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VENDO A FACE DE DEUS NO IRMÃO.

jaco e esau

Jacó estava temeroso de se reencontrar com Esaú, seu irmão, depois de vinte anos, tanto que faz planos especiais para o reencontro com ele. Quando ele saiu de casa, anos atrás, seu irmão pretendia mata-lo porque ele seguiu o conselho de sua mãe Rebeca e recebeu a benção de seu pai que deveria ser dado a Esaú, mas através do engano Jacó tomou a benção do irmão. Esaú já havia numa ocasião antes trocado o direito da primogenitura com Jacó por um prato de lentilhas, mas tinha esperança de receber a benção da primazia pelo pai, mas Jacó foi astuto e enganou seu pai Isaque recebendo a benção de Esaú.

Numa tentativa de aplacar a possível ira do irmão, que vinha ao seu encontro juntamente com 400 homens, e se proteger, ele divide sua família e toda caravana que ia com ele em grupos, pensando que, se um grupo fosse atacado, o outro poderia escapar. Também separou muitos animais para dar de presentes a Esaú e enviou em grupos para ele.

Depois de atravessar sua família e seus bens pelo vau de Jaboque ele fica só e um homem da parte de Deus, que é o próprio Senhor, trava uma luta corporal com ele mudando sua vida e seu nome. Depois deste encontro, ele não foi chamado mais de Jacó, o suplantador, mas Israel, aquele que luta com Deus. Jacó chamou aquele lugar de Peniel, que quer dizer face a face com Deus. Ele disse: Eu vi Deus face a face, mas ainda fiquei vivo.

Muitos quando pensam no encontro de Jacó com O Senhor ressaltam apenas este momento divisor na vida dele onde viu Deus face a face. Mas, me inspirou o fato de que no reencontro com Esaú seu irmão lhe trata bem como um querido e Jacó exclama que ver o rosto de Esaú é como ver o rosto de Deus. Jacó sabia o que era ver Deus. Ele tinha tido a experiência. Ele não usou de lisonja quando falou isto com Esaú. Ele foi verdadeiro. Portanto, ele viu o agir de Deus naquela reconciliação com o irmão. A vida com Deus não tem apenas o sentido vertical, ou seja, com Ele, mas inclui o próximo, que é o aspecto horizontal da vida com Deus. O homem que havia visto Deus face a face estava dizendo que ver o rosto do seu irmão era como ver o rosto de Deus. Tal fato lembra o apóstolo João que afirmou: Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (1 João 4:20).

Quantos dizem servir a Deus, mas seus relacionamentos interpessoais estão dominados pela mágoa, rancor, vingança, amargura e outros sentimentos nocivos.  Muitos que já tiveram o encontro com Deus precisam reconciliar-se com o irmão e assim ver a face de Deus também no irmão. Jesus ao responder sobre o questionamento sobre qual seria o maior dos mandamentos resume toda a lei em dois mandamentos. Veja Mateus 22:34-40: E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. Ele ensinando aos discípulos disse que deixava um novo mandamento que esclarece que o amor ao próximo deveria ter como base o amor que Ele nos amou em João 13:34: Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Ele continuando a falar disse que se amassem seriam reconhecidos por causa do amor. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35).

Quando Jacó afirmou que ver a face de Esaú era como ver a face de Deus não estava se referindo ao caráter piedoso de Esaú, ou sua santificação, mas o que ele via era o significado daquele encontro depois de 20 anos onde os irmãos se abraçaram e tiveram um momento de reconciliação. Nós que fomos reconciliados com Deus por meio de Cristo temos também a mensagem da reconciliação por meio de Cristo (2 Co 5: 17 – 20). Portanto, não devemos ter os relacionamentos interpessoais em frangalhos, destroçados. Deus é visto em nós quando nos reconciliamos com aqueles que nos magoaram e nos ofenderam. O amor é a principal marca identificadora do crente. Jesus no sermão do monte ensina que se algum irmão tiver algo contra nós antes de entregar a oferta no altar deveríamos ir até para que houvesse reconciliação (Mateus 5:23-26). A reconciliação com Deus é a base para que busquemos o concerto com o irmão também.

