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MERGULHO EM DEUS.

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A oração é uma das grandes práticas cristãs, mas é mais do que isto. Oração é sinal de vida. Oração é oxigênio. A oração é relacionamento com Deus. É um dos momentos mais sublimes da vida porque é um diálogo entre o servo de Deus e seu Pai Celestial, criador de todas as coisas. A oração é como um mar sem fim em nossa frente ou nadamos, ou ficamos anelando sem nunca de fato experimentarmos.

A oração deve ser feita a Deus através do nome de Jesus movida pelo Espírito Santo. A Deus porque Ele é O Pai, que governa todas as coisas, e é sua vontade que buscamos. Em nome do Filho porque Jesus é o mediador, sem Ele não chegamos a Deus. Movidos pelo Espírito porque Ele de fato nos ajuda a orar de forma mais eficiente. A oração para ser oração tem que ser a Deus (Pai) e por Deus (Jesus) e pela vontade de Deus (O Espírito intercede).

Precisa ser feita com fé, porque aquele que dúvida é levado pelos ventos das circunstâncias. A fé é o modo de enxergar o invisível, tendo convicção da resposta segundo a Vontade de Deus. A fé são as mãos que estendemos para receber as respostas das nossas orações. A fé precisa ser constantemente alimentada pela Palavra, porque a fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo. Quando isto acontece a oração não é baseada em meras conjecturas, mas naquilo que Deus revelou. A nossa fé não se baseia no visível, mas é a certeza das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem. A nossa fé está fundamentada na Palavra de Deus. Se alguém tem dificuldade de crer confesse ao Senhor a sua incredulidade e apegue-se a Palavra de Deus porque nela está registrado aquilo que devemos crer. A Palavra descortina o mundo espiritual, que é alcançado por meio da fé em Jesus. Peça com fé, sem duvidar, como está escrito em Tiago, e Deus te atenderá sem te lançar em rosto.

A questão também é se o que pedimos está de acordo com a vontade de Deus. Hoje em dia os pedidos são pragmáticos e não visam o reino de Deus na terra. São voltados para o aqui e agora e não se lançam sementes para a eternidade. Esses tipos de orações revelam que temos muitos ídolos e que giramos a nossa vida espiritual em torno deles. Tem aparência de piedade, mas são orações a si mesmo. A oração verdadeira é aquela que tendo entendimento da Soberania de Deus busca depositar nas suas mãos a própria vida para que a Vontade de Deus seja feita.

A oração não é um desencargo de consciência. Não é uma fuga da realidade. Ela precisa ser verdadeira e acompanhada de uma vida que é uma oração também. A própria palavra indica que oração é a ação de orar. Então a prática de uma vida cristã é fundamental e nela está incluída a oração. Aquele que desobedece a Palavra de Deus frontalmente tem sua oração considerada abominação. Não pense que receberá de Deus alguma coisa. A oração precisa estar alinhada com uma vida que segue a Palavra de Deus, pois ama a Deus e guardará a sua palavra. E a medida que guarda as Suas palavras e nela medita pede segundo a Vontade de Deus e é atendido.

A vida de oração não pode ser procrastinada. Ela precisa ser o combustível que faz uma vida crescer na intimidade com Deus e que faz diferença onde está inserido. É algo que não é apenas um ideal que não se alcança, mas uma prática cotidiana. É preciso mergulhar em Deus. Ir fundo. A oração é o meio para isto sempre tendo a Palavra como prática de uma vida genuína com Deus. Não seja daqueles que aspiram, desejam e não praticam. Não seja daqueles que sonham, mas não alcançam. Mergulhe em Deus. Mergulhe na oração.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

AS NOSSAS ORAÇÕES MOVEM A MÃO DE DEUS ?

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Há um pensamento que afirma: “As nossas orações movem a mãos de Deus”. Concordo com esta afirmação em parte. Creio que as nossas orações movem a mão de Deus, mas não somente as nossas orações. Deus move suas mãos quando quer. Quem orou para que Deus criasse tudo? Quem orou para que viesse o dilúvio? Quem orou pela confusão de línguas em babel? Quem orou para a destruição de Sodoma e Gomorra? Ninguém.

