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PERSEVERANÇA: MARCA DO CRISTÃO

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A palavra perseverar, quer dizer, conservar-se firme e constante, ir até o fim; sem se deixar demover ou abalar. Um dos grandes segredos de uma vida vitoriosa é a perseverança. Ela é uma característica do nascido de novo que eventualmente até tropeça, mas volta a perseverar.

Bartimeu é um bom exemplo, pois foi desestimulado e repreendido a desistir de clamar a Cristo na estrada, mas ele perseverou no clamor. Como aconteceu com ele também somos desestimulados e sofremos pressão para que deixemos o caminho de Cristo, mas sendo a nossa fé verdadeira teremos a marca da perseverança. A história de Bartimeu nos mostra algumas áreas da nossa vida com Deus que devemos perseverar. Veremos neste pequeno texto algumas dessas áreas.

Uma das áreas que precisamos cultivar a perseverança é a oração. Bartimeu foi repreendido por muitos para que se calasse no seu clamor a Cristo. Por nossa vez, o mundo produz muitas vozes que nos desanimam e trazem ansiedades que podem prejudicar nossa vida de oração, mas perseveremos. Os discípulos de Jesus depois da ascensão de Cristo ficaram em Jerusalém conforme orientação de Jesus perseverando em oração esperando a promessa do Pai.  Depois da promessa cumprida, que foi O Espírito sendo derramado, a Igreja de Jerusalém, a primeira Igreja, mostrou a marca da perseverança na oração. Muitas bençãos nos esperam! Basta-nos perseverar em oração.

Ainda na história de Bartimeu percebemos que também precisamos perseverar na fé. Quando Bartimeu soube que Jesus o chamava ele se desfez da capa que fazia parte de sua indumentária de mendicância. Ele mostrou crer que Jesus o curaria e ele não precisaria mais usar a capa. A perseverança na fé está ligada a perseverança na oração, pois quando se continua orando mostra-se que a fé está em ação perseverante.

A carreira cristã é uma carreira de fé, que do início ao fim foca no autor e consumador da fé. O desejo de Deus é que sejamos como Paulo que chegou ao final da vida guardando a fé. A fé que tem o início em Jesus é consumada nEle também.

O animo é outra área que devemos perseverar. Bartimeu ouviu muitas palavras de desestímulo. Nós também somos bombardeados por más notícias. Depois de muitos desestímulos Bartimeu ouviu de alguém: tenha bom ânimo o Mestre te chama. Ele levantou com entusiasmo e foi até Jesus. É neste bom ânimo que devemos perseverar.

Há um louvor que afirma que na cruz não estava somente seus braços ou pernas de Jesus, mas Ele estava por inteiro. Deus quer que o sirvamos de todo coração. Ele quer a nossa vida por inteiro. No mundo passamos por aflições, mas não deixemos que isto faça servirmos ao Senhor em parte. Tenhamos bom ânimo. Vivamos prestando um culto a Deus racional onde apresentamos nossos corpos como sacrifícios vivos, santos e agradáveis a Deus.

Na história de Bartimeu percebemos que em outra área devemos perseverar que é a perseverança nas prioridades acertadas. Quando Jesus perguntou a Bartimeu o que ele queria que Jesus o fizesse ele não pediu riqueza ou vingança aos desafetos. Ele pediu que voltasse a ver. Ele priorizou a sua visão acertadamente. Em nossa vida precisamos ter as prioridades acertadas. Gasta-se muita energia com trivialidades e não se foca no essencial.

Muitos estão ansiosos quanto ao comer, beber e vestir esquecendo-se do Reino de Deus. Igrejas lotam suas agendas com eventos que não priorizam as prioridades que Jesus deixou. As prioridades foram reveladas por Jesus nos dois grandes mandamentos e na grande comissão de Mateus. Precisamos amar a Deus sobre todas as coisas, servir ao próximo, comungar com os irmãos na fé, discipular e evangelizar. Façamos uma revisão das coisas que priorizamos e foquemos nos propósitos que Jesus nos deixou.

A história de Bartimeu ainda nos ensina que depois dele ser curado ele passou a seguir Jesus pelo caminho. Quem segue a Jesus deve segui-lo com perseverança. Jesus nos alertou que ele é uma porta estreita e que a maioria das pessoas preferem a porta larga do mundo. Jesus ainda disse que aquele que o seguir tem que renunciar a si e tomar a sua cruz e segui-lo. Afinal, aquele que diz que está em Jesus deve andar como Ele andou. Escrito isto, fica claro que a virtude da perseverança é necessária para aqueles que seguem realmente a Cristo.

Jesus ao falar para a Igreja de Esmirna, que sofreria perseguição exortou-a pedindo fidelidade e prometeu como recompensa a coroa da vida. A perseverança é uma expressão de fidelidade. O Deus que nos chamou é poderoso para nos fortalecer e para cumprir o que nos prometeu. Persevere! Na caminhada deixe o pecado, não seja envolvido pelos embaraços e corra com perseverança a carreira que nos está proposta.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

JESUS: O TODO-PODEROSO.

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Jesus se apresenta a João em Apocalipse como O Todo-Poderoso. Título que é aplicado a Ele oito vezes neste livro, quase sempre associado com o louvor. O Sentido básico da expressão é que Jesus governa tudo e que Sua vontade se imporá sobre o mal em todas as suas expressões. O título claramente mostra a deidade de Cristo. Ele é o princípio e o fim.

João estava preso quando ouviu isto. Ele foi banido para a Ilha de Patmos por ordem do Imperador Domiciano. Foi muito importante para um prisioneiro por causa de Cristo ouvir que Jesus é Todo-Poderoso. Ao invés de deter o evangelho esta prisão cooperou para o crescimento do cristianismo, pois foi em Patmos que ele recebeu a revelação do Apocalipse.

Somos afligidos por muitos poderes na Terra, mas Cristo é Todo-Poderoso. Mesmo vivendo dias difíceis a nossa confiança precisa ser apoiada na Onipotência de Cristo, que governa sobre todos. Poderes terrenos e espirituais da maldade confrontam o poder de Jesus, mas O Senhor está assentado a direita de Deus e Seu trono está firme desde a eternidade.

