas, muitas vezes, nos fazemos. Malco estava ali para prender a Jesus. Era um opositor de Cristo. Porém, o Cristo que ensinou sobre o perdão e dar a outra face não respondeu a agressividade de Malco com agressividade. Ao invés de respondermos com espada, devemos responder as ofensas com perdão. Veja o texto de Mt 18.21-35. A tradição rabínica dizia que se devia se perdoar três vezes. Pedro quis ser generoso, quando perguntou se deveria perdoar até sete vezes. Jesus mostrou que o perdão não pode ser mensurado pelo conta-gotas do homem e que deve ir além dos mesquinhos cálculos humanos. Pois o perdão é uma nota paga, vencida e incinerada. Como deve ser o nosso revide? Como combater a oposição? Inúmeras vezes justificamos reações explosivas e agressivas por causa das ações dos outros. Porém Jesus, em Mateus 5.38-48, ensinou como devem ser as nossas reações. Em Romanos 12. 20 e 21, Paulo escreveu: “Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” O mal e a oposição devem ser combatidos com o bem. É assim que se vence o mal. Quando combatemos o mal com mal, somos vencidos pelo mesmo.

Não sabemos exatamente como aconteceu a cura de Malco. Cristo deve ter pegado a orelha decepada de Malco no chão e colocado de volta com um toque restaurador. Entretanto esse milagre revela a essência do ministério de Cristo. Cristo veio a terra para curar seus inimigos, seus opositores e transformá-los em amigos, em irmãos dele. Veja o que está escrito em Colossenses 1.21 e 22: E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis. Em Romanos 5.8 está escrito: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. A verdade da Palavra de Deus é que éramos inimigos de Deus e Cristo veio para nos reconciliar com Deus. Veja 2 Co 5.19: a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. Mesmo a humanidade estando em rebelião Jesus Cristo morreu por ela.

A cura de Malco é somente registrada em Lucas e em apenas um versículo. Porém o seu significado é imenso. Se seguíssemos a essência desse milagre, não haveria guerras, assassinatos, vinganças pessoais etc. Muitos preferem o uso do poder da espada para combater os adversários. Jesus, que demonstrou em todo seu ministério ter um maior poder que as armas humanas, absteve–se de usar as doze legiões de anjos, para usar o poder do amor; e aquilo que pareceu ser derrota foi na verdade a sua vitória. Usemos o poder do amor e vençamos.

(O autor é o Pr Eber Jamil, dono do blog).

CRENDO NA PALAVRA.

 

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Jo 4.46-54.

46 Segunda vez foi Jesus a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. E havia ali um nobre, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.

47 Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte.

48 Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis.

49 Disse-lhe o nobre: Senhor, desce, antes que meu filho morra.

50 Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e partiu.

51 E descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive.

52 Perguntou-lhe, pois a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: Ontem, às sete horas, a febre o deixou.

53 Entendeu, pois o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda sua casa.

54 Jesus fez este segundo milagre, quando ia da Judéia para a Galiléia.

Introdução:

O modo como o Senhor Jesus agiu em cada milagre não foi acidental, tinha sempre um objetivo: o seu modo de agir. A forma como Jesus curou o filho desse oficial contrasta com a forma com que ele curou o servo do centurião. O oficial do rei queria que Jesus fosse à sua casa. Aí está o contraste, mas Jesus curou à distância. No caso do centurião, Jesus queria ir à casa dele, mas o centurião não achou necessário, e Jesus também curou a distãncia.

Em algumas traduções o oficial é chamado regúlo (que vem do grego Basileus) e serve para designar um oficial a serviço do rei Herodes. Segundo Flávio Josefo este termo serve para qualquer servo do rei (in: Bíblia Vida Nova). Segundo informa o texto, o filho desse oficial era paciente terminal e estava com febre. O texto também nos informa que Jesus estava pela segunda vez em Caná da Galiléia, e o filho do oficial estava em Cafarnaum, cerca de 31 km de distância de Caná (in: Manual Bíblico Halley).

O Senhor trata desse homem. Trata especificamente da fé dele, levando-o a um crescimento em sua fé.

I – Fé na direção certa (v.46 e 47)

O que a gente observa nesse homem é que sua fé estava na direção certa. Ele clamou a Jesus, o autor e consumador da fé (Hb 12.2). Não sabemos pelo texto se era judeu ou gentio. O que sabemos é que ele obteve notícias acerca de Cristo e foi em busca do seu auxílio. Ele não foi em busca de ídolos que não falam, que não vêem, que não ouvem, que não cheiram, que não apalpam e que também não andam (Sl 115).

A fé dele não foi dirigida a um curandeiro, feiticeira ou a alguém semelhante, mas foi dirigida a Jesus. Também não foi endereçada a alguns apetrechos, relíquia ou objeto místico que para muitos têm poderes sobrenaturais. Aqueles que se aproximam-se de Cristo devem se aproximar com fé no coração crendo que Jesus é o socorro bem presente na angústia (Sl 46). O que fazemos na aflição mostra onde está a nossa esperança. O justo corre para a torre forte que é o nome do Senhor (Pv 18.10).