Então quando você orar, lembre-se que Deus ouve, atende as orações, mas também é um Ser Livre, Soberano, para agir independemente das nossas orações. Ele é livre e só responde as orações segundo a vontade dEle. Ele é maior que as nossas orações. Faz mais do que a gente pensa e imagina.

Tal ciência deveria mudar em muitas vidas o jeito de orar. Vivemos numa época de palavras de “comando”, de “determinações”, mas a questão é: a quem está se determinando? Um soldado pode dar palavras de comando ao comandante? Um servo pode determinar ao seu Senhor? Não.

As nossas orações precisam considerar a Soberania Divina. A Vontade dEle deve ser buscada. Considerando a Soberania de Deus e O Seu caráter a confiança estará no nosso coração. Mesmo que não entendamos as circunstâncias. A vida não vem com nota de rodapé. Entretanto, a Bíblia Sagrada, nossa regra de fé e prática, revela a pessoa de Deus e Seu Caráter perfeito, que nos traz esperança e alimenta nossa fé para enfrentarmos as demandas da vida. Deus é perfeitamente bom, assim podemos nos agarrar nEle com confiança mesmo que as circunstâncias digam ao contrário.

As nossas orações precisam ser fruto de um amor a Deus. O amor a si mesmo tem sido para muitos a motivação da oração. Como escreveu Tiago a oração com fins egoístas não é atendida por Deus. Não é que não se deva fazer petições pessoais, devemos levar nossas petições a Deus para não sermos dominados pela ansiedade. Entretanto, se é pela idolatria que oramos a Deus. Idolatria a si mesmo, idolatria de bens e pessoas, não agradaremos ao coração do Pai. Deus não divide Sua Glória com ninguém. A oração é um meio de desfrutarmos de nosso relacionamento com Deus e não um meio pragmático de alimentar a nossa idolatria com nossos desejos atendidos.

Creio que a visão acerca de Deus como maior que a nossa oração influenciará a vida do crente como um todo porque a postura dele será de adoração. Adoração será um estilo de vida. É este tipo de adorador que O Espírito gera. Aquele que pratica das disciplinas espirituais porque ama a Deus de tal forma que a vontade de Deus se torna seu alimento essencial. Aquele que pratica no cotidiano o temor a Deus e reverencia a Sublimidade de Deus dispondo-se ao seu serviço e não querendo fazer Deus de servo.

Quando oramos e Deus move as mãos é porque Deus desejou fazê-lo. Ele estabeleceu a oração como um meio de relacionamento com seus servos. Ele conhece todas as coisas antes de pedirmos. Ele sabe o que haveremos de pedir. Fica patente que a essência da oração é o relacionamento com Deus e é uma das formas da manifestação da graça de Deus, que nos possibilita participarmos da obra dEle através das orações.

Creio que a conclusão do que estamos falando é que a Glória pertence a Deus. Não nos utilizemos da oração como meio de nos promovermos, de gabarmos de nossa santidade. Deus rejeita orações neste espírito. Entre o fariseu arrogante e o publicano arrependido, Deus ouviu o publicano.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

LIÇÕES DO GETSÊMANE.

Jesus orando no Getsêmani

Leia: Mc 14:32-42.

Depois de instituir a Ceia do Senhor, Jesus foi para o jardim de Getsêmane (o nome significa “prensa do óleo” ou “lagar de azeite”), também chamado de Jardim das Oliveiras, onde levou Tiago, João e Pedro para um lugar mais reservado. Distanciou-se deles para orar cerca de trinta metros (um tiro de pedra). Suou gotas de sangue, vivendo o significado do nome daquele lugar, e mostrou sua submissão à vontade do Pai. Ele mostrou claramente a sua humanidade, sofrendo de angústia por aquilo que sobreviria mais tarde.

Podemos extrair algumas lições desse acontecimento histórico ocorrido com Jesus. Vejamos cinco lições:

1) Primeira lição: a oração é o recurso que devemos praticar em todos os momentos. Jesus orou três vezes ao Pai com as mesmas palavras: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.”

A angustia não deve ser “curtida” ou “alimentada”, mas vencida através da oração. Quantos sofrem, mas não oram? A oração é para os bons e maus momentos. A oração é sem cessar como escreveu Paulo, ou seja, em todas circunstâncias.

