FELICIDADE SEGUNDO JESUS.

 

Bem aventuranças

A palavra bem-aventurado vem do grego makarios, que quer dizer, feliz, abençoado, ou ainda, congratulado (Rm 4.7; Jo 20.29). Estas bem-aventuranças declaram quem são felizes aos olhos de Deus e quais são os fundamentos de uma vida feliz. A felicidade para muitos, relaciona-se com a posse de bens materiais e com o desfrutar desses. Outros pensam que a felicidade é a plena satisfação dos desejos físicos. Porém, Cristo, não compartilha deste pensamento.

A felicidade dos pobres de espírito:

A palavra pobre usada aqui no grego é: ptochos. Tal palavra é usada para designar o homem que não possui nada como exemplos: a viúva pobre (Lc 21.1-4) e o mendigo lázaro (Lc 16.20-22). Ser pobre de espírito é ser humilde. A humildade é um ato de dependência. São os que reconhecem ser pobre no sentido de não poderem realizar nenhum bem sem a assistência divina, que não tem poder em si mesmo e nem mesmo os ajude a fazer o que Deus requer deles. São pessoas tão pobres espiritualmente que nada têm a oferecer como mérito seus (Sf 3.12). Exemplos: Davi (Sl 34.6), Paulo (Rm 7.24 e I Tm 1.15). A humildade é uma das marcas do reino. A condição indispensável para receber o reino de Deus é o reconhecimento de nossa pobreza espiritual. Pertencemos ao reino: aqui, agora e para sempre. Devemos depender de Deus como uma criança depende do Pai (Mt 18.1-4).

A felicidade dos que choram:

A felicidade passa pelo choro. Nós imaginamos, muitas vezes, que na vida cristã só existe o sorriso, mas existem lágrimas e que por sinal são poucas derramadas (Ec 3.4). Que lágrimas são estas que podem nos trazer a felicidade, segundo Deus, naqueles que derramam?

A) O choro pelos nossos pecados que opera arrependimento para a salvação (II Co 7.10). Temos chorado pelos nossos pecados? (I Co 5.1 e 2). Veja um exemplo: Lc 22.61 e 62.

B) O choro pelo pecado do próximo (Sl 119.136 e Dn 9.8-11).

Felizes são aqueles que choram pelos seus pecados e os do próximo porque serão consolados. Temos chorado, ou nos conformamos com o pecado que nos rodeia?

A felicidade dos mansos:

A palavra manso no grego é praus, cujo significado é: gentil, humilde, cortês. Traz a idéia de um animal selvagem que foi domesticado, de tal forma, que passou a ser manso e obediente ao seu dono. Novamente Cristo nos coloca diante de um aparente paradoxo: os corteses, finos de trato e gentis são felizes.

A) A mansidão é tratar as pessoas independentemente do trato dessas pessoas em relação a nós. Ser manso para com todos – II Tm 2.24.

B) Disposição para entregar-se ao que julga justamente – I Pe 2.21-24.

C) Ser manso é ser ensinável e submisso SL 25.9; Mt 11.29 e I Tm 2.14 e 15; Tg 2.21 e 22.

D) Ser manso não é ser passivo. Ex: Mt 21.12 e 13 w Ex 32.19 e 20.

E) O resultado da mansidão Sl 37.10 e 11. No presente Sl 22.26 e no futuro Ap 5.9 e 10.

A felicidade dos famintos e sedentos pela Justiça:

Jesus Cristo não disse que a felicidade vem como resultado da fome e sede pela felicidade. Isto é um verdadeiro desmonte no conceito moderno sobre a felicidade. Esta fome vem do desejo de cortar relações com a injustiça: Sl 1.6; Is 65.11-14; I Jo 1.6 e Mt 6.33. Quão forte é o seu desejo de romper com a injustiça? Quão forte é o desejo de fazer a vontade do Pai? Esta fome só pode ser satisfeita em Cristo (Jo 6.35; Rm 3.21-24 e Rm 5.1). Sem dúvida, há aqui embutido o reconhecimento que nenhuma justiça-própria satisfará a necessidade humana. Só em Jesus Cristo somos justificados. Só em Cristo o nosso escrito de dívida é cancelado. Esta fome é necessária para o nosso crescimento I Pe 2.1-3; I Ts 4.3. A promessa é que estes famintos e sedentos serão fartos (Pv 4.18 e 19).

A felicidade dos misericordiosos:

A palavra misericórdia vem do substantivo grego eleos ou elleõ que algumas vezes foi traduzido como compaixão. John Stot disse que a misericórdia é a compaixão pelas pessoas que passam necessidade. A palavra misericórdia no português traz a idéia de sentir a miséria de terceiros no coração. Porque córdia vem do latim que significa de coração. Ser misericordioso é chorar com os que choram como exemplos: Onesíforo (II Tm 1.15-18) e Samaritano (Lc 10.25-37). Não podemos entender os felizes são misericordiosos porque alcançarão misericórdia como uma troca. Deus é misericordioso sem esperar nada em troca (Lc 6.35 e 36). Nem sempre a misericórdia é recompensada aqui e agora. Jesus recebeu a Cruz. Veja Paulo (II Co 12.15). Ser misericordioso é agir como Deus agiu conosco (Mt 18.33). O nosso arrependimento se dá através da compreensão do amor e da misericórdia divina. O sinal de que nos arrependemos é perdoar como fomos perdoados. Sermos misericordiosos como Deus foi misericordioso. A misericórdia será cada dia mais revelada a nós se trilhamos o caminho da misericórdia.

