LIÇÃO SOBRE ORAÇÃO COM O PROFESSOR BARTIMEU.

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Dwight L. Moody freqüentemente contava histórias para crianças, as quais ilustravam princípios cristãos. Uma de suas histórias é de alguém contando ao cego Bartimeu sobre a cura do cego de nascença (Jo 9), fazendo, assim, a fé brotar no coração de Bartimeu. É apenas uma história de Moody; a Bíblia não relata isto. Entretanto a história fictícia aponta  para uma verdade: de alguma forma Bartimeu ouviu falar de Jesus. Alguém falou das curas de Jesus para Bartimeu? Quem falou? Não sabemos. O que sabemos é que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17). E o Bartimeu mostrou uma fé oriunda da Palavra de Deus. Uma fé que o fez vencer os obstáculos.

Dentre as muitas lições que podemos extrair dessa cura, quero mostrar a maneira de orar de Bartimeu, um homem pobre, cego, mendigo, porém um homem que orou de coração sincero. A sua oração é um verdadeiro contraste com as orações que os religiosos do seu tempo faziam: oravam para ser vistos pelos homens (Mt 6.5), ou ainda, baseavam suas orações numa justiça própria que não trazia justificação (Lc 18.9-14). Aprendamos a orar com o “professor” Bartimeu.

I – O clamor de Bartimeu:

 Possivelmente, Bartimeu adquiriu a cegueira através de uma doença ou acidente.  “O verbo anablepõ (viu) significa que sua vista foi restaurada, indicando que não era cego de nascença”.(IN: Charles F. Pefeiffer e Everett F. Harrison. Comentário Bíblico Moody Vol.4).

O clamor de Bartimeu nos mostra que ele não se tinha acomodado com a cegueira.

Jesus, antes de curar o paralítico de Betesda, perguntou-lhe: Queres ser curado? (Jo 5.6). Perguntou a alguém que estava há trinta e oito anos enfermo (Jo 5.5). Perguntou por dois motivos básicos: Jesus queria ouvi-lo e segundo, porque o paralítico precisava mostrar que queria ser curado. Bartimeu mostrou que queria deixar a cegueira e a mendicância. Não se conformou com sua situação. Tiago nos fala de gente que não tem, porque não pede (Tg 4.2) Jesus incentivou o pedir no seu nome para que a alegria fosse completa (Jo 16.24). Há riquezas inesgotáveis disponíveis para aquele que clama (Jr 33.3).

O Salmo 72 é um salmo messiânico e lá diz que o Messias atenderia aquele que clamasse. Veja o versículo 12:

 Porque ele acode ao necessitado que clama e também ao aflito e ao desvalido.

 Versículo que se encaixa em Bartimeu, um cego necessitado que clamou ao Filho de Davi (Messias) e foi ouvido. É promessa que se aplica também a nós. Clame ao Senhor, porque ele acode ao necessitado (Is 57.15).

 II – Sua perseverança:

Muitos repreenderam Bartimeu, porque clamava. Ele clamou mais ainda (v.48). Ele foi perseverante. A vida agitada, o corre-corre pode tentar abafar nossa vida de oração. O barulho, muitas vezes, abafa a oração silenciosa que tentamos fazer (Mt 6.6). Entretanto, devemos perseverar. Quantas palavras as quais nós ouvimos que podem prejudicar nosso dever de orar? Uma ofensa (Mt 6.12; Mc 11.25), uma palavra de desestímulo, crises conjugais (1 Pe 3.7), entre outras, podem fazer-nos calar em relação ao ato de orar. A recomendação de Deus em sua Palavra é que devemos orar sem cessar (1 Ts 5.17). Isto é fazer da nossa própria vida uma oração. Ações, palavras, conduta, pensamento viram orações a Deus. Orar é tão essencial quanto o respirar. Quando nos calamos em relação à oração é um sinal que nossa vida espiritual não vai bem. Bartimeu ouviu muitas palavras do tipo: Cala-te! Não incomodes o Mestre! Porém, ele continuou a clamar. Jesus contou uma parábola com o intuito de nos fazer orar sempre (Lc 18. 1-8).

 III – Conhecimento de Jesus:

 A Palavra de Deus diz que se pedirmos alguma coisa da vontade de Deus ele nos ouvirá (1 Jo 5.14). E como saberemos a vontade de Deus? Através da sua Palavra. Também nos diz que, se guardarmos os seus mandamentos ele nos ouvirá (1 Jo 3.22). Fica então a lição de que, quanto mais conhecemos Jesus e a sua Palavra, a nossa oração será mais eficiente. Bartimeu mostrou conhecer a Jesus. É importante orarmos, sabendo para quem estamos orando. E Bartimeu mostrou conhecer a Jesus. Vejamos as Palavras que Bartimeu usou:

 

·            Filho de Davi “A crença de que o Messias seria um descendente de Davi era comum entre os judeus daquele tempo” (IN: Charles F. Pefeiffer e Everett F. Harrison. Comentário Bíblico Moody Vol.4). Deus estabeleceu uma aliança com Davi dizendo que não faltaria sucessor ao seu trono (II Sm 7.1-17). Jesus recebeu a descendência de Davi através de Maria. A descendência sanguínea é através de Maria que, geralmente, não participava de genealogia, senão indiretamente (Rm 1.3). A carne de Jesus veio de Maria, unicamente, e não de José. Ele foi o pai adotivo de Cristo. José era da descendência de Davi (Mt 1.20), mas segundo Romanos Jesus era descendente segundo a carne, portanto foi através de Maria que ele recebeu a descendência de Davi. Por isto o título messiânico foi dado a Cristo, porque Ele é o cumprimento da promessa feita a Davi.