2) Segunda lição: a oração deve ser acompanhada da vigilância. Vigiai e orai – disse Jesus. Devemos ter o discernimento aguçado. O espírito precisa estar de prontidão, acordado. Precisamos estar antenados com que ocorre a nossa volta, assim oraremos melhor.

3) Terceira lição: a resposta da oração que devemos desejar é a vontade de Deus em nossas vidas. Jesus orou de forma submissa. Não estava querendo impor ou determinar a resposta de Deus. Bem longe do “espírito” da Teologia da confissão positiva, Jesus queria a consumação da vontade de Deus em sua vida.

4) Quarta lição: Nós devemos ter autodeterminação em fazer a vontade do Pai. Jesus não determinou a Deus que o livrasse do cálice do sofrimento. Pelo contrário, Ele determinou-se em fazer a vontade do Pai. No Jardim de Getsêmane Ele como que lançou um marco espiritual – vou cumprir cabalmente a vontade do Pai. – Seja feita a tua vontade e não a minha. Estamos com esta autodeterminação?

5) Quinta lição: a solidariedade deve ser desperta e vigilante. Jesus levou com Ele: Pedro, Tiago e João para que tivessem solidários em oração naquele grave momento. Entretanto, as três vezes que Jesus os procurou, estavam dormindo. Não basta estar perto de alguém na hora da aflição, é preciso estar atento e vigilante ao que ocorre com a pessoa. Atentos aos detalhes para ajuda-lo melhor. Precisamos compartilhar e não estar apenas de “corpo presente”, e uma das formas de fazer isto são com as orações.

6) Sexta lição: devemos superar os limites e ir mais adiante. O texto descreve que Jesus foi um pouco mais adiante dos três discípulos para orar. Esse “ir mais adiante” aponta para a superação de limites. Jesus para superar a angústia foi mais adiante. Devemos ir um mais adiante na adoração a Deus; no serviço a Cristo e na vida pessoal. Devemos superar nossos limites.

7) Sétima lição: Quando tivermos a sensação da distância divina devemos responder com oração e vigilância. Na perspectiva dos discípulos esse “ir mais adiante” representa a sensação da distância divina que muitas vezes nos acomete. Superaremos esse período de “sensação da distância divina” com oração e vigilância conforme a recomendação de Cristo. Certamente a pequena distância que Cristo tomou provocou nos discípulos um relaxamento. A sensação de sono e de tristeza foi grande nos discípulos  que adormeceram. Quando “sentirmos” Deus “distante” não durmamos, mas fiquemos atentos em oração, porque Jesus, na verdade, já não está mais limitado por um corpo físico. Ele é Onipresente e está conosco sem distanciamentos, sem ausências.

Ocorreu no jardim de Getsêmani uma “batalha”, uma “luta intensa” entre a alma e o espírito. A angústia e a tristeza cresceram naquele ambiente, os discípulos foram atingidos, mas principalmente Jesus. Ele sabia o que aconteceria nos próximos dias, todo o abandono e traição que sofreria. Entretanto, Jesus não foi derrotado no Getsêmane. Ele fincou uma estaca espiritual naquele lugar e se decidiu pela vontade de Deus. Aceitou o cálice. Jesus disse certa ocasião que venceu o mundo. Venceu mesmo. Todas as angústias e circunstâncias foram vencidas por Ele. Como vencedor deixou a lição para os discípulos: vigiai e orai para que não entreis em tentação. Vamos seguir a recomendação de Cristo?

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

ORANDO SEM ESPERAR RECEBER.

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Leia: At 12:1-17.

O ser humano é um ser social que interage com a sociedade onde está inserido. Por sua vez, o mesmo acontece com a Igreja visível, que é suscetível aos acontecimentos que ocorrem a sua volta. A morte de um discípulo de Jesus, achegado, na época apóstolo, Tiago, irmão de João, filho de Zebedeu, atingiu a Igreja cristã cerca de dez anos após a ressurreição de Jesus. Tiago foi decapitado por ordem de Herodes Agripa I. Vendo que isso agradara aos judeus, continuou, e mandou prender também a Pedro. Tais acontecimentos foram fortíssimos para a Igreja emergente.

A resposta da igreja foi à oração por Pedro (At 12:5). Percebemos que eles foram solidários, perseverantes, fervorosos, e específicos em suas orações. A oração a Deus é um recurso poderoso em qualquer época, como em tempos difíceis. Pedro estava preso numa das torres da fortaleza de Antonia, que se situava na região noroeste do Templo.