O apóstolo João já tinha enfrentado a perseguição do Imperador Nero, que foi mais localizada em Roma e agora a perseguição vinha de Domiciano. Na história bíblica o povo de Deus já tinha enfrentado Impérios despóticos como o do Egito, Assírio e Babilônico. Mas, Deus sempre governou e tais impérios não conseguiram aniquilar o povo dEle. O profeta Isaías diz que o Rei da Assíria seria como uma navalha alugada que raparia em parte o povo de Deus. Nabucodonosor rei da Babilônia é chamado de meu servo por Deus segundo profecia de Jeremias quando o rei conquistou o Egito. Paulo falando das autoridades afirma que Deus é que constituí uma autoridade, e que ela é um ministro de Deus para executar seus planos na história. Quando enfrentarmos arbitrariedades por parte das autoridades lembremos que Deus está acima deles e que Ele põe e depõe conforme a Sua vontade.

Em nossa humanidade enfrentamos muitas situações que nos fazem questionar a Soberania de Deus em nossa vida como é o caso da enfermidade. Diante de um diagnóstico difícil sentimos a nossa fragilidade e perguntamos o porquê Jesus permitiu. Ele em seu ministério realizou milagres estupendos que testemunharam acerca da vida que Ele confere ao que crê.

Em certa ocasião Ele foi procurado por um homem importante chamado Jairo que estava com sua filha à beira da morte. Jesus mostrou interesse em agir e se dirigiu a casa de Jairo juntamente com ele. A caminhada até a casa de Jairo foi difícil, pois Jesus estava cercado por uma multidão, que fez Jesus andar a passos curtos. Durante a caminhada uma mulher hemorrágica toca com fé em Jesus e é curada. Ele ao invés de prosseguir sem interrupções ele se detêm e instiga a mulher a se manifestar para que ela fosse salva e suas emoções também fossem curadas. A mulher se manifestou e Jesus a despediu dizendo: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal.

Vemos que Jesus é o Senhor do tempo. Ele parecia demorar, mas tinha o poder sobre a situação. Jesus prosseguiu em direção a casa de Jairo, mas homens procuraram Jairo para falar que não adiantaria mais Jesus se dirigir para a casa dele porque a sua filha já havia morrido. Jesus ouve isto e diz a Jairo: não temas crê somente. Jesus mostra que precisamos sempre crer nEle mesmo que o impossível pareça ter se estabelecido. Jesus ao chegar em casa de Jairo ressuscita a filha dele.  Se a enfermidade acontecer na tua vida creia sempre na Onipotência de Cristo sobre o poder da enfermidade. Ele é O Senhor que cura.

Algo que nos confronta e grande poder é a língua. Como Tiago escreveu ela é um membro pequeno do corpo, mas como uma fagulha incendeia uma grande floresta assim a língua pode fazer grandes estragos. Vidas tem sofrido ataques devastadores por palavras mentirosas e acusadoras. Muitas vezes os servos de Deus são confrontados por ameaças e prognósticos funestos, mas O Senhor Jesus está acima de qualquer impropério. Pode você ser acusado falsamente ou tentar se recuperar e alguém proferir uma sentença contra você. Seja qual for a palavra proferida contra você a Palavra de Deus será a última palavra na tua vida.  Jesus afirmou que no dia do juízo prestaremos contas de toda a palavra ociosa proferida. O justo Juiz Jesus está acima de todas as palavras e pesa os espíritos.

Algo que enfrentamos também é o sofrimento. Jesus disse que no mundo teríamos aflições, mas nenhuma dificuldade ou luta nos separará do amor de Cristo. Uma união com Cristo foi estabelecida pela fé. Portanto, não será a tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada que fará Jesus deixar de nos amar. A tribulação em Cristo produz perseverança que produz experiência e a experiência, esperança, que não nos confunde. As provações sendo vivenciadas em Cristo produzem um peso de Glória. Não vivamos atentado as que nossos olhos veem, pois são temporais, mas atentemos para aquelas que não vemos, pois são eternas. O Todo-Poderoso está acima do nosso sofrimento.

Jesus já conquistou a vitória sobre o adversário, Satanás, que é tentador e acusador. Nós servos de Deus precisamos sempre lembrar que O Senhor se manifestou para desfazer a obra de Satanás. O inimigo costuma usar a estratégia de parecer maior do que é, mas ninguém é maior que O nosso Senhor. Foi na cruz que O Senhor despojou satanás e nós os que cremos em Jesus recebemos também a vitória pelo sacrifício vicário de Cristo. Ele quando falou acerca da Igreja disse que as portas do inferno não resistirão a ela. O inimigo tenta nos deter, mas nos triunfamos. Deus não nos deu um espírito de covardia. Portanto, avancemos e não temamos o inimigo que busca nos devorar, porque O Senhor é maior. O inimigo já foi derrotado e agora aguarda a sentença contra ele ser executada.

Dentre muitos confrontos que enfrentamos a morte é o último inimigo que enfrentamos e será destruída por Cristo. Servimos a Jesus que ressuscitou ao terceiro dia e nós o que cremos nele também ressuscitaremos no momento da sua volta. Não temos que viver com medo da morte. Jesus é a ressurreição e vida, quem crê nEle ainda que esteja morto, viverá. Paulo tinha tanta certeza da vida eterna ao lado de Deus que proferiu sobre a morte como um lucro, pois seu viver era Cristo e ao morrer estaria sempre com Ele. O crente em Jesus não sofre mais uma separação de Deus. Vive com Deus e ao morrer estará para sempre com Ele.

Talvez você esteja enfrentando uma situação maior do que suas forças. Entregue sua causa impossível ao Senhor que pode todas as coisas. Enfrentamos em nossa vida a carga que vem pela as oposições que trabalham no sentido de nos desanimar e nos desencorajar. Mas, a Palavra de Deus que vem até você é que Jesus é Soberano e seja qual for a sua situação Ele pode modificar. Como João foi contemplado pelo Senhor num momento de prisão Deus pode te animar com a Revelação de que Ele é Todo-Poderoso.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

VENDO A FACE DE DEUS NO IRMÃO.

jaco e esau

Jacó estava temeroso de se reencontrar com Esaú, seu irmão, depois de vinte anos, tanto que faz planos especiais para o reencontro com ele. Quando ele saiu de casa, anos atrás, seu irmão pretendia mata-lo porque ele seguiu o conselho de sua mãe Rebeca e recebeu a benção de seu pai que deveria ser dado a Esaú, mas através do engano Jacó tomou a benção do irmão. Esaú já havia numa ocasião antes trocado o direito da primogenitura com Jacó por um prato de lentilhas, mas tinha esperança de receber a benção da primazia pelo pai, mas Jacó foi astuto e enganou seu pai Isaque recebendo a benção de Esaú.