A experiência de Jacó com o reencontro com Esaú também nos ensina que o relacionamento com Deus não é somente de grandes encontros, de grandes lutas, como foi em Peniel, mas também vemos Deus no reencontro com o próximo. Jesus falando sobre o juízo final disse que os seus escolhidos em vida deram de comer a Ele, deram de beber, o visitaram e vestiram-no. Falando mais, Jesus disse que os escolhidos perguntarão: quando fizemos estas coisas a Ti Jesus? E Jesus respondeu: “Eu afirmo a você que é verdade, quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram” (Mateus 25:31-46). Creio que você quer ver a face de Deus então ame a seu irmão, perdoe seu irmão e ajude ele em sua necessidade porque ao fazermos isto com os pequeninos estaremos fazendo ao próprio Cristo.

Creio que seja oportuno em falarmos sobre este assunto porque estamos acostumados a ouvir sempre sobre as experiências com Deus, que são imprescindíveis, inesquecíveis, mas esta experiência de Jacó abre o nosso entendimento de que se queremos uma vida abundante em todas as áreas o próximo precisa ser incluído. Não podemos ser daqueles que dizem: eu quero Deus e o próximo é que exploda, não é assim. Se amarmos o irmão, se nos reconciliarmos com os desafetos teremos a experiência de ver a face de Deus no irmão.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

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ENXERGANDO, APESAR DO SOFRIMENTO.

maria e joão

Jesus estava sendo crucificado. Seu sofrimento e humilhação estavam no ápice. Mesmo estando nesta situação as frases que ele proferiu durante sua crucificação não foram palavras de amargura, auto piedade, de vingança e nem de desespero. Pelo contrário, foram frases que mostram e muito o sentido da sua crucificação. Ele proferiu sete frases na cruz, sendo a segunda para a sua mãe e seu discípulo amado que repito o que está escrito em Jo 19:26 e 27: Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe, E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.

“Ora Jesus, vendo ali sua mãe “. Quantas vezes na angústia deixamos de ver o outro, mas com Jesus não foi assim. Muitos deixam de ver a mãe, a esposa, o esposo, o filho, o amigo e outros.  Ele viu Maria, sua mãe e João, o discípulo a quem amava. Além de vê-los Jesus viu a necessidade de sua mãe, que necessitaria de apoio. Jesus havia mostrado este olhar diferenciado em seu ministério. Quando procurava um lugar para descansar um pouco, viu a multidão que o seguia parecendo como ovelhas sem pastor e ele não lhes deixou de dar o alimento espiritual ensinando-os. Percebeu nesta mesma multidão a fome também por alimento físico e por isto multiplicou cinco pães, dois peixes alimentando a multidão. O olhar de Jesus foi de compaixão pela multidão. Muitos enxergariam o assédio da multidão como sinal de “popularidade”, como “poder político” conquistado, mas Jesus viu na multidão a necessidade espiritual e material daquelas pessoas (Mc 6:30-44).

Voltando a segunda frase de Cristo na cruz constatamos que Ele não girava em torno de si mesmo. Somos essencialmente egoístas. Mas, quando sofremos somos muito mais egocentralizados. Jesus sempre andou no caminho contrário ao egoísmo e se preocupou com a dor alheia. Até neste momento de sua própria morte preocupou-se com que aconteceria com Maria, sua mãe terrena. A capacidade de ter empatia é admirável e quando se está sofrendo mostrar este sentimento é notável. Jesus falando no sermão do monte sobre um dos sentimentos mais perturbadores do ser humano que é a ansiedade e exemplifica o cuidado de Deus com os passarinhos e com os lírios do campo. Este olhar de Jesus para fora de si diante do sofrimento humano e do seu próprio sofrimento é digno de ser admirado e buscado. Sendo Deus, Jesus via mais do que ninguém, mas como homem, que também era, poderia ter rateado e ter caído na autocomiseração, mas o que ele fez foi cuidar de sua mãe.