Deus responde a oração de forma sobrenatural. Vejamos o relato registrado em Atos:

 

E quando Herodes estava para o fazer comparecer, nessa mesma noite estava Pedro dormindo entre dois soldados, ligado com duas cadeias, e os guardas diante da porta guardavam a prisão. E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro na ilharga, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E caíram-lhe das mãos as cadeias. E disse-lhe o anjo: Cinge-te, e ata as tuas alparcas. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: Lança às costas a tua capa, e segue-me. E, saindo, o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão. E, quando passaram a primeira e segunda guardas, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e, tendo saído, percorreram uma rua, e logo o anjo se apartou dele. E Pedro, tornando a si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo, e me livrou da mão de Herodes, e de tudo o que o povo dos judeus esperava.

Pedro, depois de liberto, dirige-se a casa de Maria, mãe de João Marcos, onde segundo a tradição, o Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes. Pedro bate na porta da casa. Rode vai atende, escuta a voz de Pedro, e se emociona. Não consegue, por causa de tanta emoção, atender prontamente a porta. Anuncia a chegada de Pedro aos irmãos, então é desacreditada, chamada de louca, ainda é questionada com um argumento teológico de que seria o anjo de Pedro.

Percebemos que a Igreja orava pela libertação de Pedro, mas não creram no poder de Deus para responder. Como muitos pregam sem crer naquilo que prega. Como muitos cantam sem verdadeiramente louvar a Deus. Como muitos ensinam sem praticar. A Igreja orava sem crer na resposta de Deus.

Rode creu simplesmente. Entretanto, os irmãos mostraram um rebuscamento teológico, ao pensarem que era o anjo de Pedro, sem crer que Deus respondeu. Contradição. Devemos ter a fé simples de Rode e não buscarmos saídas rebuscadas para a nossa incredulidade. É preferível ser como o pai do menino epilético, que confessou a Jesus a sua dificuldade de crer, a orar com fervor sem crer que Deus pode responder. A oração tem que ser mais do que um rito fraterno, precisa ser verdadeira.

Pedro encontrou mais facilidade para sair da prisão (que era impossível) do que entrar na casa onde se faziam orações. Ele ficou algum tempo batendo na porta para depois entrar. Os irmãos efetivamente creram que era Pedro, quando a porta foi aberta. Pedro acenou-lhes com a mão e contou-lhe como se deu a libertação. A oração é para ser feita com expectativas. Não é para ser vista como uma formalidade que enverniza a incredulidade de quem ora.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

TEU É O REINO, O PODER E A GLÓRIA PARA SEMPRE.

coroa-2 Em algumas versões bíblicas não tem esta expressão final: teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Pois alguns a consideram uma interpolação e que não está nos melhores manuscritos originais. A minha postura é confiar em Deus que zela por sua palavra, portanto não tenho dificuldades em aceitar este lindo final. É maravilhoso reafirmar a magestade e o poder de Deus.

Este final é um verdadeiro ponto culminante que carrega toda a ambiência dessa oração modelo. Parece ter sido influenciado pela passagem de I Crônicas 29: 11 – 13, que é uma oração de Davi:

Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é, SENHOR, o reino, e tu te exaltaste por cabeça sobre todos. E riquezas e glória vêm de diante de ti, e tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; e na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo. Agora, pois, ó Deus nosso, graças te damos, e louvamos o nome da tua glória.”

O reino é dEle.

Deus é o Senhor da história: o Rei dos reis. Reina agora sobre todos e mantém uma posição superior a qualquer autoridade espiritual e terrena.

Jesus ensinou nessa oração a pedir: venha o teu reino. Tal pedido é um ato de rendição ao Senhorio de Deus. Tal pedido não é passivo, mas um compromisso de participação da concretização do reino de Deus aqui na terra. Sem dúvida esta petição é uma atitude de comprometimento com os valores do reino de Deus. Nós como filhos de Deus vivendo nesta terra enfrentamos as seduções dos valores mundanos que nos cercam. Porém Jesus nos ensina que os valores do Seu reino devem ser a nossa prioridade.

