AS OBRAS E O PRIMEIRO AMOR.

primeiro amor

A cidade de Éfeso era o centro comercial principal da Ásia. O nome quer dizer “desejado”. Na cidade havia o culto a deusa Diana, cujo templo era naquele tempo considerado uma das sete maravilhas do mundo. Ocorriam orgias no templo, sendo as sacerdotisas verdadeiras prostitutas.

A Igreja em Éfeso, apesar do contexto da cidade, era uma igreja operosa, paciente, que colocava seus obreiros à prova e reprovava os heréticos. Eles eram criteriosos e não se associaram aos maus e aos falsos apóstolos. Trabalhadores incansáveis aborreceram a obra dos Nicolaítas que tentavam seduzir os cristãos a participar das festas pagãs. Por lá passou pastores como Paulo, Timóteo e João.

Entretanto, Jesus disse que eles abandonaram o primeiro amor. A palavra abandonar no grego quer dizer: partir; ir-se embora. Essa mesma palavra era usada para repúdio e divórcio. O que indica uma ação consciente, não acidental. Faltava o anseio em agradar a Deus com devoção. Eles eram operosos, mas tinham o coração divorciado. Deus não estava mais em primeiro lugar e Ele não observa somente as nossas obras, mas também a nossa motivação. Qual tem sido sua motivação no serviço do Rei Jesus?

O apóstolo Paulo tratando da Igreja como corpo de Cristo onde os dons espirituais se manifestam escreve sobre a essencialidade do amor de Deus na prática cristã. Não adianta somente haver trabalho e carisma é necessário o amor. Paulo cita uma série de habilidades e ações que seriam como um barulho de sino vazio que retine. Não adiante saber falar as línguas dos homens e de anjos. Não adiantaria o dom da profecia e o conhecimento de todos os mistérios de Deus. Não adiantaria ter uma fé que transportasse montes. Não adiantaria distribuir todos os bens para os pobres e nem se entregar em sacrifício. Sem amor nenhuma atitude destas valeria.

Deus sabe se não amamos a Ele como antes, se Ele não está em primeiro lugar. Trabalhe, mas não deixe de amá-lo. Não adianta ortodoxia com o coração frio. Não adianta ativismo sem amor. É preciso o viço do amor. É necessário a cola que une todas as virtudes – o amor, que é o vínculo da perfeição.

Um fato ocorrido com Jesus ao ser recepcionado na casa de Marta e Maria ilustra tal princípio. Marta preocupou-se o tempo todo em servir a Jesus e por isto ficou distraída com muitas coisas. Já Maria assentou-se aos pés de Jesus para ouvir suas palavras. Marta ao perceber a postura da irmã instigou a Jesus a chamar a atenção dela por não a ajudar nas tarefas. Jesus disse a Marta que ela estava muito ansiosa acerca das tarefas e que apenas uma coisa seria necessária. Ele ressaltou que Maria tinha escolhido a melhor parte, que foi se colocar junto a seus pés para usufruir da sua companhia. Muitos servem como Marta, mas se esquecem da intimidade com Jesus e Sua Palavra de Maria e por isto são consumidos por suas agendas num ativismo sem devoção e adoração.

Jesus ao falar para a Igreja de Éfeso diz que seriam três atitudes para que o primeiro amor fosse restaurado. A primeira atitude é lembrar onde caiu. Fazer um autoexame e ponderar sobre onde começou a separação entre o fazer e a motivação, entre o amor e o trabalho. Não se pode tapar o sol com a peneira. É preciso reconhecer o início da queda. A segunda atitude seria o arrependimento, uma mudança de mente. O arrependimento envolve quatro passos. Primeiro, sentir a tristeza pelo pecado. Em Segundo, a confissão do pecado. Terceiro, o abandono do pecado. O quarto, são novos hábitos, que aponta para terceira atitude de restauração, que seria a prática das primeiras obras, voltar ao início, e agora trabalhar com amor.

A restauração do primeiro amor é um avivamento espiritual na vida espiritual. Ocorre o casamento entre a motivação correta (o amor a Deus) e as obras. A partir da restauração do primeiro amor as obras são feitas com o coração envolvido. Não há mais a separação. As partes se reencontram. O servo reencontrou o seu Senhor. E agora tudo que faz o faz de coração. Deus quer que você o sirva, mas que primeiro esteja com Ele, pois é o discipulado do Senhor que nos habilita para o Seu serviço.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

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