·       Mestre – “A palavra aramaica, rabbouni, usada por Maria Madalena na Ressurreição (Jo 20.16), era um termo de alto respeito, uma forma mais vigorosa do que rabi, combinando, até certo ponto, os significados de professor e Senhor”.(IN: Charles F. Pefeiffer e Everett F. Harrison. Comentário Bíblico Moody Vol.4).

·         Misericórdia – Bartimeu mostrou conhecimento do caráter de Jesus, quando clamou por misericórdia. André Chouraqui traduziu a palavra misericórdia como: matricia-me, ou seja, acolhe-me como uma mãe acolhe seus filhos. Jesus o acolheu e atendeu seu pedido. Jesus demonstrou ter um amor paterno e materno por Jerusalém (Mt 23.37) e também por Bartimeu. Jesus foi chamado de amigo de publicanos pecadores porque ele dava atenção aos marginalizados pela sociedade (Mt 11.19). Ele era acolhedor como o Pai da Parábola do Filho Pródigo também o foi (Lc 15.11-32). Quando clamou por misericórdia, Bartimeu não confiou na sua justiça própria. Jesus não lhe atendeu por seus méritos. Porém foi pela Graça acolhedora que o recebeu.

 

 IV – Sua Fé:

A fé de Bartimeu é demonstrada do início ao fim; desde que começou a clamar. Entretanto quero destacar que, quando ele lançou a capa que lhe servia para cobrir o rosto enquanto mendigava, mostrou que cria, que não precisaria mais dela, quando Jesus o chamou, pois ele ficaria curado. Ele creu na cura, antes mesmo de acontecer. A mais precisa definição de fé está em Hb 11.1. Para crer, Bartimeu só precisou ouvir falar de Cristo. E, como já dissemos, a fé vem pelo ouvir. Bartimeu, antes de ver, já cria em Jesus.

V – Sua maneira de pedir:

 Jesus perguntou a Bartimeu: que queres que te faça? O alcance da pergunta de Jesus era inesgotável. Bartimeu poderia pedir o que quisesse. Ele pediu bem: Mestre, que eu tenha vista. Diferente de muitos que pedem mal (Tg 4.3).  Não pediu riquezas, pois o que lhe adiantaria ser rico, porém cego?

O pedido de Bartimeu é um contraste com outro pedido que está registrado no mesmo capítulo. E Jesus também pergunta: Que quereis que vos faça? (Mc 10.36) Só que Tiago e João pedem: Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda (Mc 10.37). Pedem mal, por isto ouvem a resposta de Cristo: não sabeis o que pedis (Mc 10.38). Bartimeu soube pedir melhor do que os discípulos de Cristo. O que temos pedido ao Senhor? Pedidos egoístas somente para os nossos deleites? Ou pedindo aquilo que realmente necessitamos e é da vontade de Deus conceder?

 VI – Sua maneira de agradecer e segui-lo (Lc 18.43).

Depois da cura recebida, Bartimeu fez duas coisas: passou a seguir a Jesus e glorificou a Deus. Glorificou tanto que o povo também passou a glorificar a Jesus. O descortinar da Graça de Deus em nossa vida e que nos impulsiona a seguir a Jesus. Quem sai das trevas e é guindado para a luz do Senhor tem o instinto básico de seguir a Jesus. O seguir a Jesus é a resposta que o nosso coração dá, quando encontra a maravilhosa Graça de Deus (Ef 2.1- 10). Nós amamos a Deus, porque ele nos amou primeiro (I Jo 4.19).

A gratidão é a outra resposta básica do nosso ser a Deus. A gratidão tem faltado muito nos nossos dias. Somos, muitas vezes, como os nove leprosos que não voltam para agradecer (Lc 17.12-19).

Conclusão:

 A Bíblia mostra os contrastes. Vimos nesta lição as orações feitas pelos religiosos daquele tempo e a oração de Bartimeu. Os religiosos ensinam o que não fazer. Por sua vez, o cego e mendigo Bartimeu  ensina como fazer. Busquemos estas características:  clamor, perseverança, conhecimento, fé, bons pedidos e gratidão. Amém.

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2 Respostas para “LIÇÃO SOBRE ORAÇÃO COM O PROFESSOR BARTIMEU.

  1. ministro Nicanor

    precisa-se falar mais a respeito de capas, como a de Bartimeu, a de Elias , a de Paulo capas de bençâos e de maldiçôes.

  2. MUITO BOM AS EXPLICACOES PARABENS IRIA PREGA SOBRE BARTIMEU E SANEI MUITAS DUVIDAS

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