O cuidado de Jesus com ela mostra a todas as famílias que não devemos descuidar dos nossos familiares. Na vida moderna onde poucos param para observar a dor do outro Jesus mostrou não esquecer daquela que o acompanhou até a cruz. Daquela que gerou por obra do Espírito Santo a Ele, Jesus homem. Paulo ao orientar sobre o cuidado das viúvas (1 Tm 5:3-6) ressaltou que se a viúva tivesse parentes deveria ser cuidada por eles porque não fazer isto é negar a fé e agir pior do que um incrédulo (1 Tm 5:8). Jesus nem em seu agudo sofrimento não esqueceu da sua mãe terrena. É um dever do cristão suprir as necessidades dos seus familiares especialmente dos mais próximos.

Aprendemos com Ele que mesmo sofrendo devemos estar abertos ao próximo, pois podemos ser usados por Deus durante o nosso sofrimento na vida de alguém. A atitude dele foi registrada e ecoou até aos nossos dias mostrando-nos que mesmo na luta não devemos nos encaramujar, ou nos recolhemos em nós mesmo como faz a tartaruga no seu casco, mas abrimos a possiblidade de ser benção na vida de alguém que também sofre como estamos sofrendo. Foi esta a atitude de Cristo em relação a Maria. A cana quando é esmagada dá um caldo doce porque é o que tem dentro dela. O servo de Deus deve amar mesmo quando sofre porque O Espírito Santo derramou em seu coração o amor de Deus  (Rm 5:5), que não é um amor externalizado somente pelas palavras, mas em ações concretas (1 João 3:18).

Observemos que a Igreja de Laodicéia não estava enxergando a si mesma, sua nudez espiritual e pobreza. Jesus recomendou-a que ungisse seus olhos com colírio. Algumas perguntas são pertinentes. Como você enxerga quando sofre? Você só vê a si mesmo? Você vê o seu próximo? Você vê somente a sua necessidade? E do próximo você enxerga? Você tem empatia com o outro quando sofre? Você ajuda o outro mesmo sofrendo? Peça a Deus para ungir sua visão para que vejas mesmo quando sofreres o outro. Jesus disse: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mt 6:22 e 23)

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

O PROPÓSITO DA COMUNHÃO.

união

Um dos propósitos de Deus para a Sua Igreja é a comunhão. A Igreja é tratada na Bíblia como Edifício, onde cada crente é uma pedra viva (1 Pe 2:5). É tratada como família de Deus onde todos vivem ligados a Deus (Ef 2:19). Os irmãos de fé são considerados concidadãos, pois todos possuem a cidadania celestial (Ef 2:19 e Fp 3:20). Tais designações apontam para o propósito da harmonia e comunhão que Deus proporcionou aos santos.

A comunhão com Deus que o homem tinha foi quebrada por causa do pecado. Mas, Deus providenciou que em Cristo o homem se reconciliasse com Ele. Portanto, aquele que crê em Cristo volta a ter comunhão com Deus. O Batismo como ordenança testemunha que o homem que estava morto em seus delitos e pecados ressuscitou e passou a ter uma nova vida com Deus. Passando a viver para Ele. Porém o batismo não é somente uma representação e símbolo da salvação obtida pela fé em Cristo, mas também de comunhão com os irmãos da fé. Não significando somente uma nova vida em Cristo, mas também é a visualização da integração da pessoa no corpo de Cristo, que é a Igreja. Quando nos convertemos O Espírito Santo nos batizou, nos imergiu no Corpo de Cristo. Veja o que Paulo escreveu: Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres e todos temos bebido de um Espírito (1 Co 12:13). O Batismo nas águas não significa somente a morte para o pecado, sepultamento e ressurreição para uma nova vida, mas também a imersão no corpo de Cristo que aconteceu no momento da conversão.