A felicidade dos limpos de coração:

A palavra limpo ou puro vem do grego katharos que tinha vários significados, tais como: o processo de lavar roupas, como o metal purificado das impurezas (Ap 21.21). O coração é considerado o centro do homem, de sua alma (Pv 4.23, Mc 7.18-23). Cristo falou a respeito de uma limpeza interior no centro de nossa existência. Muitas vezes nos preocupamos com o exterior em detrimento do nosso interior (Mt 23.25-28). Entretanto, Deus conhece o nosso coração e deseja que o guardemos. No interior é que estão os bons e maus tesouros, sendo o coração limpo prodecerá os bons. As almas de muitos parecem castelos mal-assombrados, são povoados pelas mágoas e rancores. Só o sangue de Jesus limpa o nosso coração. Precisamos fazer como Davi e pedir: Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto (Sl 51.10). O resultado é que veremos no presente Deus pela fé (Hb 11.27) e no céu veremos face a face (I Jo 3.2 e 3; 1 Co 2.9).

A felicidade dos pacificadores:

É bom que se escreva, que o pacificador é um nascido de novo. “… eles serão chamados filhos de Deus”. Jo 1.12 – “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome.” É um homem que deseja a paz e está disposto a fazer tudo o que for verdadeiro para que esta paz seja instaurada e mantida. As armas do pacificador são armas legitimas e espirituais. “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruir fortalezas” (II Co 10.4). O pacificador é um embaixador da paz e da reconciliação. Ele deseja a paz (Sl 34.14; Rm 14.19 e Rm 12.18). Tem disposição para pedir perdão e perdoar (Mt 5.23 e 24; Hb 12.14 e 15). Reage positivamente as afrontas (Rm 12.18-21). Sabe como falar, aconselhando a paz (Pv 12.17-20), dando uma resposta branda (Pv 15.1), não falando palavras torpes (Ef 4.29) e é tardio para falar (Tg 1.19). O pacificador é inclinado para as coisas espirituais (Rm 8.6) e calça os pés na preparação do evangelho da paz (Ef 6.15; Ef 2.17 e II Co 5.20).

A felicidade dos perseguidos por causa da justiça:

Esta última bem-aventurança está profundamente relacionada com a anterior. Somente aqueles que enfrentam as perseguições por causa de Cristo com o espírito pacificador podem viver esta bem-aventurança. Por mais que tentemos fazer a paz com determinadas pessoas, elas se recusam a viver em paz conosco. “Se for possível, quando estiverdes em vós, tendes paz com todos os homens” (Rm 12.18).

Segundo o mundo, os felizes são aqueles que são populares, queridinhos de todos, mas Cristo disse que são felizes os que enfrentam oposição por causa da justiça, significando sofrer pela causa de Cristo (Lc 6.22). Jesus não disse que era por causa de nós mesmos, uma boa causa, ou por um ato injusto (I Pe 4.15 e 16). O paradoxal é que a maioria das perseguições experimentadas pelos justos são causadas por religiosos.

Em João 15: 18 a 22 temos quatro razões do ódio e perseguição do mundo àqueles que seguem a Cristo:

1) Porque não somos do mundo (v.19)

2) Porque odeiam a Cristo (v.20, 21 e II Tm 3.12). Os que se assemelham a Cristo serão perseguidos.

3) Porque não conhecem a Deus (v.21 b)

4) Por causa dos seus próprios pecados (v.22).

Mas por que são felizes os perseguidos por causa da justiça? Por que a recomendação exulte e alegre-vos?

1) Porque é pela causa de Cristo (v.11). Isto é uma graça: padecer por Cristo (Fp 1.29). Veja a alegria de Pedro e João depois dos açoites (At 5.40-42). Os cânticos de Paulo e Silas a meia-noite (At 16.25).

2) Por causa do galardão (v.12). A tribulação é temporal, mas o que recebemos de Cristo é eterno (II Co 4.16-18; Rm 5.8). Devemos notar que Deus não fica devendo nada para seus servos. Primeiro, a salvação é imerecida, é dom gratuito de Deus. Segundo, as obras decorrentes da nossa salvação, que fizermos, serão recompensadas.

3) Porque nos identifica com os cristãos que nos precederam (v.12). As perseguições também foram recorrentes aos profetas antes de nós (Hb 11.36-39).

Como disse John Stot: Não devemos nos surpreender se a hostilidade anticristã aumentar, mas, antes, se ela não existir.

Jesus termina o sermão do monte, onde estão as bem-aventuranças, falando de duas casas: uma casa edificada na areia e outra na rocha. Dizendo que os praticantes de suas palavras assemelham-se com uma casa edificada na rocha, que suporta as tempestades e intempéries da existência. Observamos assim, que a vida feliz não é isenta de dificuldades e assombros, porém o homem feliz possui uma resistibilidade e suporta as aflições com esperança no peito. Paulo chama isto de contentamento. Está aí, algo que precisamos aprender: viver contente, com contentamento. Nele, Jesus, podemos. Podemos todas as coisas naquele que nos fortalece (Fp 4.11-13).

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

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