O outro pedido: faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu mostra que a nossa vida terrena deve se aproximar o máximo da vida no céu. Ambos pedidos reafirmam que o reino pertence a Deus para todo sempre. O “seja feita a tua vontade” não é apenas em relação aos nossos pedidos, mas também em relação a nossa vida. Jesus nos ensina a alinhar-nos ao longo da vida aos propósitos de Deus.

O poder é dEle.

A Deus pertence toda a autoridade sobre o universo físico e sobre o reino espiritual. Ele criou o universo físico e também o espiritual, não havendo nada, em nossa vida ou nas circunstâncias, que escape do poder divino.

Jesus ensinou nesta oração a pedir pelo pão de cada dia mostrando que Deus tem o poder da provisão. Deus quer que dependamos dEle durante toda a nossa vida. A nossa existência na terra é composta de dias, Ele deseja que dependamos da providência diariamente.

O pedido: perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores mostra o poder exclusivo de Deus de perdoar o homem e de livrar o homem da condenação eterna. Deus perdoa somente arrependido, e uma evidência do arrependimento é um espírito perdoador.

O pedido: e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal mostra o poder de proteger e defender contra o maligno que Deus tem. Jesus deixou claro que a vitória está disponível para quem ora e vigia (Mt 26:41 e 1 Co 10:13).

Nós devemos depender do poder divino nos aspectos materiais (pão), espirituais (perdão), morais (tentação) e demais áreas da existência.

A glória é dEle.

Deus é glorioso, digno de Glória e louvor. Toda a honra e a glória pertencem a Deus.

No início da oração modelo Jesus afirmou que Deus é Pai e está nos céus. Ao se referir aos céus Jesus mostrou que o Pai está numa esfera superior e muito mais excelente que a da terrena. Ele é digno de glória.

Ao pedir pela santificação do nome divino mostrou que o nome de Deus é venerável e digno de honra e glória. O pedido não é para que Deus seja santificado, mas é pedido pela própria santificação do suplicante. O crente em Jesus deve buscar a santificação através do comprometimento com a prática da Palavra. Ouvir, praticar a Palavra, orar, jejuar, evitar o mal e sua aparência são atitudes de quem busca a santificação.

Apesar de muitos considerarem a expressão final da oração modelo um apêndice litúrgico a sua expressão está presente em toda oração. Devemos sempre vivenciar os poderes humanos como sendo relativos. O único poder absoluto é o de Deus. A Deus seja o reino, o poder e a glória para sempre. Amém.

(O autor do artigo é o Pr Eber Jamil, dono do blog).

PERDOA-NOS AS NOSSAS DÍVIDAS.

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O pecado é descrito nesta oração como dívida. O homem deve a Deus a guarda dos seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de dívida. Incapaz de pagá-la, a única esperança do homem é ser perdoado por Deus.

A Bíblia afirma em Romanos 3:23 que todos nós somos pecadores, portanto todos somos devedores:

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.

Jesus nos ensina confessar os nossos pecados a Deus. Conforme está escrito em 1 João 1:9 – Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.

A religiosidade pode promover no homem um auto-engano com relação ao perdão dos seus pecados. Muitos pensam que os cumprimentos das normas religiosas adquirem o perdão dos pecados, mas não é assim. Era comum, como ainda é, o homem se revestir de uma justiça própria confiado na sua própria obra para a remissão dos pecados. Porém o exibicionismo na oração ou as meras repetições não conseguem tal feito.

O verdadeiro pedido de perdão dos pecados a Deus deve envolver o arrependimento e ele envolve a pessoa toda, todo o seu ser, toda a sua personalidade. O arrependimento é uma mudança na maneira de pensarmos em Deus, em nosso pecado e em nossas relações com o nosso próximo. Posso dizer que no arrependimento existem três fases: Primeiro, uma tristeza segundo Deus em relação ao pecado cometido. Segundo, uma confissão dos pecados a Deus através da oração. E terceiro, o abandono da prática do pecado.

Sendo o pecado dívida, é o arrependimento que paga a dívida? Não. O arrependimento é conseqüência da obra do Espírito Santo no homem. O Espírito convence o homem do pecado, da justiça e do juízo, da justiça que Jesus executou em si próprio em favor da humanidade. Foi Jesus que pagou o débito da humanidade na Cruz. A justificação é, então, um ato declarativo de Deus, ele declara que não pode mais condenar o homem e o restaura à sua graça. O seu sacrifício foi vicário, ou seja, foi substitutivo. Ele tomou o lugar dos homens devedores para pagar o preço que nós homens merecíamos.

