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O QUE EU PRECISO SABER QUANDO PADECER PELA CAUSA DE CRISTO?

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É quase estranho falar de padecimento numa ambiência onde a teologia da prosperidade campeia. Entretanto, o padecimento pela causa de Cristo é inerente a vida cristã. Andamos e vivemos numa contra cultura, num mundo que jaz no maligno e padecemos perseguições. A primeira carta de Pedro foi escrita durante a perseguição neroniana e tem muito a nos ensinar sobre o assunto. Como Pedro mesmo escreveu, ele não tratou do sofrimento causado pelos próprios pecados, mas sim sobre o padecimento pela causa de Cristo. Pedro na sua saudação final disse:

E o Deus de toda graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecera. (1 Pedro 5:10).

Nesta saudação de Pedro vejo elementos que precisamos saber quando padecemos perseguições. Vejamos os elementos em oito lições.

Primeira lição, Deus é o Deus de toda graça. Ele permite o padecimento, mas temos a certeza que o fim é gracioso. Ele administra toda a nossa existência baseando-se na Graça. A Sua Graça nos basta e seu Poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza.

Segunda lição, nós estamos intimamente ligados a Deus através de Cristo. Portanto, se Cristo sofreu também sofreremos. Se Cristo foi glorificado seremos também glorificados. Estar em Cristo significa que nos alimentamos da seiva que vem Cristo, que nos fortalece durante o padecimento. Paulo usou a expressão “em Cristo” cento e sessenta e quatro vezes mostrando a significação desta posição.

Terceira lição, o objetivo final de Deus é que compartilhemos da Sua glória. O sofrimento não é sem propósito. Deus em Sua Graça conduz o crente, que muitas vezes passa por perseguições, ao propósito de glorificação. Uma vez, verdadeiramente, em Cristo nosso caminho será até a perfeição, ou seja, glorificação.

Quarta lição, o padecimento é relativo e passageiro em comparação a eterna glória reservada para nós. O padecimento dura pouco, a eterna glória é eterna. Pedro relativizou o sofrimento, mas muitas vezes temos a tendência de colocá-lo em nível absoluto. Entretanto, pela Graça de Deus o padecimento dura apenas um pouco. Ele é breve e passageiro.

Quinta lição, Deus usa o sofrimento para nos aperfeiçoar. Até se chegar à perfeição existe um caminho e tal caminho, muitas vezes, passa pela perseguição e afronta pela causa de Cristo. Quando isto acontecer saiba que Deus está promovendo seu crescimento e amadurecimento em nós.

Sexta lição, Deus confirmará seu propósito escatólogico em nossas vidas. As promessas de Deus serão cumpridas em nossas vidas. O projeto divino não ficará incompleto. Ele cumprirá seu propósito em nós.

Sétima lição, Deus nos fortalece e fortificará de tal forma que nunca iremos descair da posição que ocuparmos na glória celeste. A força de Deus nos envolverá.

Oitava lição, a Igreja será um edifíco concluído, perfeito, que estará alicerçado de tal forma que nada abalará e mudará seu estado de glória. Nesse edifício somos pedras vivas cujo alicerce é inabalável.

Resumindo, Pedro trata na sua epístola sobre o sofrimento pela causa de Cristo. Aprendemos que devemos relativizar o sofrimento causado pela fé em Jesus. Por mais que doa e seja agudo, não deve ser absolutizado por nós. A Graça dEle sempre será dispensada em nosso favor. As coisas nos contribuem para um propósito maior e eterno – a Glória dEle. Estamos ligados em Jesus e temos comunhão com Deus através dEle. Deus usa o sofrimento para nos aperfeiçoar e todo seu propósito será confirmado em nós, assim seremos fortes e teremos um alicerce seguro e inabalável.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

LIÇÕES DO GETSÊMANE.

Jesus orando no Getsêmani

Leia: Mc 14:32-42.