Tendo afirmado isto, percebemos a importância de que a igreja evangelize, mas também que trabalhe com as vidas no sentido de integrá-las na Igreja local, que é a parte visível do corpo de Cristo. A pregação do Evangelho é um chamamento a comunhão com Deus através de Cristo, mas ao aceita-Lo a pessoa passa a fazer parte do corpo de Cristo.  Devemos levar as pessoas evangelizadas a ter um maior compromisso com Cristo e com O Seu corpo. Cristo nos mandou pregar, fazer discípulos e batizar.   A Evangelização visa ganhar a vida inteira de uma pessoa e não parte dela. A pessoa que se converte a Cristo precisa ter relacionamentos sadios. Sei que problemas acontecem nas Igrejas, mas o espírito de pacificação e de perdão devem prevalecer. Na comunhão dos irmãos Deus promove o crescimento através do discipulado, da edificação, admoestações e exortações. O autor de Hebreus enfatiza: “Não deixando a nossa mútua congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros, e tantos mais, quando vedes que vai se aproximando aquele dia”.

Podemos ainda destacar a estreita ligação da evangelização com a comunhão no sentido que havendo comunhão entre os irmãos há um ambiente propício a conversão e integração na Igreja local. Jesus falou que as pessoas seriam identificadas como discípulos dEle se amassem uns aos outros (Jo 13:35). A Igreja de Jerusalém em Atos tinha como uma das grades marcas a comunhão. Eram coesos na doutrina, partiam o pão juntos, temiam ao Senhor, estavam juntos, perseveravam, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo (At 2:42-47).

Na Palavra de Deus temos chamamentos, exortações e constatações de Deus ao Seu povo para que viva em comunhão como em  1 Coríntios 1:10 que está escrito: Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer. A comunhão é algo tão inerente a fé cristã tanto que o  apóstolo João chega a afirmar que se vivermos praticando as obras da luz de Senhor e andamos na verdade estará demonstrado que temos comunhão com Ele e com o próximo. I João1: 6 e 7 – Se dissermos que temos comunhão com ele, e andamos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho nos purifica de todo o pecado.

A comunhão é um propósito Divino muito caro a Deus. Devemos valorizar e vivermos em união. O salmo de número 133 ressalta que: Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! Paulo aos Efésios no capítulo 4 versículo 3 exorta: Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Portanto, irmãos vivamos a obra que Deus realizou de reconciliação com Ele expressando o vínculo de comunhão que temos uns com os outros.

Antes de Jesus havia separação entre judeus e gentios, entre o povo da aliança e povo que não era povo de Deus, “mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. E vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto. Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Efésios 2: 13-18). Tendo Deus derrubado a parede de separação temos que viver em comunhão e não podemos fomentar a discórdia e contenda.

As igrejas costumam realizar as Ceias seguindo a orientação de Jesus como a primeira Igreja a de Jerusalém fazia e as demais fizeram. Paulo ao escrever aos coríntios traz orientações importantes sobre esta celebração que aponta também para a comunhão com Deus e com Seu corpo porque todos partilham do pão e do vinho que são servidos a todos que integram a Igreja do Senhor. Paulo por orientação de Jesus orientou que para participarmos da mesa do Senhor precisamos discernir o seu significado, o corpo de Cristo e seu sangue foi dado por nós, e não participarmos indignamente. Jesus recomenda a reconciliação com seu irmão antes de apresentar uma oferta a Deus. Tais recomendações mostram o quão é importante para Deus a comunhão entre a família da fé porque as duas ordenanças de Jesus – o batismo e a ceia – mostram o sacrifício de Jesus para que fôssemos salvos e tivéssemos comunhão com Deus e com Sua família.

Diante do exposto é necessário celebrarmos a unidade que foi feita por Jesus na cruz. É necessário cultivar uma vida de devoção a Deus. É necessário renunciarmos aos desejos egoístas e pagarmos o preço para que a comunhão com nossos irmãos de fé permaneça. É na comunhão que O Senhor “ordena a benção e a vida para sempre” (Sl 133:3).