Numa tentativa de aplacar a possível ira do irmão, que vinha ao seu encontro juntamente com 400 homens, e se proteger, ele divide sua família e toda caravana que ia com ele em grupos, pensando que, se um grupo fosse atacado, o outro poderia escapar. Também separou muitos animais para dar de presentes a Esaú e enviou em grupos para ele.

Depois de atravessar sua família e seus bens pelo vau de Jaboque ele fica só e um homem da parte de Deus, que é o próprio Senhor, trava uma luta corporal com ele mudando sua vida e seu nome. Depois deste encontro, ele não foi chamado mais de Jacó, o suplantador, mas Israel, aquele que luta com Deus. Jacó chamou aquele lugar de Peniel, que quer dizer face a face com Deus. Ele disse: Eu vi Deus face a face, mas ainda fiquei vivo.

Muitos quando pensam no encontro de Jacó com O Senhor ressaltam apenas este momento divisor na vida dele onde viu Deus face a face. Mas, me inspirou o fato de que no reencontro com Esaú seu irmão lhe trata bem como um querido e Jacó exclama que ver o rosto de Esaú é como ver o rosto de Deus. Jacó sabia o que era ver Deus. Ele tinha tido a experiência. Ele não usou de lisonja quando falou isto com Esaú. Ele foi verdadeiro. Portanto, ele viu o agir de Deus naquela reconciliação com o irmão. A vida com Deus não tem apenas o sentido vertical, ou seja, com Ele, mas inclui o próximo, que é o aspecto horizontal da vida com Deus. O homem que havia visto Deus face a face estava dizendo que ver o rosto do seu irmão era como ver o rosto de Deus. Tal fato lembra o apóstolo João que afirmou: Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (1 João 4:20).

Quantos dizem servir a Deus, mas seus relacionamentos interpessoais estão dominados pela mágoa, rancor, vingança, amargura e outros sentimentos nocivos.  Muitos que já tiveram o encontro com Deus precisam reconciliar-se com o irmão e assim ver a face de Deus também no irmão. Jesus ao responder sobre o questionamento sobre qual seria o maior dos mandamentos resume toda a lei em dois mandamentos. Veja Mateus 22:34-40: E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. Ele ensinando aos discípulos disse que deixava um novo mandamento que esclarece que o amor ao próximo deveria ter como base o amor que Ele nos amou em João 13:34: Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Ele continuando a falar disse que se amassem seriam reconhecidos por causa do amor. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35).

Quando Jacó afirmou que ver a face de Esaú era como ver a face de Deus não estava se referindo ao caráter piedoso de Esaú, ou sua santificação, mas o que ele via era o significado daquele encontro depois de 20 anos onde os irmãos se abraçaram e tiveram um momento de reconciliação. Nós que fomos reconciliados com Deus por meio de Cristo temos também a mensagem da reconciliação por meio de Cristo (2 Co 5: 17 – 20). Portanto, não devemos ter os relacionamentos interpessoais em frangalhos, destroçados. Deus é visto em nós quando nos reconciliamos com aqueles que nos magoaram e nos ofenderam. O amor é a principal marca identificadora do crente. Jesus no sermão do monte ensina que se algum irmão tiver algo contra nós antes de entregar a oferta no altar deveríamos ir até para que houvesse reconciliação (Mateus 5:23-26). A reconciliação com Deus é a base para que busquemos o concerto com o irmão também.

A experiência de Jacó com o reencontro com Esaú também nos ensina que o relacionamento com Deus não é somente de grandes encontros, de grandes lutas, como foi em Peniel, mas também vemos Deus no reencontro com o próximo. Jesus falando sobre o juízo final disse que os seus escolhidos em vida deram de comer a Ele, deram de beber, o visitaram e vestiram-no. Falando mais, Jesus disse que os escolhidos perguntarão: quando fizemos estas coisas a Ti Jesus? E Jesus respondeu: “Eu afirmo a você que é verdade, quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram” (Mateus 25:31-46). Creio que você quer ver a face de Deus então ame a seu irmão, perdoe seu irmão e ajude ele em sua necessidade porque ao fazermos isto com os pequeninos estaremos fazendo ao próprio Cristo.

Creio que seja oportuno em falarmos sobre este assunto porque estamos acostumados a ouvir sempre sobre as experiências com Deus, que são imprescindíveis, inesquecíveis, mas esta experiência de Jacó abre o nosso entendimento de que se queremos uma vida abundante em todas as áreas o próximo precisa ser incluído. Não podemos ser daqueles que dizem: eu quero Deus e o próximo é que exploda, não é assim. Se amarmos o irmão, se nos reconciliarmos com os desafetos teremos a experiência de ver a face de Deus no irmão.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

ENXERGANDO, APESAR DO SOFRIMENTO.

maria e joão

Jesus estava sendo crucificado. Seu sofrimento e humilhação estavam no ápice. Mesmo estando nesta situação as frases que ele proferiu durante sua crucificação não foram palavras de amargura, auto piedade, de vingança e nem de desespero. Pelo contrário, foram frases que mostram e muito o sentido da sua crucificação. Ele proferiu sete frases na cruz, sendo a segunda para a sua mãe e seu discípulo amado que repito o que está escrito em Jo 19:26 e 27: Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe, E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.

“Ora Jesus, vendo ali sua mãe “. Quantas vezes na angústia deixamos de ver o outro, mas com Jesus não foi assim. Muitos deixam de ver a mãe, a esposa, o esposo, o filho, o amigo e outros.  Ele viu Maria, sua mãe e João, o discípulo a quem amava. Além de vê-los Jesus viu a necessidade de sua mãe, que necessitaria de apoio. Jesus havia mostrado este olhar diferenciado em seu ministério. Quando procurava um lugar para descansar um pouco, viu a multidão que o seguia parecendo como ovelhas sem pastor e ele não lhes deixou de dar o alimento espiritual ensinando-os. Percebeu nesta mesma multidão a fome também por alimento físico e por isto multiplicou cinco pães, dois peixes alimentando a multidão. O olhar de Jesus foi de compaixão pela multidão. Muitos enxergariam o assédio da multidão como sinal de “popularidade”, como “poder político” conquistado, mas Jesus viu na multidão a necessidade espiritual e material daquelas pessoas (Mc 6:30-44).