Depois de instituir a Ceia do Senhor, Jesus foi para o jardim de Getsêmane (o nome significa “prensa do óleo” ou “lagar de azeite”), também chamado de Jardim das Oliveiras, onde levou Tiago, João e Pedro para um lugar mais reservado. Distanciou-se deles para orar cerca de trinta metros (um tiro de pedra). Suou gotas de sangue, vivendo o significado do nome daquele lugar, e mostrou sua submissão à vontade do Pai. Ele mostrou claramente a sua humanidade, sofrendo de angústia por aquilo que sobreviria mais tarde.

Podemos extrair algumas lições desse acontecimento histórico ocorrido com Jesus. Vejamos cinco lições:

1) Primeira lição: a oração é o recurso que devemos praticar em todos os momentos. Jesus orou três vezes ao Pai com as mesmas palavras: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.”

A angustia não deve ser “curtida” ou “alimentada”, mas vencida através da oração. Quantos sofrem, mas não oram? A oração é para os bons e maus momentos. A oração é sem cessar como escreveu Paulo, ou seja, em todas circunstâncias.

2) Segunda lição: a oração deve ser acompanhada da vigilância. Vigiai e orai – disse Jesus. Devemos ter o discernimento aguçado. O espírito precisa estar de prontidão, acordado. Precisamos estar antenados com que ocorre a nossa volta, assim oraremos melhor.

3) Terceira lição: a resposta da oração que devemos desejar é a vontade de Deus em nossas vidas. Jesus orou de forma submissa. Não estava querendo impor ou determinar a resposta de Deus. Bem longe do “espírito” da Teologia da confissão positiva, Jesus queria a consumação da vontade de Deus em sua vida.

4) Quarta lição: Nós devemos ter autodeterminação em fazer a vontade do Pai. Jesus não determinou a Deus que o livrasse do cálice do sofrimento. Pelo contrário, Ele determinou-se em fazer a vontade do Pai. No Jardim de Getsêmane Ele como que lançou um marco espiritual – vou cumprir cabalmente a vontade do Pai. – Seja feita a tua vontade e não a minha. Estamos com esta autodeterminação?

5) Quinta lição: a solidariedade deve ser desperta e vigilante. Jesus levou com Ele: Pedro, Tiago e João para que tivessem solidários em oração naquele grave momento. Entretanto, as três vezes que Jesus os procurou, estavam dormindo. Não basta estar perto de alguém na hora da aflição, é preciso estar atento e vigilante ao que ocorre com a pessoa. Atentos aos detalhes para ajuda-lo melhor. Precisamos compartilhar e não estar apenas de “corpo presente”, e uma das formas de fazer isto são com as orações.

6) Sexta lição: devemos superar os limites e ir mais adiante. O texto descreve que Jesus foi um pouco mais adiante dos três discípulos para orar. Esse “ir mais adiante” aponta para a superação de limites. Jesus para superar a angústia foi mais adiante. Devemos ir um mais adiante na adoração a Deus; no serviço a Cristo e na vida pessoal. Devemos superar nossos limites.

7) Sétima lição: Quando tivermos a sensação da distância divina devemos responder com oração e vigilância. Na perspectiva dos discípulos esse “ir mais adiante” representa a sensação da distância divina que muitas vezes nos acomete. Superaremos esse período de “sensação da distância divina” com oração e vigilância conforme a recomendação de Cristo. Certamente a pequena distância que Cristo tomou provocou nos discípulos um relaxamento. A sensação de sono e de tristeza foi grande nos discípulos  que adormeceram. Quando “sentirmos” Deus “distante” não durmamos, mas fiquemos atentos em oração, porque Jesus, na verdade, já não está mais limitado por um corpo físico. Ele é Onipresente e está conosco sem distanciamentos, sem ausências.