II – Fé imatura baseada em sinais (v.48)

A resposta de Cristo a esse homem é reveladora: “Se não virdes sinais e milagres, não crereis”. A fé dele tinha a direção certa, porém carecia de sinais para crer. Portanto era uma fé imatura. Certa ocasião Jesus disse a Tomé, quando duvidou: Bem-aventurados aqueles que não viram, mas creram (Jo 20.29). Por que são bem-aventurados? Porque possuíam uma fé pura e simples endereçada somente a Cristo, sem basear-se em coisas tangíveis. A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam. É a prova das coisas que não se vêem (Hb 11.1). A fé deve vir primeiro que os sinais. Em Mc 16.17 está escrito que os sinais seguirão aos que crêem e não ao contrário. Jesus, certa vez, respondeu a escribas e fariseus que lhe pediram um sinal: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas (Mt 12.39). Quantos baseiam a sua fé em sinais? Muitos… Sabemos pela Palavra de Deus que a realização de sinais não são garantia de que tais “operadores de sinais”, são pessoas realmente nascidas de novo (Mt 7.15-23). Também sabemos pela Palavra que o anticristo virá com prodígios de mentira (2 Ts 2.9).

Para que a fé desse homem não fosse baseada em sinais, Jesus não respondeu conforme o seu pedido. O oficial pediu que Jesus fosse à casa dele e Jesus preferiu dizer uma palavra, curando à distância.

III – Fé baseada na Palavra (v.50)

Jesus fez que a fé desse homem se desenvolvesse rapidamente, dizendo-lhe: Vai, o teu filho vive. E o texto diz que o oficial creu na palavra de Jesus. A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus e nela deve se basear (Rm 10.17). A fé madura é baseada na Palavra de Deus. Martinho Lutero disse certa vez que, “se você perguntar a um cristão qual é sua tarefa e por que ele é digno do nome cristão, não pode haver nenhuma outra resposta senão que ele ouve a Palavra de Deus. Isto é fé. Os ouvidos são os únicos órgãos do cristão”. Para Lutero bastava para o cristão os ouvidos, por que desta forma a fé nasceria, a fé na Palavra de Deus. Jesus disse em Mt 5.18: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido”. Salomão também disse: “…nem uma só palavra caiu de todas as suas boas palavras que falou pelo ministério de Moisés, seu servo” (1 Rs 8.56). Como anda sua fé? Baseada na Palavra de Deus? Creio que como o Senhor fez com esse oficial, muitas vezes, ele faz conosco, não responde a oração da forma como esperamos, para que a nossa fé simplesmente se baseie somente na Palavra. Precisamos dizer como Pedro disse: Sobre tua palavra lançarei a rede. Mesmo que tenhamos tentado várias vezes, se ele mandar lançar a rede, lançaremos, e teremos pesca abundante.

Precisamos basear a nossa fé na Palavra como um todo, porém vou citar, como exemplo, algumas passagens bíblicas nas quais precisamos basear a nossa fé:

  • Se buscarmos primeiramente o reino de Deus e sua justiça, as outras coisas serão acrescentadas (Mt 6.33).
  • Vencemos o mundo, através da fé (1 Jo 5. 4 e 5).
  • Não devemos viver ansiosos porque o Senhor tem cuidado de nós (Fp 4.6 e 1 Pe 5.7).

Ao chegar a casa o oficial recebe a notícia de que seu filho estava curado. Perguntou a hora em que isto aconteceu e descobre que foi a mesma hora em que Jesus disse que seu filho vivia. Assim a sua convicção na palavra de Cristo solidificou-se, e creu com ele toda a família.

Conclusão:

O Senhor deseja amadurecer a nossa fé nele. A fé que se baseia em sinais é imatura. A fé que o Senhor deseja é baseada em sua Palavra. Para isto acontecer, percebemos por aquele milagre que O Senhor faz um trabalho especial em nós, promovendo nosso crescimento e amadurecimento.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

TUDO FAZ BEM!

Jesus curou um surdo e gago

Mc 7.31-37

31 E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galiléia, pelos confins de Decapólis.

32 E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele.

33 E, tirando-o à parte, de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe na língua.

34 E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, abre-te.

35 E logo se abriram os ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente.

36 E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam.

37 E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos.

 

Jesus deixava sempre uma marca em tudo que fazia: a marca da qualidade. Foi o que a multidão exclamou depois da cura desse surdo e gago: Tudo faz bem. Tal marca vemos desde o princípio e será assim para todo o sempre. O que Jesus fez e fará, sempre será muito bem feito.

Esse doente tinha sérias dificuldades de comunicação. Não ouvia e falava com extrema dificuldade. Tanto assim que ele não pediu para ser levado para Cristo, ele foi trazido (v.32). A sua língua era presa (v.35), portanto não conseguia exprimir seus desejos e necessidades com facilidade. Quando Jesus o recebe, retira-o do meio da multidão para tratá-lo pessoalmente (v.33). Jesus desejava desenvolver a fé desse homem pessoalmente com um contato direto e próximo. Assim o Senhor faz com todos. Podemos estar no meio de uma multidão, mas o Espírito Santo nos trata e nos convence pessoalmente. Pois a salvação é algo pessoal.