Voltando a segunda frase de Cristo na cruz constatamos que Ele não girava em torno de si mesmo. Somos essencialmente egoístas. Mas, quando sofremos somos muito mais egocentralizados. Jesus sempre andou no caminho contrário ao egoísmo e se preocupou com a dor alheia. Até neste momento de sua própria morte preocupou-se com que aconteceria com Maria, sua mãe terrena. A capacidade de ter empatia é admirável e quando se está sofrendo mostrar este sentimento é notável. Jesus falando no sermão do monte sobre um dos sentimentos mais perturbadores do ser humano que é a ansiedade e exemplifica o cuidado de Deus com os passarinhos e com os lírios do campo. Este olhar de Jesus para fora de si diante do sofrimento humano e do seu próprio sofrimento é digno de ser admirado e buscado. Sendo Deus, Jesus via mais do que ninguém, mas como homem, que também era, poderia ter rateado e ter caído na autocomiseração, mas o que ele fez foi cuidar de sua mãe.

O cuidado de Jesus com ela mostra a todas as famílias que não devemos descuidar dos nossos familiares. Na vida moderna onde poucos param para observar a dor do outro Jesus mostrou não esquecer daquela que o acompanhou até a cruz. Daquela que gerou por obra do Espírito Santo a Ele, Jesus homem. Paulo ao orientar sobre o cuidado das viúvas (1 Tm 5:3-6) ressaltou que se a viúva tivesse parentes deveria ser cuidada por eles porque não fazer isto é negar a fé e agir pior do que um incrédulo (1 Tm 5:8). Jesus nem em seu agudo sofrimento não esqueceu da sua mãe terrena. É um dever do cristão suprir as necessidades dos seus familiares especialmente dos mais próximos.

Aprendemos com Ele que mesmo sofrendo devemos estar abertos ao próximo, pois podemos ser usados por Deus durante o nosso sofrimento na vida de alguém. A atitude dele foi registrada e ecoou até aos nossos dias mostrando-nos que mesmo na luta não devemos nos encaramujar, ou nos recolhemos em nós mesmo como faz a tartaruga no seu casco, mas abrimos a possiblidade de ser benção na vida de alguém que também sofre como estamos sofrendo. Foi esta a atitude de Cristo em relação a Maria. A cana quando é esmagada dá um caldo doce porque é o que tem dentro dela. O servo de Deus deve amar mesmo quando sofre porque O Espírito Santo derramou em seu coração o amor de Deus  (Rm 5:5), que não é um amor externalizado somente pelas palavras, mas em ações concretas (1 João 3:18).

Observemos que a Igreja de Laodicéia não estava enxergando a si mesma, sua nudez espiritual e pobreza. Jesus recomendou-a que ungisse seus olhos com colírio. Algumas perguntas são pertinentes. Como você enxerga quando sofre? Você só vê a si mesmo? Você vê o seu próximo? Você vê somente a sua necessidade? E do próximo você enxerga? Você tem empatia com o outro quando sofre? Você ajuda o outro mesmo sofrendo? Peça a Deus para ungir sua visão para que vejas mesmo quando sofreres o outro. Jesus disse: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mt 6:22 e 23)

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

O PROPÓSITO DO SERVIÇO.

servir

Um dos propósitos da Igreja é o serviço que pode também ser chamado de ministério. No mundo a palavra serviço tem sentido desagradável, mas Cristo alertou “não será assim entre vós” (Mc 10:43). A Igreja foi chamada para servir como Jesus veio para servir (Mc 10:45). O mundo precisa ver nossas obras porque a fé em Cristo é visibilizada pelas obras. No sermão do Monte Jesus disse acerca dos seus seguidores: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16).

O crente foi salvo e criado para servir. Um exemplo prático desta verdade se dá com a sogra de Pedro que teve uma febre alta, mas foi curada por Jesus e passou a servir a todos (Mc 1:30 e 31). Paulo aos Efésios diz que: “(…) somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10). A nova criatura que somos em Cristo Jesus recebe pela fé a habilidade de realizar obras que abençoarão vidas. Aos Romanos Paulo diz que: “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6:17 e 18). Quando Moisés pediu a Faraó para libertar o povo de Israel foi para que o povo servisse a Deus. A libertação que recebemos em Jesus é para que O sirvamos. Veja: Ex 7:16 – “(…) O Senhor Deus dos hebreus me tem enviado a ti, dizendo: Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto; porém eis que até agora não me tens ouvido” disse Moisés a Faraó.

Servir para o servo de Deus é uma ordem de Deus. Através das nossas obras as pessoas veem o testemunho do Poder do Evangelho em ação. Dentre as leis que Deus deu através de Moisés destaca-se o serviço: “E servireis ao Senhor vosso Deus” (Ex 23:25). Jesus ensinou os seus discípulos um estilo de liderança servidora cujo exemplo ele demonstrou de muitas formas inclusive lavando os pés dos seus discípulos (Jo 13: 4 e 5) e recomendando que eles seguissem Seu exemplo de serviço (Jo 13:14). Num mundo onde as pessoas gostam e buscam a primazia sobre os outros Jesus ensinou que no Reino dEle era diferente. Sendo Jesus, Senhor dos Senhores, digno de ser adorado e de ser servido, mostrou que seja qual for a posição que ocupemos sirvamos uns aos outros como que prestando um serviço a Deus (Cl 3:23). Afinal, a grandeza do Reino de Deus é servir (Lc 22:26).

Servir a Deus podemos fazê-lo com habilidades naturais e espirituais. Deus ao ordenar a construção do tabernáculo escolheu operários especializados como Bezalel e o encheu do Espírito Santo com inteligência, competência e habilidade para fazer projetos, e trabalhar em ouro, em prata, em cobre,  lapidar pedras e engastar madeiras. Pensamos muitas vezes que o serviço a Deus só envolve habilidades espirituais, elas estão incluídas, mas Bezalel é um exemplo de homem cheio do Espírito que realizou trabalhos artísticos (Ex 34:1-4). Os dons espirituais que Deus confere a Igreja (1 Co 12:11) são habilidades espirituais que devemos abundar para a edificação da Igreja (1 Co 14:12). Os dons não são para nos enfatuar, mas para servir. Os ministérios, serviços que prestamos é para o aperfeiçoamento dos santos para que todos cheguem ao conhecimento do Filho de Deus, sendo maduros e cheguem a estatura completa de Cristo (Ef 4: 11 – 13).

Algo importante é que sirvamos a Deus com alegria como recomenda o Salmo 100: “servi ao Senhor com alegria”. Algumas razões o salmista nos dá para assim fazermos assim: 1) Ele é Senhor de toda terra; 2) Nosso criador; 3) Nosso Pastor; 4) Bom e misericordioso; 5) Sua verdade é experimentada de geração a geração. O serviço do Senhor pode nos causar até tristeza, mas devemos nos ater em quem Deus é. Confiando que se chorarmos na semeadura voltaremos trazendo os molhos com alegria (Sl 126:6). A dimensão do privilégio de ser de Deus e fazer a Sua obra não pode ser esquecido por nós mesmo nos momentos difíceis. Sendo assim, realizaremos a obra do Senhor com alegria.