Ocorreu no jardim de Getsêmani uma “batalha”, uma “luta intensa” entre a alma e o espírito. A angústia e a tristeza cresceram naquele ambiente, os discípulos foram atingidos, mas principalmente Jesus. Ele sabia o que aconteceria nos próximos dias, todo o abandono e traição que sofreria. Entretanto, Jesus não foi derrotado no Getsêmane. Ele fincou uma estaca espiritual naquele lugar e se decidiu pela vontade de Deus. Aceitou o cálice. Jesus disse certa ocasião que venceu o mundo. Venceu mesmo. Todas as angústias e circunstâncias foram vencidas por Ele. Como vencedor deixou a lição para os discípulos: vigiai e orai para que não entreis em tentação. Vamos seguir a recomendação de Cristo?

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

O SEGREDO DA VITÓRIA.

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Porque Deus não nos deu o espírito de medo, mas de fortaleza e de amor, e de moderação” (2 Timóteo 1:7).

Sempre ouvi sobre a timidez de Timóteo e de sua juventude. Sobre as questões sérias que ele teve que enfrentar no seu pastoreio da Igreja de Éfeso como, por exemplo, os falsos mestres. Sobre as lutas espirituais que também passava.

Percebemos assim três níveis de dificuldades: o pessoal (temperamento); circunstancial ( Falsos mestres, perseguição etc.) e espiritual (espírito de medo).

Ao citar sobre as características que o Espírito Santo outorga, Paulo mostra a Timóteo que ele podia vencer as intempéries com o Espírito. O Espírito Santo é de fortaleza, de firmeza, que capacita a vencer as dificuldades do temperamento, vence o espírito de medo e capacita o enfrentamento dos falsos mestres. O Espírito é de amor, que lança fora todo o medo, que harmoniza as emoções e ensina a defender a fé sem ódio, ou sem rancor. O Espírito é de moderação, de equilíbrio, que faz a palavra ser temperada com sal para contradizer o contradizente, que traz harmonia ao temperamento e faz não ser dominado por nada.

Você observou como tudo que Timóteo precisava estava disponível no Espírito Santo? Não é o que você precisa para vencer seu temperamento, as circunstâncias e aos inimigos espirituais? Certamente que é. Portanto, encha-se do Espírito. Não ceda as concupiscências carnais. Não dê lugar ao diabo. O mandamento de Deus para você é: E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito (Ef 5:18).

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

SILÊNCIO. RECONSTRUÇÃO. ESPERANÇA.

 

serra A minha postura na tragédia é de silêncio. Não busco culpados. (Normalmente as autoridades, nestas ocasiões, são citadas como responsáveis). Não vou por esse caminho. Creio que o silêncio só deve ser quebrado pelas palavras de oração. Deus tem seus caminhos nas tragédias e tormentas. Como explicar? Como entender? Quando leio a coletânea de hinos nos salmos percebo que a consternação, a indignação, devem ser proferidas diante de Deus. Há um lugar em que podemos desabafar, questionar, e chorar, este lugar é o lugar da oração a Deus. “Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?” – disse Jesus na hora da calamidade. “Onde estás Deus?” – é o que muitas vezes perguntamos neste momento. Quando falo do silêncio não me refiro a uma resignação “burra” que aceita tudo como se tudo viesse do destino atroz. Uma auto-análise deve ser feita pela nossa sociedade consumista que cresce sem planejamento.

Como a fé sem obras é morta assim a oração desacompanhada da ação solidária é hipócrita. A oração e o trabalho de reconstrução são necessários. Não só a reconstrução da estrutura física e material, mas a reconstrução das almas amputadas que sobreviveram a essa tragédia também são necessárias. Famílias inteiras foram desfeitas, outras sofreram cortes na alma, rupturas sem anestesia. Sinto o pesar de Deus diante dessas multidões desconjuntadas e desgarradas, sem lar e refúgio.

Na tragédia milagres acontecem e o milagre da esperança é um deles. Pessoas que renascem das cinzas como Fênix. Pessoas que estão no fundo do poço e são catapultadas para a superfície. Pessoas que encontram motivações para prosseguir. Deus cuide de cada uma dessas almas nesse momento de infortúnio.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

AMANDO A VINDA DO SENHOR.