O que Jesus fez:

  • Tocou os ouvidos
  • Cuspiu e tocou-lhe a língua (Mostra a sua soberania. Ele tem um modo próprio de agir).
  • Ergueu os olhos ao céu (Mostrando a sua origem).
  • Suspirou (Breve oração feita com amor)
  • Efatá (abre-te)

Logo depois, o homem ouviu e falou perfeitamente. O homem curado não conseguiu conter-se e divulgou a todos. O resultado é que a multidão se maravilhou e exclamou: Tudo ele faz bem. Jesus sempre teve a marca da qualidade. Vejamos:

  • Na criação. À proporção que Deus ia criando o universo e a humanidade, ele fazia uma espécie de inspeção para ver o resultado de sua criação; mostrando assim o seu compromisso com a qualidade. A sua observação era que sua criação era boa (Gn 1.10, 12, 18, 21, 25). No sexto dia quando ele criou o homem e conclui a sua obra, ele observou que tudo quanto tinha feito era muito bom (Gn1.31). O seu compromisso com a qualidade é tão grande que ele observou que não era bom que o homem ficasse sozinho (Gn 2.18) e criou assim a mulher. Sabemos pela Palavra de Deus que o Deus triúno participou da criação, ou seja, que o Deus Filho também participou da criação (Cl 1.16), mostrando assim que, desde o princípio, Jesus teve compromisso com a qualidade.
  • seu primeiro milagre terreno. Ocorreu quando o mestre-sala provou a qualidade do vinho que Jesus fez através de uma transformação. O mestre-sala comentou com o esposo: Todos sevem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor vinho até agora” (Jo 2.9 e 10); reafirmando assim, a marca distintiva de Cristo da qualidade.
  • Na maneira como ensinava. Veja Mc 1.27 – Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Um novo ensino! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!
  • Na solução de dilemas. Veja Mt 22.15-22. Quero destacar o v.22: Ouvindo isto, admiraram-se e, deixando-o, foram-se.
  • Nos seus milagres. Mc 2.12 : Então ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!
  • A sua qualidade surpreendia até mesmo seus discípulos. Mc 4.41: E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?
  • Algumas lições depreendidas da qualidade de Cristo:
    • Esta afirmação parecerá paradoxal, mas é verdadeira: Devemos nos acostumar a ser surpreendidos pelo fazer de Cristo.

    • Ele extrapola as nossas expectativas. Veja Ef 3.20 e Is 55.9 e 10.
    • Às vezes não entendemos o seu fazer (Jo 13.7), mas entenderemos mais tarde.

    • Porque ele faz tudo bem, devemos ter uma atitude de confiança em Deus. Desta forma a amargura não tomará conta da nossa existência. Veja Sl 37. 4 e 5.
    • A salvação que temos em Jesus é perfeita. Jesus disse: está tudo consumado. A salvação que Jesus nos oferece não é apenas a redenção da alma, mas o soerguimento qualitativo da nossa existência. Portanto a qualidade da salvação que recebemos influenciará a nossa vida familiar, profissional, estudantil, relacionamentos interpessoais. Em suma: todas as áreas de nossa vida.

Jesus pode produzir qualidade em tudo o que faz, porque tem qualidade em si mesmo. Ele faz maravilhas porque é maravilhoso (Is 9.6). Ao vivermos sob o senhorio do Maravilhoso, as maravilhas em nossa vida serão uma conseqüência do seu agir em nós.

A DEMORA DE DEUS.

 João 6.17-21.

Certa vez li numa revista, se não me engano, a mensagem da cruz, um artigo escrito pelo Pr. Caio Fábio, o qual me chamou a atenção. Tal artigo foi a inspiração que tive para pregar a primeira vez sobre esse milagre bíblico. Portanto este estudo tem influência desse artigo lido.

Após a multiplicação dos pães e peixes, Jesus deixa os discípulos atravessarem o mar sozinhos, para que ele pudesse orar no monte. Os discípulos enfrentam a escuridão, ventos contrários e ondas altas. Certamente no lado de lá ficou um barquinho, para que Jesus depois os alcançassem. Porém até a quarta vigília da noite (Mt 14.25), das 3 horas da madrugada até às 6 da manhã em nosso horário, Jesus não os havia alcançado. O evangelista João descreve essa sensação de que Jesus está demorando no v. 17 “…e ainda Jesus não tinha chegado ao pé deles”. Foram cerca de 9 horas, desde a primeira vigília da noite, das 18 horas até às 21 horas em nosso horário, que eles esperaram pela chegada de Cristo. E esperaram enfrentando ventos contrários e ondas altas. O “ainda” de João mostra a sensação de demora. Tal sensação é humana, é peculiar à nossa humanidade. Muitas vezes achamos que Deus está demorando em nos socorrer. Veja o Salmo 69.3: “Estou cansado de clamar, secou-se-me a garganta; os meus olhos desfalecem de tanto esperar por meu Deus”. Em todo o Salmo 42 percebemos também alguém esperando por Deus. Abraão esperou por 25 anos para que Isaque nascesse. Tal espera, segundo a ótica humana é, muitas vezes, demorada, principalmente para a nossa geração do Fast Food. Porém Deus não demora, nem atrasa; sempre chega no momento certo. Vejamos algumas lições que aprendemos nesse milagre sobre o “Ainda” de Deus em nossas vidas.