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

A FELICIDADE DOS PACIFICADORES.

pacificadores

É tão chamativo o fato de Jesus ter dito que os pacificadores seriam chamados filhos de Deus. Mostrando que a paz é algo tão intrínseco a Deus e que seus filhos carregariam esta marca mesmo o homem sendo suscetível a violência até entre seus familiares como foi o caso do primeiro homicídio entre os dois irmãos Caim e Abel.
A pessoa se torna filho de Deus por adoção quando recebe a Jesus e nasce de novo (Jo 1;12). Deixa de contender contra Deus (Os 4:1) e passa ter paz com Deus (Rm 5:1). Portanto, o pacificador é aquele que é nascido de novo e deseja paz estando disposto a fazer tudo quanto for verdadeiro para que esta paz esteja presente em todos os níveis. Digo isto, porque muitos pensam que pela paz se pode fazer qualquer “coisa”, mas não deve ser assim. O pacificador procura a paz e segue-a (Sl 34:14 e Rm 14:19). Seguindo-a ele não tem a vida contaminada pela amargura (Hb 12:14 e 15).
A personagem Jack Bauer da série 24 horas retrata bem o pensamento de muitos. Ele fez muitas coisas de forma arbitrária para manter a paz e usou de métodos controvertidos e até torturas. O pacificador não vê a paz como apenas uma finalidade, mas como o modo de conduzir a própria vida. Portanto, não usará de meios arbitrários.
Por mais que tentemos fazer a paz com determinadas pessoas, elas se recusam a viver em paz conosco, porque somos de Cristo, e nosso estilo de vida cristão revela a inimizade já existente contra Deus, A nossa parte é seguir a recomendação: “se for possível, quando estiverdes em vós, tendes paz com todos os homens”. Como filhos de Deus desejaremos a paz indo contra o fluxo de ódio, rancoroso deste mundo. Teremos a disposição para pedir perdão e perdoar. Buscando a reconciliação para que possamos cultuar a Deus sem empecilhos (Mt 5:23 e 24).
Não devemos nos assombrar, e nem nos maravilhar, quando tais coisas acontecem, porque primeiro aconteceu com Cristo. Como Jesus alertou aos seus discípulos primeiro odiaram a Ele. Somos seguidores de Cristo e como tais, receberemos retaliações e perseguições. Quando isto acontecer pela causa de Cristo devemos: “exultar e nos alegrar porque grande é o nosso galardão no céu”. Estamos tão identificados com Cristo e Sua causa que a animosidade a Ele vira antagonismo a nós.
Diante das situações de oposição o pacificador também tem que lidar com a forma de reagir aos enfrentamentos oposicionistas. Portanto, é importante saber reagir positivamente ao mal combatendo-o com o bem (Rm 12:18-21). Não podemos nos esconder em desculpas e reagirmos de forma destrambelhada ao ódio deste mundo. Quando se combate o mal com o mal se está sendo derrotado. O pacificador é aquele que responde a palavra dura com brandura (Pv 15:1), tardio no falar e pronto a ouvir (Tg 1:19). Como Paulo escreveu aos Coríntios: “as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruir fortalezas” (II Co 10:4). Portanto, como pacificadores nos utilizaremos destas armas disponíveis em Cristo que habita em nós pela pessoa do Espírito Santo.
Concluindo, podemos afirmar que o pacificador levará a mensagem do evangelho, que são as boas-novas da Paz com Deus, que é refletida em paz nos relacionamentos. Como parte da armadura cristã estão os pés do crente calçados dos na preparação do evangelho da paz (Ef 6:15). Jesus na cruz desfez a inimizade que havia entre gentios e o povo de Deus mostrando que o caráter do cristianismo é a pacificação. Como Paulo falou a respeito de Cristo: E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto (Ef 2:17). Unindo aqueles povos que eram antagônicos em um único povo, que é a família de Deus, a saber os que creem em Jesus. A mensagem que o crente proclama é da reconciliação, mas somos mais do que arautos, somos embaixadores da reconciliação. “Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus” (2 Co 5:20).
Felizes são vocês os pacificadores!

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

NÃO É BOM O ISOLAMENTO!

isolamento

Gn 2:18 -E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.

Não é bom o isolamento porque Deus nos mostra que para vivermos com mais qualidade é necessário que não sejamos apenas verticais pensando somente no nosso relacionamento com Deus, mas também horizontais pensando no nosso relacionamento com o próximo. O resumo que Jesus fez dos 613 mandamentos em dois mandamentos é coerente com que a palavra que Deus proferiu a respeito de Adão que estava só sem ninguém ao seu lado, alguém que lhe fosse correspondente.