Neste propósito do serviço não podemos fazê-lo com o coração dividido. Amando a Deus sobre todas coisas o serviço que prestaremos não será meia-boca, pela metade. Falando aos Rubenitas, e os Gaditas e a meia tribo de Manassés, Josué repetiu as palavras de Moisés: “ameis ao Senhor vosso Deus, e andeis em todos os seus caminhos, e guardeis os seus mandamentos, e vos achegueis a Ele, e o sirvais com todo o vosso coração, e como toda a vossa alma” (Js 22:5). O povo de Israel ficou oscilando durante muito tempo a sua adoração e serviço a Deus. Josué já havia os desafiados: “escolhei hoje a quem sirvais, se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais” (Js 24:15). Mas, Josué falou de si e de sua família: “eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. O povo lhe respondeu: “nunca nos aconteça que deixemos ao Senhor para servirmos aos outros deuses” (Js 24:16). Sabemos que os israelitas em sua história durante muito tempo não permaneceram no propósito de coração inteiro. Como Igreja do Senhor precisamos sempre nos guardar para que não incorramos no mesmo erro servindo a Deus de coração dividido. Sirvamos ao Senhor de todo o coração.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

VIDA PALATÁVEL.

vida palatável

O primeiro cântico da Bíblia está em Êxodo 15 composto por Moisés. Foi fruto da estupenda vitória de Israel sobre o Exército de Faraó que sucumbiu no mar. Moisés cantou com o povo. Miriã, irmã de Moisés, responde-lhes cantando e tomando o tamboril juntamente com um coro de mulheres que saíram atrás dela com danças e repetiam o versículo 21 b como um refrão. Talvez, em vários intervalos durante o cântico. Foi um momento jubiloso.

Depois o povo fez uma caminhada de três dias no deserto e não achou água. Após aquela grande vitória houve um momento de debilidade. Eles ficaram sedentos. Não é uma regra, mas muitas vezes depois de vitórias estupendas sobrevêm sobre os servos de Deus períodos de crise. Aconteceu com Elias, que depois da vitória sobre os profetas de Baal, que deixou claro para o povo que o Deus de Israel era o único Deus, fugiu da rainha Jezabel que o perseguiu. Elias havia sido usado por Deus tanto que o fogo desceu do céu e consumiu o holocausto, mas perseguido por Jezabel teve receio, depressão e pediu a morte a Deus. O próprio Cristo depois de um momento do seu batismo em que Espírito Santo apareceu em forma de pomba, Deus Pai disse que Ele era seu Filho amado em que tinha prazer foi levado pelo mesmo Espírito ao deserto onde foi tentado pelo diabo. Os momentos de debilidades ocorrem em nós, muitas vezes, para dependermos de Deus, somos provados para amadurecermos e para que as vitórias não nos elevem a ponto de ficarmos embriagados por um triunfalismo que leva a confiar em si mesmo e não em Deus. O apóstolo Paulo afirmou bem que: todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que são chamados por seu decreto. Portanto, quando depois das vitórias atravessares crises, confie em Deus!

Voltando a narrativa de Êxodo 15 depois dos israelitas não acharem água chegaram a um lugar chamado Mara, mas não puderam beber as águas de lá porque eram amargas. Então o povo murmurou. Na crise vamos murmurar? Ou confiar? Eles tiveram uma frustração. As águas que encontraram eram amargas e não era potável. Os especialistas dizem que as maiores frustrações para o homem acontecem em torno da não realização dos seus objetivos, planejamentos e sonhos. Para as mulheres as maiores frustrações estão relacionadas aos relacionamentos não resolvidos onde as expectativas delas não são realizadas. Diante da frustração vamos murmurar? Ou confiar? A falta de reflexão sobre o modo que Deus atuou em nosso passado, atua no presente e atuará no futuro geram as murmurações. Eles tinham saído de uma grande vitória, mas agora estavam murmurando diante da crise e da frustração. Moisés teve uma atitude diferente. Ele clamou ao Senhor. A oração é o caminho de enfrentamento das crises e frustrações. Paulo aos Filipenses orientou: Não estejais inquietos por coisa alguma (do tipo por crises ou frustrações), antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ações de graças (o negrito é do autor) (Fp 4:6). Foi através da oração que Moisés teve a orientação para resolver o problema das águas amargas.

O Senhor mostrou a Moisés uma árvore e orientou-lhe lançar sobre as águas. As árvores são de madeira e madeira lembra o madeiro da cruz. Esta árvore representa a cruz de Cristo onde Ele levou toda a maldição da lei. Crer no sacrifício de Jesus nos traz a vida de Deus que é palatável e abundante diferentemente da vida que o mundo oferece que promete muito, mas na verdade seu fim sem Cristo é amargo. Paulo foi um homem antes de Cristo muito zeloso com relação ao judaísmo, mas ao crer em Jesus e no seu sacrifício escreveu aos Gálatas afirmando: Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim (Gálatas 2:20).. Para ele, e para os que creem, crer em Jesus é identificar-se com o sacrifício de Jesus na cruz. Ao escrever aos Coríntios Paulo afirmou que a mensagem da cruz era a mais importante de todas: E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado (1 Coríntios 2:1e 2). Ao cremos na mensagem da cruz seremos curados da amargura da condenação como aquelas águas de Mara foram curadas e se tornaram potáveis.

Deus neste lugar provou Seu povo, deu seus estatutos e exortou-os a obedecerem a seus mandamentos alertando que se obedecessem não seriam atingidos por nenhum das enfermidades que os egípcios sofreram. Mostrando-nos que o caminho da obediência é um caminho saudável. As ordens de Deus são expressões do Seu caráter. Seus mandamentos são puros e bons. A Sua vontade é boa, perfeita e agradável. Portanto obedecer a vontade de Deus é bom. Vivemos na Nova aliança temos O Espírito Santo habitando em nós, andamos em Espírito não atendendo as concupiscências da carne, colocamos a fé em ação e praticamos o amor obedecendo a Deus.  A vida abundante de Cristo que temos é guiada pelo Supremo Pastor Jesus que nos dirige em todos os momentos o que inclui os momentos de retumbantes vitórias e os momentos de crises e frustações.