Marcos 6.48 diz que do monte Jesus estava vendo os discípulos enfrentando os ventos contrários. Espiritualmente falando, Deus sempre sabe a respeito de tudo o que nos acontece dentro e fora da gente (Sl 139). Tal conhecimento é maravilhoso e deve confortar o nosso coração. Os ventos contrários não passam despercebidos por Deus e Jesus disse que tal verdade deve ser um fator para que a ansiedade não nos domine (Mt 6.31-33). Observe que houve um lapso de tempo entre Jesus saber que eles estavam em dificuldades e ir ter com os discípulos. Jesus já sabia há algumas horas que eles estavam em dificuldades, mas esperou a quarta vigília da noite para ir ter com eles. Por que? Deus sempre tem um propósito. Tal espera redundou em uma experiência marcante por parte dos discípulos. Observe um outro exemplo, quando Jesus soube da doença de Lázaro e ainda se deteve no lugar onde estava por dois dias (Jo 11.1-6; 11 – 15). Jesus assim fez porque teve um propósito maior.

Os discípulos tinham a expectativa de que Jesus fosse ao encontro deles, mas usando outro barco. Porém, Jesus sempre tem um modo próprio de agir em cada situação. Ele foi ao encontro deles andando sobre as águas. Quando esperamos em Deus não podemos presumir o modo como ele agirá em muitas ocasiões; o Senhor age de forma diferente do que pensamos e imaginamos (Ef 3.20). Com o cego de nascença, Jesus teve um modo todo particular de agir: Cuspindo na terra, fez um lodo e untou os olhos do cego, e o mandou que lavasse os olhos no tanque de Siloé (Jo 9.6 e 7).

jesusgx7 O fato de Jesus andar sobre as águas do mar da galiléia mostra-o vencendo a lei da gravidade, os ventos contrários, as ondas altas e a escuridão. O Senhor Jesus é o Todo-poderoso e tem poder de ação mesmo quando chegamos aos nossos limites (Jo 1.3; Ap 1.8). Numa travessia de quase nove horas os discípulos só conseguiram atravessar uns cinco ou seis quilômetros (vinte e cinco a trinta estádios). A dificuldade de atravessar inexistiu para Cristo que atravessou todo aquele mar revolto andando sobre as águas. Às vezes chegamos a um limite que não conseguimos ultrapassar, mas, como alguém já disse, o nosso limite é a oportunidade de Deus manifestar a sua Glória.

Jesus, ao se aproximar deles de modo inusitado, os discípulos ficaram atemorizados e gritaram que era um fantasma (Mt 14.26). Talvez pensassem que era um arauto da morte que lhes estava aparecendo, anunciando que a morte se aproximava. Na quarta vigília da noite alguém andando sobre as águas, em meio a ventos contrários, é, de fato, aterrorizador. Quando Jesus disse: Tende ânimo! Sou eu, não temais, os corações deles ficaram tranqüilizados. Nós precisamos reconhecer que, no meio da crise, Jesus sempre está conosco. Se assim não reconhecermos, temeremos. Como está escrito em Provérbios 3.6: Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. A Paz reinará em nosso coração, se reconhecermos, em meio às tempestades, que o Senhor está conosco (Sl 46).

Apesar dos ventos contrários, ondas altas, a aparente demora de Jesus, o texto nos informa, no v. 21, que o barco chegou a terra para onde iam. Apesar de todas as circunstâncias, o barco chegou aonde tinha que chegar. A sensação da demora de Deus nos dá a impressão que o propósito de Deus não será cumprido, mas Deus sabe o que faz e como faz. Devemos sempre confiar no Senhor. Como disse Jó: Bem sei que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido (Jó 42.1).

Esse milagre é narrado em Mt 14.22-34, onde consta que Pedro, por um instante, andou sobre as águas. Também é narrado em Mc 6.45-51, mas, entre estes textos, escolhi o de Jo 6. Neste preferido, observamos a sensação do “Ainda”, da aparente demora de Jesus. Quando tivermos, esta sensação precisamos saber que:

  • O Senhor sabe das nossas crises.
  • Ele usa meios diferentes dos nossos.
  • O seu poder está acima dos nossos limites.
  • Ele está conosco em meio à crise.
  • E por último, o seu propósito não será frustrado em nossas vidas.

(O texto é de autoria do Pr Eber Jamil, autor do Blog).

JESUS, O SENHOR DA VERDADEIRA ALEGRIA

vinhoJoão 2.1-12.

            O ministério de Jesus não era enclausurado, confinado a algum ambiente, mas influenciador em todos os segmentos da sociedade. Jesus era tão presente em eventos sociais que foi chamado por seus acusadores de comilão e beberrão (Lc 7.34). Jesus se apresentou como a luz do mundo (Jo 8.12 e Jo 9.5) e chamou seus seguidores também de Luz do mundo (Mt 5.14) ou, como disse Paulo, somos luzeiros que refletimos a Luz do Senhor Jesus (Fp 2.15). A metáfora da luz mostra a imprescindibilidade do envolvimento diferenciador de Cristo e de sua Igreja na sociedade (Jo 3.19). A luz faz diferença nas trevas (Jo 1.5). Não se pode esconder uma cidade edificada no monte (Mt 5.14). Por isto Jesus não viveu enclausurado, fechado para a sociedade.