Principalmente nos primeiros séculos da história da Igreja muitos buscaram o isolamento porque pensaram que era a melhor maneira de não se misturar com o mundo. O cristianismo começava a deixar de ser perseguido e passou a ser favorecido pelo Império Romano. O que foi visto como favor de Deus por alguns, mas para muitos outros, era o mundo entrando na Igreja e por isto alguns começaram a buscar viver isolados da sociedade para a maior consagração a Deus.

O problema do estilo de vida “ermitão”, urbano, em áreas desérticas, rurais ou não, é a falta de influência positiva que deixa de acontecer na sociedade por causa do isolamento. As comissões deixadas por Jesus nos incentivam pregar o arrependimento, discipular, batizar, ir até os confins da terra para tanto é necessário a vivência em sociedade. Jesus na oração sacerdotal foi claro: Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (17:15). Temos que viver no mundo, mas de uma forma que não nos comuniquemos com as obras infrutuosas das trevas, ou seja, vivermos no mundo sem nos envolver com a malignidade.

O tempo “a sós” tem o seu valor e devemos cultivá-lo, mas que seja para a renovação das forças físicas, espirituais, da devocionalidade para com Deus, mas não podemos nos isolar do convívio com a família, irmãos de fé, colegas de trabalho e da sociedade como um todo. Não é bom que o homem esteja só. O contexto do versículo é a vida a dois, o casamento, porém, podemos estender o entendimento do versículo para a necessidade humana de se relacionar com o próximo. Em Eclesiastes o pregador afirma: “que é melhor serem dois do que um”. Precisamos do momento a sós com Deus, mas também precisamos salgar e iluminar esse mundo como luzeiros de Cristo. Se não salgarmos perderemos a relevância no mundo, não exerceremos a vocação dada pelo Senhor e não seremos respeitados. Nosso chamado é para evangelizar, edificar o Corpo de Cristo, servir a Deus e ao próximo. Não busque o isolamento. Tenha sempre seu momento a sós com Deus, tenha o seu lugar de oração e meditação na Palavra, tenha seus horários regulares para a devoção, mas também viva uma vida influente com todos os seus riscos lembrando-se sempre que quem está com Deus é maioria e que temos uma família, que é a Igreja do Senhor, que coopera com os dons para o desenvolvimento da nossa carreira cristã.

Quando acontece a conversão de alguém a pessoa é inserida pelo Espírito Santo no corpo de Cristo, que é a família de Deus, mostrando que o chamamento é para comunhão com Deus e com o próximo. O novo convertido deve ser acompanhado até que ele possa também acompanhar outros e assim a Igreja do Senhor se multiplica e cumpre o seu chamado.

Jesus se retirou algumas vezes para orar sozinho, mas no Getsemâni quando deixou seus discípulos a sós para orar desejou que eles tivessem acordados enquanto ele orava e repreendeu-os quando encontrou Pedro, Tiago e João dormindo. Jesus sentiu a falta de companheirismo deles, a falta de vigilância.

Nas artes nós vemos também está necessidade ser retratada quando o cavaleiro solitário tem como companheiro um índio chamado Tonto. Quando o Robison Crusoé encontra e tem como amigo o índio Sexta-feira. No filme Náufrago com Tom Hanks, que interpreta o personagem Chuck, o qual após a queda do avião onde viajava, encontra-se preso numa ilha, privado de tudo que o homem moderno precisa, faz amizade com uma bola de volei da marca Wilson que se torna seu amigo imaginário na ilha desértica. Tem um momento emocionante do filme quando ele perde no mar o seu amigo imaginário, o que levou algumas pessoas sensíveis às lágrimas. Tais obras mostram claramente a necessidade do homem do próximo. O homem é um ser social.