O “assim como perdoamos aos nossos devedores” mostra o caminho do regenerado e perdoado por Deus. Deus nos perdoou o imperdoável. A nossa dívida para com Deus era maior do que a dívida dos nossos devedores. Portanto, Deus pede para você, que recebeu uma graça incomensurável, perdoe aquele que deve menos do que você devia a Deus.

Ef 4: 31e 32: Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

Logo depois da oração do Pai Nosso está escrito (Mt 6:14 e 15):

Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.

O que Jesus quis dizer com isto? A ausência de perdão obstrui a nossa comunhão com Deus. Então perderei a salvação se não perdoar alguém? Não. Entretanto, a intimidade, o relacionamento fica obstruído. O sacrifício de Jesus foi o preço na cruz pagou o preço da sua dívida, e isto foi um favor imerecido, ou seja, Graça. Entretanto, Deus espera que você compartilhe da graça recebida e perdoe seus devedores como foi perdoado por Deus. Se não, suas orações não serão ouvidas por Deus e você não perderá a salvação, mas deixará de usufruir um relacionamento intimo com Deus.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

PÃO NOSSO DE CADA DIA.

 

pao2 Esta é a quarta petição da oração modelo. Sendo a primeira petição que envolve as necessidades pessoais. As três anteriores se relacionaram com o programa de Deus e nesse pedido com uma necessidade pessoal. Observemos que a prioridade da oração é o Reino de Deus e cabendo no seu bojo as nossas petições.

As petições acerca das coisas materiais não ofendem a Deus. Existem dois extremos nesse aspecto: aqueles que só pedem coisas materiais e em segundo aqueles que não pedem porque acham que Deus só quer dar coisas espirituais. Nenhum dos extremos é acertado. Creio que em Tiago (Aliás tem muita influência do sermão do monte) nós temos um esclarecimento sobre o assunto.

Temos o grupo de pessoas que não pedem por isto não recebe: Tg 4:2 “Nada tendes, porque não pedis”. No contexto o que faz calar acerca dos pedidos é o mundanismo, ou em outros casos, um conformismo, como se tudo estivesse determinado.

Outro grupo de pessoas são as que pedem, mas pedem mal: Tg 4:3 – “pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”.

Nenhum desses extremos é conveniente.

O “pão” é uma referência daquilo que é necessário e básico. Um teólogo do século XVI, Martin Chemnitz escreveu: “A palavra pão, presente nesta oração, engloba todas aquelas coisas necessárias para uma vida ordeira, honesta e pacífica. Isto se aplica à nação, à família, à produtividade da terra, ao bom tempo e assim por diante”. Este pedido nos faz lembrar a provisão para o povo de Israel no deserto do Maná (Ex 16). O Maná foi uma provisão necessária e diária semelhante ao “pão nosso de cada dia”.

A expressão “pão nosso” mostra que o Pai é nosso e o pão também é. Mostra a consciência comunitária que precisa haver entre os cristãos. Nessa oração o Pai é nosso e a petição é pelo “pão nosso de cada dia”. Deve haver um espírito solidário e altruísta entre nós. Não devo somente me preocupar com as minhas necessidades, mas com o do meu próximo também. Não só as minhas necessidades sejam supridas por Deus, mas a do meu irmão também. Tão diferente o pensamento que graça em nosso meio hoje: individualismo, egocentrismo e acumulação de bens sem generosidade.

A oração do Pai Nosso é uma oração feita no sentido vertical, mas que nos alerta o espírito para o sentido horizontal, isto é: para o relacionamento fraternal com todos os nossos semelhantes. Com o mesmo espírito fraternal que oramos “Pai nosso”, também devemos orar pelo “pão nosso”.

Jesus contou a parábola do Rico Insensato que conquistou uma grande colheita que garantiria sustento para a vida toda. Entretanto, naquela noite a sua alma foi pedida e ele não tinha ninguém para deixar sua fortuna. Foi um projeto de vida solitário e não solidário. Foi um projeto de vida egoísta e não fraternal. Não foi no espírito do “Pai nosso e pão também é”.