         Jesus principiou seus milagres numa festa de casamento para mostrar o caráter influenciador e quanto seria profundo seu ministério na terra. O milagre da transformação da água em vinho abençoou aquele ambiente como Cristo veio abençoar toda a humanidade. A promessa feita a Abraão que nele seriam abençoadas todas as famílias da terra (Gn 12.3) cumpriu-se em Cristo que abençoou aquela família incipiente e todas as famílias que crêem no seu nome (At 16.31).

         O vinho para os judeus era símbolo de alegria. E o seu ministério iniciando com este milagre mostra a alegria distintiva que Cristo oferecia em contraposição ao legalismo da religião outrora vigente  e em contraposição a alegria mundana.

 I – A ausência da alegria durante a existência:

         A festa de casamento naquela época durava cerca de uma semana. Antes da realização do casamento certamente era feito o cálculo e o planejamento daquilo que seria necessário para a festa. Nesse casamento o vinho faltou (v.3). E tal acontecimento aponta para a ausência de alegria e contentamento que acomete a nossa vida muitas vezes. Muitas vezes falta à alegria de viver (Jn 4.8), alegria de trabalhar (Ec 2.11 e 18), alegria da salvação (Sl 51.12), alegria do serviço a Deus (Sl 100.2), alegria conjugal (1 Pe 3.7) etc. E esta ausência se dá, muitas vezes no decorrer da existência, no transcorrer de nossas tarefas, no meio da festa e nós temos que continuar a existir e desenvolver nossas tarefas diárias, agora, porém, sem alegria. A alegria é a força motriz da existência (Ne 8.10) e sem ela podemos até continuar a viver, porém a vida fica  sem cor e sabor, torna-se semelhante às águas que Jesus usou para o milagre.

         Não quero dizer com isto que com Cristo nunca iremos chorar, ficar triste, deprimidos por causas interiores (Sl 32.1-5), exteriores (2 Co 1.8) ou até por desequilíbrio químico. O choro ocorre (Sl 30.5), e alguns choros são até virtuosos (Mt 5.4). Entretanto em Cristo, podemos aprender a ter contentamento (Fp 4.11-13), satisfação (Pv 19.23)  e esperança (1 Pe 1.3), fazendo assim que a tristeza nunca se instale de forma definitiva em nossas vidas.

II – O Senhorio de Cristo

 Muitos têm enfatizado o fato de Jesus ter sido convidado para o casamento e este fato é que possibilitou a transformação daquelas águas em vinho. Se Jesus não estivesse presente não teria ocorrido o milagre. Quero olhar esse convite sob um prisma espiritual e afirmar que, se alguém convida a Jesus Cristo para a sua vida, para o seu coração é porque foi tocado pelo Espírito de Deus. É o Espírito que convence (Jo 16.7-11). Só amamos a Deus hoje porque ele nos amou primeiro (1 Jo 4.19). Fomos atraídos pelos seus laços de benignidade (Jr 31.3). E esta verdade já aponta para um princípio que vejo neste texto: que Jesus não pode ser tratado como um mero convidado para que recebamos a alegria e o contentamento verdadeiro, que só ele tem para oferecer. Jesus precisa ser O Senhor de nossas vidas. Muitos querem tratar Jesus como um hóspede, convidado de luxo. Só chamá-lo, quando há uma necessidade. Entretanto, as atitudes de Cristo neste trecho bíblico mostram que ele quer ser O Senhor das nossas vidas. Vejamos:

  1. A resposta que Ele dá a Maria:

 Maria, quando sabe que o vinho tinha acabado, procurou a Jesus para comunicá-lo sobre a falta (v.3). Jesus, de forma cortês, lhe responde que ele tinha um modo e a hora própria de agir, ou seja, Jesus disse que ele tinha uma agenda própria estabelecida pelo Pai Celestial para cumprir. Reafirmando, assim, o seu Senhorio sobre o que fazer, como fazer, naquele momento e em todos os outros momentos. Jesus deve 

  1. A resposta que Ele dá a Maria:

 Maria, quando sabe que o vinho tinha acabado, procurou a Jesus para comunicá-lo sobre a falta (v.3). Jesus, de forma cortês, lhe responde que ele tinha um modo e a hora própria de agir, ou seja, Jesus disse que ele tinha uma agenda própria estabelecida pelo Pai Celestial para cumprir. Reafirmando, assim, o seu Senhorio sobre o que fazer, como fazer, naquele momento e em todos os outros momentos. Jesus deve ser procurado na hora da necessidade, mas a hora de agir, como agir, e se agir, é uma questão da sua soberania decidir.

       b. A compreensão de Maria acerca da resposta de Cristo:

Maria compreendeu a resposta de Cristo. Compreendeu que Jesus tinha um modo próprio de agir e tinha uma agenda estabelecida pelo Pai Celestial. Então, chega aos serventes e diz: Fazei tudo quanto ele vos disser (v.5). Agora quem reafirma o Senhorio de Cristo é Maria. A palavra de Maria ecoa até os dias de hoje. Temos que fazer tudo o que Jesus mandar. Observe que o texto que afirma que Jesus foi convidado, afirma também que Jesus precisa ser O Senhor de nossas vidas. Ele deixou de agir na festa como um mero convidado, mas aqui como Senhor.