A solitude, a meditação é necessária durante um tempo, mas o isolamento não pode ser uma filosofia de vida. Sempre precisamos de alguém! Ninguém basta a si mesmo! A constatação Divina foi que não é bom que o homem esteja só. Talvez você tenha se fechado para o outro por causa das decepções, desilusões, mas o remédio não é encaramujar-se, mas perdoar o abandono, a decepção e viver uma vida saudável, produtiva, e relacional com Deus e com o próximo.  Abra-te! Primeiramente para Deus, e quando isto verdadeiramente acontece, abrimo-nos para o próximo também.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

O NATAL E O FOCO DE INCÊNDIO.

foco de incendio

Quando pensamos em natal pensamos em nascimento, felicidade, paz, fraternidade, família reunida e muitos mais predicados positivos que a data traz à lembrança. Quando analisamos o primeiro natal vamos encontrar esses elementos, mas não houve só calmaria na época natalina. Uma forte oposição se levantou contra o nascimento de Cristo tendo como protagonista Herodes, o grande, rei da Judéia.

Como estava nos planos de Deus, a encarnação de Cristo, Herodes não conseguiu matar Jesus ainda infante. Haveria de chegar no tempo de Deus a crucificação de Cristo, mas não era a hora. Aquele não era o tempo da morte e ressurreição de Jesus. O natal foi tempo do seu nascimento, mas como na vida, nem tudo foram flores, entre anjos, pastores, magos, animais e estrela houve como que um incêndio em Belém, houve uma matança de crianças por parte de Herodes de dois anos para baixo. Uso a figura do incêndio como uma metáfora. Porque houve uma combustão no coração de Herodes. Houve um foco de incêndio em seu coração. Num incêndio real e atual entre as causas habituais podemos destacar falhas ou avarias nas instalações elétricas, acidentes com velas, cigarros ou outras fontes de calor. Com Herodes o foco da combustão no seu coração foi o orgulho. Ele ordenou uma matança pela espada de crianças tentando atingir o Salvador porque viu o seu poder ser ameaçado.

Herodes é um tipo de satanás. Ele foi influenciado pelo espírito luciferiano. Ele como monarca desfrutou de uma impunidade quase absoluta. Um dos seus primeiros atos no governo foi assassinar quarenta e cinco membros do Sinédrio. Também matou seu sogro e cunhado. Forjou um julgamento para matar sua esposa Mariana, e depois matou três de seus filhos. César Augusto disse que era melhor ser porco de Herodes do que seu filho (porque ele não comia carne de porco). Herodes, um pouco  antes de  morrer, mandou matar as pessoas mais representativas do seu reino para que houvesse choro no dia de sua morte. Morreu aos setenta anos e ao invés de choro houve alegria por parte do povo no dia da sua morte. Jesus nasceu no fim da vida de Herodes, quando esse julgava seus rivais eliminados, e quando suas perturbações domésticas chegaram ao auge. Com o nascimento de Jesus o orgulho e inseguro Herodes perturbou-se e satanás usou a vaidade de Herodes como um foco de incêndio para tentar impedir o nascimento do Messias.

Nem sempre entendo a palavra orgulho como algo pernicioso. Creio que num sentido benigno a palavra pode significar um certo amor-próprio ou contentamento por alguma conquista. Não creio que eu erre ao dizer que tenho orgulho da minha filha por quem ela é. Entretanto, creio que o orgulho na maioria das vezes pode ser soberba, que desagrada a Deus e faz com que Ele resista tal pessoa. A Bíblia chama isto de soberba da vida, que foi uma das causas do primeiro pecado do homem, que quis conhecer o bem e o mal como Deus conhecia comendo do fruto proibido. C. S. Lewis tem uma frase interessante: “o orgulho é a galinha sob a qual todos os outros pecados são chocados”. No caso de Herodes sua soberba, seu amor ao poder, seu orgulho e vaidade foi um foco de incêndio numa ocasião majestosa que foi o nascimento de Cristo. No salmo 19 o salmista Davi pede no versículo 13: Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão. Davi chama de grande transgressão a soberba, que acaba se assenhorando da pessoa. Foi o lastimável caso de Herodes.