Depois de atravessarem a crise das águas amargas e provarem as águas saradas o povo caminhou até Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras e ali acamparam. Percebemos assim a lição de que a tribulação, a provação dura um só momento. Não temos que eternizar os momentos de dificuldades. Como a Palavra promete: “…tenho por certo que as aflições do presente não são para comparar com a Glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). O que é eterno na vida do crente é a vida que Ele recebeu de Deus e não as frustações e dificuldades. Com Jesus o amargor não prevalece, pois, uma dia cremos na loucura da mensagem da cruz, que para os que creem é salvação e para os que não creem perdição. A vida sem fé em Jesus a amargura prevalece. Já com Cristo a vida é palatável.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

CORRENDO BEM A CARREIRA CRISTÃ.

corrida do cristao

A vida cristã por vezes é comparada a uma corrida. Usando esta comparação Paulo pergunta aos Gálatas: vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade? (Gl 5:7) Ele fez esta pergunta porque havia um pequeno grupo de judaizantes que estava persuadindo aos gálatas a praticar a cerimônia da circuncisão que na verdade deveria ser somente para os judeus, pois para os gentios que tinham aceitado o evangelho da Graça de Deus seria retroceder ao legalismo judaico, pois a circuncisão era um sinal visível da aliança que Deus tinha feito com os judeus e não com os gentios. Para os gentios seria colocar-se debaixo da servidão da lei a qual ninguém consegue cumprir cabalmente, pois todos são pecadores. Paulo asseverou, portanto: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter debaixo do jugo da servidão” (Gl 5:1).

É preciso empenho e abstenção de tudo que possa embaraçar a corrida da carreira cristã. O inimigo tenta atrapalhar, o mundo é antagônico, a carne deseja o pecado, empecilhos aparecem, variados obstáculos surgem, que podem comprometer a nossa caminhada, mas devemos seguir a carreira de forma resoluta. Quem começou a corrida tem que ter como objetivo chegar ao final, mas até lá muitas águas correm debaixo da ponte e obstáculos precisam ser vencidos.

Pretendo discorrer algumas observações sobre esta carreira que todo o crente participa que começou no início da fé findando na consumação dela.

Como atletas de Cristo é necessário empenho, abstenção e disciplina na carreira cristã que não são atitudes isoladas, mas na força e na companhia do Espírito Santo dispensadas por Jesus, o autor e consumador da fé. São os valores e bens eternos que motivam a carreira. O atleta visa uma coroa corruptível, mas o servo do Senhor a incorruptível. O crente em Jesus tem propósito. Não é alguém que não sabe para onde está indo e para alcançar seu objetivo apresenta seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus prestando um culto racional ao Senhor e sendo aprovado durante a carreira. O servo do Senhor não participa da carreira como se fosse um treino, mas encara como de fato é, a carreira cristã viva e real (1 Co 9:24 – 27; Rm 12: 1 e 2 e Jo 14: 16 – 18).

Nesta carreira muitos já correram e concluíram. Os que estão percorrendo o fazem como que rodeados de uma grande nuvem de testemunhas que lhes antecederam. Devem evitar os embaraços que podem ser até coisas lícitas, mas que atrapalham o bom desenvolvimento da corrida quando em demasia. Os soldados alistados pelo Senhor não devem se embaraçar com a vida civil, mas cumprir a vocação de combatentes agradando ao Senhor que alistou. O pecado que nos rodeia é outro que maleficamente atrapalha a carreira e por isto deve ser também evitado. Alguns tropeçam e caem por causa dele trazendo sobre si prejuízos e sofrimentos. Quem corre pelo Senhor deve sempre olhar para o exemplo de Cristo que tudo suportou e superou para cumprir a carreira proposta pelo Seu Pai (Hb 12:1-4; 2 Tm 2:4 e 5). Assim devemos fazê-lo olhando para Jesus.

Uma vez iniciado a carreira cristã o servo de Deus tem como objetivo terminá-la, ou seja, chegar ao final. Deus não deixa a Sua Boa obra em nós pela metade. O que Ele começa, conclui. É nosso dever ter certeza que estamos lutando o bom combate do Senhor e combatê-lo até o fim guardando a fé que surgiu da audição da Palavra de Deus e permanece conosco (II Tm 4:7 e 8).

A igreja da Galácia havia começado a carreira, mas recebeu influências que minaram a caminhada de fé fazendo com que deixassem de correr bem. Da nossa parte o foco deve ser o mesmo do início – Jesus, perseverando, nos abstendo como atletas disciplinados, deixando os embaraços, o pecado que atrapalha e concluir a boa corrida cristã.

Paulo alcançou em sua própria vida aquilo que recomendou aos gálatas. Ele combateu o bom combate, acabou a carreira e guardou a fé. A nossa vida seja inspiradora também, pois muitos enfrentam dificuldades na carreira cristã e eles precisam ver em nós exemplos de boas caminhadas e bons combates, que não ficam paralisados no meio do caminho ou embaraçam-se chegando a conclusão da carreira como servo bom e fiel.

(O autor do artigo é o Pr Eber Jamil, dono do blog).

AH, SE NÃO FOSSE O SENHOR!

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Se hoje tivéssemos a oportunidade de contemplar a vida de Davi esse herói bíblico, músico, estadista, profeta, poeta e guerreiro acharíamos que era um herói sem temores. Os feitos de Davi estão em nossas mentes. Grande guerreiro. A vitória sobre Golias é sempre recordada.  Em sua época as mulheres cantavam e dançavam a seguinte música: Saul feriu os milhares, porém Davi dez milhares. Mas como Eugene Peterson escreveu que se quiséssemos conhecer a história de Davi deveríamos ler primeiro e segundo livro de Samuel, mas se quiséssemos conhecer o coração de Davi deveríamos ler os salmos. Nos salmos vemos as angústias e alegrias de Davi.

No Salmo 124 especificamente vemos Davi mostrar seus temores e reconhecer que: “Ah, se não fosse o Senhor” teria sido destruído. Diante das vitórias da vida não devemos nos ufanar, e envaidecer, mas sempre reconhecer que se não fosse o Senhor não teríamos alcançado como fez Davi. Humildade sempre.

A maneira como Davi descreve seus inimigos mostram seus temores o que nos escaparia se não fosse ele mesmo abrir o seu interior através da composição de salmos como este. Ele evoca o testemunho do povo de Israel porque toda história do povo de Israel é marcada por estes confrontos e como parte importante do povo Davi também enfrentou estes adversários. Os temores e os medos se manifestam dentro de Davi e na coletividade do Povo de Deus de formas diferentes dependendo da própria subjetividade individual de Davi e coletiva do povo em suas percepções.