III – O fruto da obediência ao  Senhorio de Cristo é a alegria.

 Os serventes receberam a ordem de encher com água as seis talhas que serviam para purificação – lavar as mãos antes das refeições e diversos outros banhos cerimoniais. Em cada talha cabia entre oitenta e cento e vinte litros de água. Por tanto, foram, no mínimo, quatrocentos e oitenta litros de água, que os serventes encheram até em cima as seis talhas. Os serventes encheram abundantemente até as bordas das talhas. E a segunda ordem foi: Levai ao mestre-sala. O resultado foi a transformação da água numa qualidade de vinho ainda não conhecida pelos homens. Um bom vinho, disse o mestre-sala. O melhor dos vinhos.

Fica a lição que o fruto da obediência é alegria. Muitos “acham” que obedecer é algo pesado e difícil (1 Jo 5.3), mas sendo a motivação o amor, a obediência não se torna pesada (Jo 14.21). Certa vez escreveu Martyn LLoyd Jones: Nossos maiores sacrifícios não contam pontos com Deus, se não estivermos guardando seus mandamentos e obedecendo a Ele “. É só lembrarmos do caso de Saul (1 Sm 15.22).  Se você, por algum motivo, está de tristeza em tristeza não deixe de obedecer a Deus, nesse período, porque o resultado da obediência é o contentamento, satisfação, esperança. É no Senhorio de Cristo que encontramos a alegria da Salvação (Is 12.3).

IV – A alegria que O Senhor oferece é maior do que a religião e o mundo podem oferecer.

 Nesse milagre percebemos que as alegrias que o mundo e a religião podem oferecer são limitadas. O mundo  está representado pelo vinho que é um produto secular deste mundo. Nessa festa o vinho (a alegria) que o mundo pode oferecer acabou. A religião está representada pelas talhas que serviam para as purificações cerimoniais (Jo 3.25; Mt 23.25-26 e Mc 7. 3-4), as quais se encontravam vazias tanto que foi necessário enchê-las.

A religião sem o Senhorio de Cristo é vazia. É sino que retine. Viver no máximo que o mundo pode oferecer (Mt 16.26), ou até mesmo no máximo que a religião oferece não traz a satisfação (Mt 6.5). Só debaixo do Senhorio de Cristo encontramos a alegria e a paz distintiva que Deus tem para oferecer (Jo 14.27)

 Conclusão:

 Ao aceitarmos o convite de Cristo para salvação, não o estamos o aceitando como um convidado de luxo, mas o aceitamos para fazer tudo o que ele nos ordenar. O resultado deste Senhorio é o contentamento, satisfação, esperança e alegria, mesmo diante das grandes ausências da vida (Fp 4.4).

A FÉ DO CENTURIÃO.

centuriao

Cristo, sendo Deus, tomou a forma de homem (Fp 2. 5 – 11) e como tal teve reações humanas como a admiração. O texto base mostra que Jesus “maravilhou-se” com a postura do Centurião, mais precisamente a fé deste homem. Tal admiração não foi causada por um religioso reconhecido pelos judeus. Nem sempre ser religioso significa ser um homem de fé.  Os religiosos daquela época faziam constantes “testes” e “armadilhas” para pegar Jesus em alguma falha. Para aquela geração, Jesus falou que seria dado o sinal de Jonas (Mt 12.38-42). 

A admiração também não foi causada por um judeu, pois ser descendente de uma cultura religiosa fortíssima não faz ninguém um homem de fé.A admiração também não foi causada por um discípulo, pelo contrário, muitas vezes, Jesus os chamou de homens de pequena fé (Mt 8.26; Mt 16.8).Aprendemos com isto que a fé em Cristo pode surgir nos lugares mais distantes e inesperados. Cristo só elogiou duas vezes a fé de alguém: uma foi do centurião e a outra foi da mulher Cananéia (Mt 15.21-28). Os dois possuíam origens pagãs, mas creram em Jesus.

Temos o exemplo também dos sábios do oriente que estudavam as estrelas e tinham conhecimento das escrituras. Eles saíram de uma terra distante seguindo uma estrela com disposição de adorar ao Senhor Jesus. Enfrentaram percalços na jornada, mas ao chegarem, adoraram ao Senhor (Mt 2.1-12). Os homens podem nascer de novo nos lugares mais inesperados. O poder de Deus não é limitado à geografia.

Vejamos as características da fé deste centurião que fez Jesus se maravilhar.

 I – A fé que se compadece do próximo:

O Centurião vem da palavra “centúria” que era a designação para todos os oficiais militares romanos que tinham sob seu comando cem soldados. “As legiões romanas tinham como unidade básica de guerra a Centúria. Esta é formada por um quadrado de 10 fileiras de 10 homens cada, dando o total de 100 soldados, de onde advém o nome centúria. O Centurião era o comandante responsável por comandar a centúria, dando ordens que deveriam ser prontamente obedecidas pelos soldados, especialmente as formações militares. “ (Wikipédia).

