TENDO OLHOS, NÃO VEDES?

AANM.JESUSHEALSTHEBLINDMAN

Leia Mc 8.10-26

Neste texto bíblico, objeto de nossa meditação, os verbos olhar e ver são empregados várias vezes; não só em conexão com a cura do cego de Betsaida, mas desde o pedido dos fariseus a Jesus: um sinal do céu. Na verdade, a cura do cego é o ponto culminante deste assunto.

O fato de Jesus curar esse cego em duas etapas tinha o propósito de mostrar aos díscipulos que eles ainda enxergavam as coisas espirituais de forma turbada. Já enxergavam espiritualmente, porém, não enxergavam de forma nítida como o cego de Betsaida, antes do segundo toque. Veja as perguntas que Jesus fez aos díscipulos: “Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvidos, não ouvis?”

I – A cegueira dos fariseus:

Logo depois da multiplicação dos pães pela segunda vez, os fariseus incrédulos se aproximam de Jesus para o “tentar”, pedindo um sinal do céu. Eles não desejavam crer, mas sim “provar” a Cristo. Jesus havia acabado de multiplicar os pães pela segunda vez (Mc 8.1-10); mesmo assim os fariseus pediam outro sinal. Segundo a narrativa de Marcos, Jesus respondeu que não daria nenhum sinal àquela geração. Segundo a narrativa de Mateus (16.1-4), o único sinal dado seria o do profeta Jonas, o qual se refere ao fato de Jonas ter ficado três dias e três noites no ventre do peixe, assim como Jesus ficaria no coração da terra três dias e três noites e depois ressuscitaria, como de fato aconteceu (Mt 12.38-41). Jesus, ao se referi aos fariseus, chamou-os de guias cegos (Mt 23.16, 17, 19, 23, 24 e 26). Os fariseus eram cegos por sua incredulidade, jactância e justiça própria. Jesus não cede à provocação dos fariseus, pois ele não veio para aqueles que se acham sãos, mas para aqueles que reconhecem as suas enfermidades (Lc 5.31 e 32).

II – A visão turbada dos discípulos

Por sua vez, os discípulos que já enxergavam espiritualmente falando, mostram ter ainda uma visão turbada das coisas espirituais. Durante a travessia no barco Jesus faz uma advertência para que eles se guardassem do fermento dos fariseus e de Herodes. “Os judeus, seguindo o mandamento de Deus (Ex 13.7), evitam o uso de toda levedura na semana imediatamente após a Páscoa. Na época de Cristo, a levedura simbolizava a má inclinação do homem. Jesus aplica o símbolo da levedura à corrupção espiritual daqueles que procuram derrotar seu Messias” (in: Bíblia Vida Nova). “O fermento dos fariseus era a hipocrisia (Lc 12.1), e o fermento de Herodes era o secularismo e o mundanismo”. (in: Bíblia Anotada Expandida).

Jesus trata com seus discípulos de algo espiritual, porém eles têm uma compreensão materialista da advertência, e começaram a discutir entre si, dizendo que Jesus tinha falado isto, porque eles não tinham trazido pão (Mc 8.16). Tal compreensão materialista de algo espiritual é um dos aspectos da visão espiritual turbada dos discípulos. Um segundo aspecto é a incredulidade deles. Eles discutiram entre si, porque não tinham trazido pão, só que o texto informa que eles tinham um pão (v.14) o qual consideraram como um nada. Jesus faz uma série de advertências a eles:

Para que arrazoais que não tendes pão? Não considerastes nem compreendeis ainda? Tendes ainda o vosso coração endurecido? Tendo olhos, não vedes?

Eles estavam discutido entre si, porque só tinham um pão, e ainda consideravam esse único pão um nada, depois de Cristo ter realizado as duas multiplicações de pães e peixes (Mc 8.19 e 20). E aí está o terceiro aspecto da visão turbada dos discípulos: a memória curta. Quando digo: memória curta, não estou dizendo que eles tinham esquecido da primeira e da segunda multiplicação dos pães; porém, refiro-me ao fato de que eles não aplicavam as experiências anteriores ao presente da vida deles. Os discípulos discutiram, porque tinham um só pão, quando Jesus já havia alimentado, com poucos pães, cinco mil pessoas, na primeira multiplicação, e quatro mil, na segunda multiplicação.

III – A cura do cego de Betsaida

Depois do pedido dos fariseus, e depois do diálogo, acontece a cura gradual desse cego de Betsaida; tal fato é o ápice da narrativa. Este milagre é narrado por Marcos somente. Percebemos que os fatos estão interligados: os fariseus queriam ver, porém eram cegos espirituais. Os discípulos viam espiritualmente, porém de forma turbada. Agora Jesus encontra com um cego, no sentido físico, que passa por um processo para ter uma visão completa.

Jesus tomou o cego pelas mãos para levá-lo para fora da aldeia. Cuspiu em seus olhos e perguntou-lhe se via alguma coisa. O cego respondeu:

Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam.

Jesus dá um segundo toque. Observemos que Jesus não desejava que o homem apenas enxergasse, mas que enxergasse bem. Era o mesmo desejo que ele tinha em relação aos discípulos que enxergassem as coisas espiritualmente falando de forma clara.

Temos nessa cura gradual do cego uma ilustração vívida do modo pelo qual o Espírito Santo continua a operar na transformação das almas, através da santificação. Aquele que foi salvo por Jesus passa a enxergar cada vez mais pelo processo da santificação. Não basta a recuperação parcial da vista. Na santificação o crente não pode ficar no meio do caminho. “A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Nós que fomos guindados para o reino da Luz do Senhor, precisamos enxergar, de forma clara, questões como sexualidade, dinheiro, vida familiar, o próximo e outras.

Conclusão

Neste milagre fica patente que, quando Jesus realizava um milagre, muitas vezes, ele não apenas objetivava a cura e salvação do indivíduo, mas também o crescimento espiritual dos seus discípulos e das multidões que o cercavam. Os milagres de Cristo são pedagógicos, cheios de lições preciosas que devem ser guardadas em nosso coração.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

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Uma resposta para “TENDO OLHOS, NÃO VEDES?

  1. Que maravilha, mas uma vez fico feliz Pr., pelo seu estudo. Que nos mostra a importancia de nos termos uma visão espiritual constante e diaria ,em meio dessa sociedade atual. Que Deus lhe abencoe, Amem.

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