No versículo 3 ele retrata seus adversários e do povo de Deus como um mostro voraz, que seria capaz de engoli-los vivos. Nos versículos 4 e 5 seus inimigos e do povo são descritos como um dilúvio que quase cobriram todo o povo de Israel afogando-os. No versículo 6 o adversário é como uma fera correndo atrás da presa com seus dentes afiados. No versículo 7 o adversário é como um caçador que lança armadilhas como uma cova e aqui especificamente como um laço do passarinheiro que chegou a pegar o povo como se pega um pássaro, mas o laço quebrou-se.

Davi descreve seus receios e do povo de Deus, mas o medo não o dominou. Ele confiava no Senhor. Ele teve uma visão de Deus durante os confrontos e perseguições. Houve temores, mas ele não foi enlaçado pelo medo. O sábio disse: O receio do homem armará laços, mas o que confia no Senhor será posto em alto retiro (Provérbios 29:25).  Quem está em alto retiro tem visão privilegiada e segurança.

Mesmo sendo um hábil guerreiro ele não atribui suas vitórias e do povo de Deus as suas habilidades e perícia. A humildade de Davi, sua visão correta de Deus, da sua história e do povo Deus são vistas neste salmo. Ele reconhece os benefícios dados por Deus e escreve: Ah, se não fora o Senhor! Não foi sem dúvida um recurso linguístico ou melódico foi de fato a percepção do agir de Deus nas adversidades. O sábio escreveu: Reconhece O Senhor em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas. Davi também reconhece que o tempo todo Deus esteve ao lado deles. As vitórias e os livramentos foram alcançados porque Deus esta ao lado e decidiu livrar o povo de ser engolido (v.3), do dilúvio (v.5), dos dentes da fera (v.6) e quebrou o laço que os havia prendido (v.6). Davi termina afirmando que o socorro está no Nome do Senhor, que tem haver com quem Deus é, e sua supremacia sobre qualquer força do universo e da terra. O nome do Senhor é tão poderoso que é utilizado por pessoas que não o conhecem e o poder se manifesta, mas Davi fala constantemente como uma pessoa, como um povo que conhece a Deus. se relaciona com Ele e já discerniu seu agir na história. Ele diz que O Senhor é o nosso socorro, sempre esteve ao nosso lado, interviu, nos livrou e que Ele seja bendito. Portanto, Davi compôs o salmo mostrando um relacionamento próximo e de submissão a Deus.

Possamos olhar para nossa vida com gratidão e dizer: Ah, se não fosse o Senhor! Com certeza não chegaríamos até aqui e a certeza da nossa eterna morada no céu não seria uma forte convicção para nós.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

PRESOS, PORÉM, LIVRES!

paulo e silas

Quando pensamos em prisões pensamos normalmente nas prisões tradicionais onde os criminosos estão detidos por causa dos seus crimes que foram julgados pela justiça, mas há outros tipos de prisões que podem deter e impedir pessoas de se movimentarem livremente e desembaraçadamente. O prisioneiro, escrevamos assim, é o indivíduo que está privado da sua liberdade de forma variadas.

A história acontecida com Paulo e Silas em Filipos mostram tipos de prisões diferentes e não somente aquela em que eles foram lançados injustamente. Há muitos tipos de prisões como as espirituais, a ganância, medo e há aqueles que estando presos são verdadeiramente livres.

A prisão espiritual é retratada nessa história em Filipos. Durante o seu trabalho de evangelização Paulo foi importunado por uma menina que era escrava e possessa por um espírito de adivinhação. Era uma pessoa explorada pelos seus senhores e possuída por espíritos demoníacos. Portanto, vivia numa prisão espiritual. A adivinhação dela não era um truque, ou uma superstição, mas eram espíritos do mal que faziam ela adivinhar. Especificamente o espírito que possuía era conhecido na religião grega como píton, que era uma cobra imensa, por isto ela era chamada de pitonisa. Como esta menina há muitas pessoas em prisões espirituais que pode até parecer trazer alguma vantagem, mas o inimigo dá para prender e impedir a pessoa de conhecer a Deus. O inimigo dá para depois aniquilar totalmente a pessoa. Na Bíblia vemos muitos exemplos destes tipos de prisão espiritual por possessão demoníaca. Essa menina foi liberta pelo poder de Deus e perdeu a capacidade demoníaca de adivinhar.

Nessa história vemos outro tipo de prisão que é a ganância, a ânsia exagerada pelo ganho. A menina pitonisa era escrava de determinados senhores que lucravam com sua adivinhação. Quando ela foi livre do espírito de adivinhação parou de dar lucro para seus senhores que se sentiram atingidos profundamente pela perda. Eles eram prisioneiros da ganância tanto que não se alegraram com a libertação espiritual da moça, pelo contrário sentiram se prejudicados com tal libertação. Para eles a moça era uma mercadoria. O objetivo deles era lucrar. Quando viram perder o lucro prenderam Paulo e Silas, e os levaram à praça, à presença dos magistrados que juntamente com a multidão acoitou-lhes depois de rasgar suas vestes. Não houve um cuidado na hora de apurar com justiça o que Paulo e Silas fizeram. A ânsia de puni-los pela perda do lucro foi tão grande que negligenciaram a cidadania romana deles e os açoitaram sem um julgamento. Paulo em outra ocasião ao escrever a Timóteo afirmou que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Esses senhores envolvidos pela ganância cometeram injustiças e arbitrariedades.

Ainda vendo alguns tipos de prisões vemos aqui que havia outros prisioneiros na prisão em que Paulo e Silvas foram lançados, que estavam ali trancafiados pela justiça dos homens por causa dos crimes cometidos. Esses eram pessoas que normalmente classificamos como prisioneiros. Hoje em nosso País temos uma população carcerária maior do que as nossas prisões comportam e os prisioneiros estão em condição sub-humana sujeitos há vários tipos de males. O indivíduo que paga pelo seu crime encara os efeitos dos seus atos cometidos e muitos desses não se reabilitam voltando depois para a sociedade piores do que entraram com algumas exceções, é claro. Podemos dizer que estes tipos de prisioneiros são aqueles tipicamente que vemos como tais. Homens e mulheres continuam sendo presos por cometerem crimes que agridem a sociedade e a Deus.