Temos a informação por Lucas que ele estimava muito o seu servo (Lc 7.2) que estava muito doente, paralítico, e quase à morte. Ele rogou por esse servo. Ele tratou o seu servo quase como um filho. Embora o escravo fosse considerado como coisa, objeto, ele não tratava seu servo como máquina de trabalho, mas como gente.

Numa época onde a fé é proclamada de modo pragmático e utilitarista, onde as pessoas “usam” a fé como um meio de se obter prosperidade, vantagens pessoais (Tg 4.3), vemos um homem de autoridade clamando por seu servo. Ele tinha uma fé que se compadecia do próximo. Não intercedeu por si, mas pelo próximo.

O que muito se prega hoje em dia é a fé na fé; uma fé cobiçosa e avarenta que se alimenta do egoísmo humano. O centurião teve fé em Jesus e uma fé que se compadecia do próximo que não buscava seus próprios interesses.

II – A fé ligada à humildade:

 A ênfase distorcida que se dá acerca da fé tem gerado “supercrentes”; homens e mulheres que são requisitados para a obtenção de milagres e prodígios e se envaidecem por tais procuras. Homens que se envaidecem por ser considerados homens de fé. O centurião teve a fé elogiada por Cristo, mas era um homem humilde. Lucas relata alguns representantes do Centurião indo a Jesus, falando que ele era um bom homem e digno, que tinha ajudado na construção da sinagoga em Cafarnaum. “O Centurião do presente caso construíra, em Cafarnaum, para os judeus a sua sinagoga (Lc 7.5). Nesta mesma sinagoga Jesus muitas vezes ensinou e curou o endemoninhado, (Mc 1.21-23)” (Manual Bíblico Halley). Jesus se mostra disposto a ir à casa do Centurião para curar o enfermo. Mas o Centurião responde: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. “O oficial romano vê em Jesus alguém que é seu superior. Por isso, não convém que Jesus entre em sua casa” (NTLH – Bíblia de Estudo). O cidadão romano geralmente se achava superior a outros povos. Além disso, os próprios judeus disseram que ele era uma pessoa digna. Entretanto, ele não se considerava digno de receber Jesus em sua casa. A fé em Jesus nos faz pessoas humildes, confiantes na Graça divina. Não pessoas arrogantes que se consideram superior a outras por se acharem mais atendidas por Deus do que os outros. O Centurião não se achou com mérito de ser atendido por Jesus, mas confiou na Graça advinda de Cristo.

III – A fé na Palavra de Cristo:

 Hoje há multiplicações de “rituais” e “formas” para se obter as bênçãos de Deus. Muitos líderes têm criado meios, barganhas, para a obtenção das bênçãos de Deus. O Centurião negou que Cristo fosse à casa dele. Quantos negariam uma visita de Cristo a sua casa? Ele não achou necessário, para obtenção da cura do servo, a realização de um ritual, imposição de mãos, o passar por alguma espécie de corredor. Ele disse apenas: dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Mostrou assim, que cria que o poder de Cristo não era limitado pela distância nem dependia de rituais. Para ele bastava uma palavra de Cristo. Pela Palavra de Cristo tudo foi criado (Hb 11.3) e pela palavra tudo ele sustenta (Hb 1.3). A fé e a Palavra têm uma relação estreita. A fé surge por causa da Palavra de Cristo e ela aumenta cada vez mais que nos apegamos a Palavra de Jesus. Feliz é o homem que medita e pratica esta palavra (Js 1.8; Sl 1). É bom observar a diferença e a igualdade do modo de agir na cura do filho do Oficial do Rei (Jo 4.46-54). Neste caso o oficial queria que Jesus fosse até sua casa, e Cristo não lhe respondeu, dando uma palavra de autoridade  e o filho foi curado a distância. No caso do servo do Centurião Jesus quis ir até sua casa, mas o centurião disse que só bastava uma palavra de Cristo. E Jesus assim fez. Em ambos os casos: Jesus curou pelo Poder de Sua Palavra.

 

  IV – A fé na autoridade de Cristo:

 O centurião era um homem de relativa autoridade. Estava acostumado a ser obedecido pelos seus soldados. Porém soube reconhecer que Cristo era uma Autoridade Superior. “Para o centurião era tão natural Jesus ter plenos poderes sobre as influências invisíveis do universo, como era para um oficial romano ter confiança no cumprimento de suas ordens” (Bíblia Vida Nova). Quantas autoridades podem aprender com esse centurião! Quantas autoridades têm dificuldades em reconhecer o Senhorio de Cristo! Um dia todos hão de se dobrar e reconhecer que só Jesus Cristo é o Senhor (Fp 2.9-11). Ele é o Alfa e o Ômega (Ap 1.8). Ele tem autoridade para perdoar pecado (Mt 9.6). Tem autoridade para dizer ao mar aquieta-te (Mt 8.26 e 27).

Conclusão:

  Às vezes olhamos para certas pessoas e pensamos que elas estão distantes da fé em Jesus. Entretanto, aprendemos com esse milagre que a fé pode surgir nos lugares mais distantes. Uma fé genuína, não é fé na fé, mas a fé em Jesus que se compadece do próximo, fé que faz uma pessoa ser humilde, fé que é proveniente da Palavra de Deus e uma fé que crê em Jesus como o Todo-poderoso. Numa época em que se prega a fé de forma distorcida, está aqui o exemplo de uma fé que agrada a Jesus (Hb 11.6).