 

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A segunda carta de Paulo a Timóteo é uma carta de despedida. Paulo tinha o entendimento que sua morte aconteceria a qualquer momento. Porém não vemos nesta carta, amargura, desespero e frustração. Pelo contrário, vemos um homem com uma esperança: “já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto Juiz, me dará naquele dia (…) (2 Tm 4:8). Ele tinha a certeza que O Senhor voltaria e que ele ressuscitaria neste dia. Ele ainda complementa “…e não somente a mim, mas também a todos que amam a sua vinda” (2 Tm 4:8).

Aquele que ama a volta de Jesus possui esta esperança. A esperança de estar para sempre com Cristo e Dele receber o galardão. Você tem amado ardentemente à volta de Jesus?

Há um adormecimento escatológico na Igreja evangélica brasileira. Prega-se pouco sobre a volta de Jesus nos púlpitos, na TV, nas rádios etc. A ênfase da mensagem está voltada para a aquisição das bênçãos de Deus. É o que chamamos de Teologia da Prosperidade. A Igreja não clama, mas por Maranata (Ora, vem Senhor Jesus!), mas está como que dizendo: “Jesus não volta agora não, pois tenho muito para aproveitar aqui embaixo”. Por sua vez, os sinais da volta de Cristo se intensificam, nação contra nação, fome, falsos profetas, terremotos, a multiplicação da iniqüidade, falsos Cristos (Mt 24.5, 7, 11 e 12) e muitos outros sinais.

Paulo cita um ex-cooperador dele, Demas, que o abandonou porque amou o presente século (II Tm 4:10). Veja a diferença: alguns amam a volta de Jesus, outros amam o presente século (Mundo). Aqueles que amam a volta de Jesus possuem uma esperança. Aqueles que amam o mundo abandonam as fileiras do evangelho porque sucumbem as pressões. Aqueles de amam a volta do Senhor não temem a morte. Já aqueles que amam o presente século são fóbicos com relação à morte.

A quem você tem amado? À volta de Jesus? Ou ao presente século?

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

JÓ E ZILDA AIRNS.

 

0,,15536312,00 Coincidentemente enquanto lia Jó aconteceu à tragédia no Haiti. Na leitura refletia sobre a relação da integridade com a tragédia. Conclui que a integridade evita muitas dores, porém não isenta de adversidades, sobressaltos e tragédias. Terminei a leitura do livro e comecei receber muitas informações sobre a morte de Zilda Airns, assim fiz um link entre ela e Jó, pois foram duas pessoas íntegras. Jó se viu cercado pela tragédia de todos os lados, adoeceu seriamente, mas sobreviveu, e foi restaurado. Zilda morre prestando solidariedade ao próximo.

A pergunta que fica é: vale a pena ser integro, se a integridade não isenta a pessoa da tragédia?

As biografias de Jó e Zilda dizem que sim. Os legados que ambos deixaram ajudam aos sobreviventes caminharem de forma íntegra e positiva. A jornalista comentou que a história de Zilda dá esperança, pois ocorreu uma verdadeira multiplicação a partir do Paraná do trabalho dirigido por ela à pastoral da criança. Jó tem inspirado a literatura, a música, a arte e a vida espiritual de incontáveis pessoas.

Na história estamos cheios de exemplos de pessoas íntegras que foram vitimadas (como Abel) pelas tragédias. O que parece paradoxo, mas não é, é que as suas biografias nos inspiram, e deixam pisadas para serem seguidas. Jesus foi o mais íntegro de todos, e também passou pela tragédia usando-a para a Glória de Deus. Portanto, quando a tragédia acontece, devemos prosseguir avante, assimilando as lições que deixa, sem perder a esperança, pelo contrário, tendo a esperança renovada depois da catástrofe.

(O artigo é do Pr Eber Jamil, dono do blog).