A expressão a “cada dia” mostra a dependência que devemos ter de Deus. Deus quer que dependamos dEle durante toda a nossa vida. A nossa existência na terra é composta de dias, Ele deseja que dependamos da providência diariamente.

Esta petição também nos lembra que Deus nos sustenta materialmente e espiritualmente. A providência diária de Deus não se restringe ao físico e material, mas também no espiritual. Todas as vezes que participamos da Ceia do Senhor somos lembrados que Jesus é “o pão que desceu do céu”, somos lembrados que Ele é o pão da vida. Jesus não é apenas o Provedor, mas também é a provisão.

(O autor do artigo é o Pr Eber Jamil, dono do blog).

SEJA FEITA A TUA VONTADE.

 

Salmos-46-10 Esta é a terceira petição da oração modelo. É o passo seguinte depois do “Venha o teu Reino”, o que é compreensível, pois quem deseja a soberania de Deus desejará que sua vontade seja feita. Pode se dividir em duas partes esta petição: primeira, seja feita a tua vontade e a segunda: assim na terra como no céu. É um ato de submissão e rendição do ego. Jesus, enquanto homem, personificou essa submissão e rendição. Na sua oração no Getsêmane, Ele disse: “Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26:39).

Se reconhecermos a Soberania Divina e nos submetermos, também desejaremos que os nossos desejos sejam de acordo com a vontade de Deus. Tal princípio está profundamente ligado à oração eficaz. Hank Hanegraaff escreveu: “(…) a oração é um meio de nos levar à conformidade com a vontade de Deus, não um mantra mágico que assegura a conformidade de Deus ao nosso desejo” (In: A oração de Jesus).

1 Jo 5: 14 – E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.

Percebemos a paz advinda de Deus no coração daquele que deseja a vontade de Deus acima da sua própria vontade. Tal atitude gera a confiança de sermos ouvidos por Deus. Não devemos confundir tal postura com resignação, um conformismo. Sempre devemos aprender a lutar em oração buscando que a vontade de Deus seja feita. Em muitas situações a vontade de Deus é a luta através das disciplinas espirituais (oração, leitura bíblica, jejuns, etc) para que a vontade plena de Deus se realize. Deus age, muitas vezes, através das disciplinas espirituais.

O “assim na terra como no céu” significa como a vontade de Deus é feita nos céus seja também feita na também na terra. O céu como referência está presente desde o início do Pai nosso, vejamos:

. Pai nosso que está nos céus seja santificado seja teu nome.

. Venha teu reino (reino de Deus é reino dos céus).

. Assim na terra como no céu.

Fica claro que a nossa referência para a existência na terra é o céu. Temos dupla cidadania, celestial e terrena, e quando as duas entram em choque, ficamos com a celestial.

Jo 17:15-17 – Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.

Os valores celestiais estão escritos na Bíblia e por esses princípios devemos viver.

Cl 3: 1 -3 – PORTANTO, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Os nossos desejos e ambições devem ser norteados pelos desejos celestiais, assim oraremos de forma eficaz e eficiente.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

VENHA O TEU REINO.

Clouds Essa é a segunda petição da oração modelo. Percebemos estar relacionada com Deus e sua vontade. A expressão “venha o teu reino” é um ato de rendição ao Senhorio de Deus.

O reino de Deus tem dois aspectos: presente e futuro. No presente, se manifesta onde quer que Deus seja adorado, e seguido pelos corações onde Ele reina. No futuro, o reino virá de modo completo e visível ao mundo quando Deus vencer o último inimigo, a morte.

Precisa haver por parte do homem uma entrega de si mesmo e dos seus caminhos à soberania de Deus. Hoje em dia enfatiza-se o fato de sermos filhos do Rei, numa perspectiva de mão única, de Deus para o homem. Entretanto, deveríamos enfatizar que Deus é Rei, no sentido de nós para Deus.

Esta petição nos leva a perguntar quem está governando? A resposta é Deus que governa! Porém na nossa vida quem está no trono? O nosso ego ou Deus está no trono? Paulo disse “não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim”. Esta é a oração do “venha o teu reino”.

Jesus não nos ensinou a orar: “venha o meu reino”, mas “venha o teu reino”. Qual é a nossa prioridade? A oração “venha o teu reino” não é passiva, mas um compromisso de se participar da concretização do reino de Deus aqui na terra. Você está comprometido?