AGRADECENDO PELOS CINCOS PÃES.

pao1João 6.11

            O milagre da multiplicação dos pães e peixes é central no ministério de Jesus. É o único milagre narrado pelos quatro evangelistas. Juntamente com a ressurreição de Lázaro, é o milagre de maior repercussão na vida de Jesus.

            Quero dedicar, neste artigo, atenção  ao fato de Jesus agradecer pelos cinco pães e dois peixes, antes do milagre acontecer.

            Diante das ausências, carências, necessidades, muitas vezes, deixamos o nosso coração azedar pelas constantes murmurações e imprecações. Reclamamos, murmuramos por causa das coisas que nos faltam.

            Apesar de estar diante de uma multidão (Jo 6.10), num lugar deserto (Mc 6.35), o que impossibilitava comprar pães e peixes, e já sendo tarde (Mt 14.15) para despedir a multidão com fome, Jesus agradeceu quando recebeu os parcos pães e peixes.

            Foi como Paulo mais tarde, disse: Em tudo, dai graças, porque esta é à vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco (I Ts 5.18). Jesus sabia dar graças em tudo. Devemos focar a nossa visão em Deus que faz todas as coisas cooperarem para o nosso bem (Rm 8.28). Assim teremos olhos para as coisas que Deus nos dá, para aquilo que temos, como os cinco pães e dois peixes. Jesus agradeceu, antes do milagre acontecer, quando os cinco pães e dois peixes eram insuficientes.

            Agradecer por cinco pães e dois peixes, tendo uma multidão de cerca de cinco mil homens, com mulheres e crianças, possivelmente quinze mil pessoas, para alimentar é uma atitude de fé. A gratidão demonstra fé. A gratidão é o reconhecimento que toda boa dádiva vem de Deus (Tg 1.17). Ela  deve fazer parte de nossas orações a Deus (Cl 4.2 e 1 Tm 2.1) e para orarmos precisamos de fé (Tg 1.6). Portanto, agradecer a Deus é uma manifestação de fé. Quando o Senhor em certa ocasião curou os dez leprosos, somente o samaritano voltou para agradecer e somente ele ouviu de Cristo: A tua fé te salvou (Lc 17.19). O samaritano demonstrou ter fé, quando voltou para agradecer a Jesus. Como anda seu coração? Adocicado pela gratidão ou azedado pela murmuração?

              Dar graças a Deus é a melhor preparação para a recepção do milagre. Jesus primeiramente agradeceu pelos pães e peixes, mesmo sendo insuficientes para a multidão. Só depois e que o milagre aconteceu. Antes de dizer ao morto: Lázaro, vem para fora, Jesus agradeceu pelo fato de ser ouvido por Deus (Jo 11.41 e 42), dando, assim, um testemunho para todos. Em ambos os casos, antes dos milagres acontecerem, ocorreu primeiramente a gratidão. Vou além, escrevendo que agradecer a Deus em meio à escassez, em meio à ausência, é um milagre em si. O milagre da gratidão que promove a dissipação da ansiedade, que turba tantos corações (Fp 4.6). Devemos celebrar ao Senhor com júbilo e com ações de graças. Assim serviremos a Deus com alegria (Sl 100). Devemos ser agradecidos, sobretudo pela Salvação e garantia da vida eterna que temos (Jo 6.47). Uma das formas de retribuir ao Senhor tantos benefícios (Sl 116.12) é agradecer ao Senhor sempre (Sl 116.17).

            A gratidão deve ser mais do que momentos de agradecimento a Deus. A gratidão deve permear toda a nossa vida, ser uma das nossas marcas (Gl 6. 17); ser um estilo de vida. Hoje estamos cercados por murmuradores, fofoqueiros  que sempre têm más notícias para nos contar e encher a nossa alma de amargura (Pv 15.18). Jesus era reconhecido pelo seu modo como agradecia a Deus. Os discípulos que caminhavam para Emaús, após a morte e ressurreição de Cristo, não reconheceram Jesus, quando se aproximou deles, quando conversaram com ele e quando discorria as escrituras de Moisés aos profetas. Só reconheceram Jesus quando ele agradeceu e partiu o pão (Lc 24.30-35). Jesus foi reconhecido quando agradeceu, pois a gratidão era seu estilo de vida.

            Quais são os seus cinco pães e dois peixes quais você ainda não agradeceu a Deus? Pode ser o seu salário que você considera pequeno diante das suas necessidades; pode ser o seu emprego que você acha inferior ante sua capacidade e por isto ainda não agradeceu a Deus; pode ser a sua saúde que é boa, mas diante das lutas você se esquece de agradecer a Deus por ela. Poderia multiplicar os exemplos. O fato é que você precisa agradecer a Deus pelos cinco pães e ainda mais, entregá-los nas mãos de Jesus, como fez o menino que, de forma altruísta, entregou seu lanche a Jesus. E que aconteceu? Jesus multiplicou.

            Agradeça a Deus em quaisquer circunstâncias; mesmo quando aquilo que você tenha seja pouco. Entregue o pouco nas mãos de Jesus e deixe-o fazer a obra que lhe aprouver.