Neste acontecimento há também o prisioneiro pelo medo, que foi o carcereiro, que era responsável por manter os prisioneiros trancafiados e acorrentados. Apesar de parecer que ele tinha liberdade ele estava agrilhoado pelo medo. Como carcereiro ele era responsável pela manutenção dos prisioneiros em seus cárceres podendo pagar com a vida se algum deles fugissem. Percebemos pela história que ele vivia em tensão sabendo dos riscos que ele corria e temia sobremaneira a fuga de algum prisioneiro. Ele temia a punição de seus superiores que seria possivelmente a morte. Quando ele notou que depois do terremoto acontecido na prisão porque Paulo e Silas cantavam e os prisioneiros tiveram seus grilhões quebrados, cadeias abertas e eles poderiam fugir, ele tentou o suicídio. Mas, foi interpelado por Paulo e Silas que impediram a ele cometer o mal contra si mesmo. Paulo gritou: não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos. O carcereiro cônscio de que estava acontecendo pediu ajuda a Paulo e Silas dizendo: Senhor, que é necessário que eu faça para me salvar? Paulo respondeu: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa. O carcereiro creu e foi liberto da prisão do medo pois levou Paulo e Silas para sua casa, lavou as feridas deles, foi batizado, pôs a mesa para eles e alegrou-se com todos da sua casa que creram em Jesus e foram batizados.

Enquanto, Paulo e Silas em parte do acontecimento estiveram presos de fato e em verdade nunca deixaram de ser livres. Mesmo açoitados e com os pés no tronco que era um instrumento de tortura, construído de tal modo que forçava as pernas ficarem bem separadas uma da outra e causando assim grandes sofrimentos estavam espiritualmente livres. Em Cristo, podemos passar situações imobilizantes, porém, seremos verdadeiramente livres. Podemos ser limitados na saúde, nas finanças, socialmente, nos relacionamentos, mas em Cristo seremos livres.  Como Paulo dizia, preso pela justiça, por pregar o evangelho, se dizia livre e prisioneiro de Cristo. Quem está ligado a Jesus está verdadeiramente livre. É servo de Cristo, mas é uma servidão voluntária onde há verdadeira liberdade. Paulo e Silas presos injustamente cantaram a meia noite. Mesmo nesta condição e feridos impediram o carcereiro de cometer o suicídio. Aceitaram ir em sua casa, e tiverem suas feridas lavadas por ele sem ressentimentos, pregaram o evangelho para todos da casa e ainda batizaram o carcereiro e os familiares porque apesar de tudo sempre foram livres em Cristo Jesus mesmo que passando por uma situação limitante certa vez falou: Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres (João 8:36). Paulo e Silas foram presos, porém, eram verdadeiramente livres.

Talvez você que está em Cristo possa estar passando por uma situação limitante, mas é verdadeiramente livre.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

A FELICIDADE DOS PACIFICADORES.

pacificadores

É tão chamativo o fato de Jesus ter dito que os pacificadores seriam chamados filhos de Deus. Mostrando que a paz é algo tão intrínseco a Deus e que seus filhos carregariam esta marca mesmo o homem sendo suscetível a violência até entre seus familiares como foi o caso do primeiro homicídio entre os dois irmãos Caim e Abel.
A pessoa se torna filho de Deus por adoção quando recebe a Jesus e nasce de novo (Jo 1;12). Deixa de contender contra Deus (Os 4:1) e passa ter paz com Deus (Rm 5:1). Portanto, o pacificador é aquele que é nascido de novo e deseja paz estando disposto a fazer tudo quanto for verdadeiro para que esta paz esteja presente em todos os níveis. Digo isto, porque muitos pensam que pela paz se pode fazer qualquer “coisa”, mas não deve ser assim. O pacificador procura a paz e segue-a (Sl 34:14 e Rm 14:19). Seguindo-a ele não tem a vida contaminada pela amargura (Hb 12:14 e 15).
A personagem Jack Bauer da série 24 horas retrata bem o pensamento de muitos. Ele fez muitas coisas de forma arbitrária para manter a paz e usou de métodos controvertidos e até torturas. O pacificador não vê a paz como apenas uma finalidade, mas como o modo de conduzir a própria vida. Portanto, não usará de meios arbitrários.
Por mais que tentemos fazer a paz com determinadas pessoas, elas se recusam a viver em paz conosco, porque somos de Cristo, e nosso estilo de vida cristão revela a inimizade já existente contra Deus, A nossa parte é seguir a recomendação: “se for possível, quando estiverdes em vós, tendes paz com todos os homens”. Como filhos de Deus desejaremos a paz indo contra o fluxo de ódio, rancoroso deste mundo. Teremos a disposição para pedir perdão e perdoar. Buscando a reconciliação para que possamos cultuar a Deus sem empecilhos (Mt 5:23 e 24).
Não devemos nos assombrar, e nem nos maravilhar, quando tais coisas acontecem, porque primeiro aconteceu com Cristo. Como Jesus alertou aos seus discípulos primeiro odiaram a Ele. Somos seguidores de Cristo e como tais, receberemos retaliações e perseguições. Quando isto acontecer pela causa de Cristo devemos: “exultar e nos alegrar porque grande é o nosso galardão no céu”. Estamos tão identificados com Cristo e Sua causa que a animosidade a Ele vira antagonismo a nós.
Diante das situações de oposição o pacificador também tem que lidar com a forma de reagir aos enfrentamentos oposicionistas. Portanto, é importante saber reagir positivamente ao mal combatendo-o com o bem (Rm 12:18-21). Não podemos nos esconder em desculpas e reagirmos de forma destrambelhada ao ódio deste mundo. Quando se combate o mal com o mal se está sendo derrotado. O pacificador é aquele que responde a palavra dura com brandura (Pv 15:1), tardio no falar e pronto a ouvir (Tg 1:19). Como Paulo escreveu aos Coríntios: “as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruir fortalezas” (II Co 10:4). Portanto, como pacificadores nos utilizaremos destas armas disponíveis em Cristo que habita em nós pela pessoa do Espírito Santo.
Concluindo, podemos afirmar que o pacificador levará a mensagem do evangelho, que são as boas-novas da Paz com Deus, que é refletida em paz nos relacionamentos. Como parte da armadura cristã estão os pés do crente calçados dos na preparação do evangelho da paz (Ef 6:15). Jesus na cruz desfez a inimizade que havia entre gentios e o povo de Deus mostrando que o caráter do cristianismo é a pacificação. Como Paulo falou a respeito de Cristo: E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto (Ef 2:17). Unindo aqueles povos que eram antagônicos em um único povo, que é a família de Deus, a saber os que creem em Jesus. A mensagem que o crente proclama é da reconciliação, mas somos mais do que arautos, somos embaixadores da reconciliação. “Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus” (2 Co 5:20).
Felizes são vocês os pacificadores!

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).