Tal espírito é tão distante da singeleza, e beleza do natal, do seu significado, mas como vimos no primeiro natal, tal espírito satânico se opôs frontalmente ao Espírito Santo que gerou no ventre de Maria, Jesus, O Filho de Deus, Emanuel, o Salvador. Mas, a soberba, o orgulho, a jactância, não venceram Jesus. Aliás na Bíblia vemos que Faraó, Manassés, Senaqueribe, Nabucodosor, Golias, a família Herodiana e tantos outros foram até onde Deus permitiu ir. Não prevaleceram contra Deus. Herodes, o Grande, mesmo tendo obsessão pelo trono não conseguiu vencer aquele que nasceu numa estrebaria e foi deitado numa manjedoura. Os soberbos deste mundo que esbravejam seus poderes para todo mundo ouvir como Hitler, Stalin e tantos outros se prostrarão diante daquele que tomou a forma de homem e nasceu em Belém. É o que está escrito em Filipenses capítulo 2: 5 – 11:

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Neste natal entenda a importância de você andar em humildade com o teu Deus. Procure ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus. No livro de Miquéias que profetiza sobre o nascimento de Cristo na pequenina Belém mostra o que Deus deseja de nós neste natal e sempre no capítulo 6:6-8:

Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?

Não é pirotecnia religiosa soberba que Deus quer. Ele quer que creiamos nEle e em Seu filho que Ele revelou.  Havendo fé genuína haverá coração contrito que Deus não rejeita. No natal não podemos ir na contramão do Deus que tomou a forma humana e nasceu numa estrebaria. Se queres andar com Deus só pode ser em fé e humildade.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

A ESCOLA DO SABER DE DEUS.

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Ser como Cristo, praticando a Bíblia, é o grande desafio. Viver uma vida íntegra, a partir das Escrituras Sagradas, só irá acontecer quando priorizarmos o estudo da Palavra de Deus. É fundamental a conscientização da real importância da Escola Bíblica Dominical para o crescimento espiritual de todos, sejam recém convertidos ou aqueles que cresceram dentro de uma igreja. É na EBD que se criam líderes e se prepara para a vida em comunidade. Mas o objetivo maior, que é entender a vontade de Deus e seus mandamentos, só será alcançado quando os professores compreenderem a necessidade espiritual de seus alunos.

Conhecer algum membro que só vai para igreja assistir a celebração é fácil, infelizmente. O resultado da ausência na EBD ou da falta de Escolas Bíblicas fortes, são cristãos despreparados que cometem erros sobre coisas simples e primordiais ensinadas por Deus de forma clara na Bíblia. É na EBD que toda a igreja tem a possibilidade de desenvolver seu conhecimento bíblico, ter voz ativa para discutir cada versículo bíblico, usar todas as ferramentas necessárias e disponíveis para o melhor aprendizado da Palavra e discutir as linhas de pensamentos e traduções. A EBD é tão importante dentro da comunidade cristã, quanto o louvor e a mensagem do pastor. É na EBD que qualquer pessoa tem a liberdade de interromper para perguntar o que não foi compreendido, ou apresentar uma segunda opinião. A EBD é o primeiro passo para o crescimento espiritual de todo um conjunto, nesse caso, a igreja.

O desafio de qualquer ser humano é deixar seus erros e seguir uma vida íntegra, viver uma constância diante de tudo o que lhe é ensinado. Mas é justamente por isso que a EBD não tem um fim, como a escola, a faculdade, a pós graduação. A Escola Bíblica é feita durante toda uma vida, porque a Palavra é viva e sempre traz uma nova visão pela fé. Isso também, porque qualquer servo do Senhor convive com a sua natureza humana e precisa saber como lidar com as crises durante a vida. Como o apóstolo Paulo descreveu: “Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero fazer é que eu faço. Mas, se faço o que não quero, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim é que faz” (Romanos 7.19-20).

Se você deseja ser sábio e ter uma vida íntegra, mas olha para a Escola Bíblica como mais um evento da igreja, entenda que ela é a escola do saber de Deus. Uma escola que está preocupada com quem você foi, com o que você é e com o que você será.

Discuta, participe, compartilhe os pensamentos de Deus através desta escola.

(Fonte: Convenção Batista Brasileira)