Sem dúvida esta petição é uma atitude de comprometimento com os valores do reino de Deus. Como filhos de Deus vivendo nesta terra enfrentamos as seduções dos valores mundanos que nos cercam. Porém Jesus nos ensina que os valores do Seu reino devem ser a nossa prioridade.

Até que ponto estamos apegados aos valores do Reino de Deus? Paulo cita três características dos valores que norteiam o reino. Romanos 14:17 – Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

  • Justiça.
  • Paz.
  • Alegria no Espírito Santo.

Sabemos que o Reino de Deus será implementado em sua plenitude quando ocorrer à volta de Jesus. Os que pedem o reino devem amar a volta de Jesus. Devem dizer e viver o significado da palavra Maranata, “ora vem Senhor Jesus”.

Sem dúvida também, esta petição é um compromisso com a evangelização. O reino de Deus cresce quando outras pessoas se rendem ao domínio de Deus. Passam a ser servos de Jesus. João 3:3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

A oração “venha o teu reino” não é passiva, mas um compromisso de se participar da expansão e concretização do Reino. Aquele que ora, deve incluir-se na oração, oferecendo-se a Deus como resposta. Você quer orar: “venha o teu reino”? Espero que sim.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jami, dono do blog).

SANTIFICADO SEJA TEU NOME.

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No hebraico, o nome não significa apenas a forma pela qual a pessoa é conhecida, mas revela a natureza, o caráter e a personalidade do indivíduo; expressa a verdadeira natureza da pessoa. Portanto o nome de Deus revela a sua santidade.

A petição “santificado seja teu nome”  não significa santificar a Deus, ou torná-lo mais santo, pois isto não seria possível, mas um comprometimento do suplicante com um testemunho digno da santidade de Deus. Certo indiano falou para um missionário: “vocês não são tão bons quanto seu livro”. Estamos vivendo de acordo com a Bíblia? Billy Graham disse: “a Bíblia que seu vizinho lê é você”! Gandhi afirmou: “creio no vosso Cristo, mas não creio no vosso cristianismo”. Estamos vivendo de acordo com o caráter cristão?

Notemos que o “santificado seja teu nome” é o primeiro pedido que Jesus ensinou na oração modelo. Ele coloca a ênfase inicial em Deus, ou seja, Deus em primeiro lugar. É pedir que seja dada a Deus a reverência, o zelo que sua santidade exige.

Devemos santificar o Nome do Senhor através da nossa própria santificação, e, por meio dela, e do nosso testemunho, estendê-la aos nossos semelhantes.

O crente em Jesus deve buscar a santificação através do comprometimento com a prática da Palavra. Ouvir, praticar a Palavra, orar, jejuar, evitar o mal e sua aparência são atitudes de quem busca a santificação.

Jo 17:17 – Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

Hb 12.14 – Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.

A santificação tem dois aspectos, primeiro é ter uma relação vital entre a pessoa e Deus; segundo, o homem ter um caráter que esteja de acordo com esta relação existente entre ele e Deus.

A santificação deve ser buscada para podermos testemunhar e proclamar a santidade de Deus.

Esta petição de Jesus estava combatendo a oração hipócrita que visava a autoglorificação e não a santificação do nome de Deus.

Quando os hipócritas oravam, eles visavam o reconhecimento público, a promoção de seus próprios nomes. Eles gravitavam em torno de si até mesmo quando oravam. Jesus ensina que a nossa meta é a glorificação de Deus, quando nos orienta, a orar pela santificação do nome Dele. Nele devemos nos mover e existir. Nele devemos gravitar em torno dos nossos interesses, Deus deve ser o nosso epicentro.

É importante refletirmos sobre a nossa prática eclesiástica e nos perguntar o porquê fazemos a obra de Deus. Para a nossa autoglorificação ou a glorificação do Nome de Deus? Quando oramos visamos a canonização do nosso nome ou a santificação do nome de Deus?

Faça um “inventário” da sua vida e veja onde tem pecado. Peça perdão a Deus e abandone a prática do pecado. Busque a santificação, assim santificará o nome de Deus através do seu testemunho.

1 João 1:9 – Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

(O autor do artigo é o Pr Eber Jamil, dono do blog).