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AS OBRAS E O PRIMEIRO AMOR.

primeiro amor

A cidade de Éfeso era o centro comercial principal da Ásia. O nome quer dizer “desejado”. Na cidade havia o culto a deusa Diana, cujo templo era naquele tempo considerado uma das sete maravilhas do mundo. Ocorriam orgias no templo, sendo as sacerdotisas verdadeiras prostitutas.

A Igreja em Éfeso, apesar do contexto da cidade, era uma igreja operosa, paciente, que colocava seus obreiros à prova e reprovava os heréticos. Eles eram criteriosos e não se associaram aos maus e aos falsos apóstolos. Trabalhadores incansáveis aborreceram a obra dos Nicolaítas que tentavam seduzir os cristãos a participar das festas pagãs. Por lá passou pastores como Paulo, Timóteo e João.

Entretanto, Jesus disse que eles abandonaram o primeiro amor. A palavra abandonar no grego quer dizer: partir; ir-se embora. Essa mesma palavra era usada para repúdio e divórcio. O que indica uma ação consciente, não acidental. Faltava o anseio em agradar a Deus com devoção. Eles eram operosos, mas tinham o coração divorciado. Deus não estava mais em primeiro lugar e Ele não observa somente as nossas obras, mas também a nossa motivação. Qual tem sido sua motivação no serviço do Rei Jesus?

O apóstolo Paulo tratando da Igreja como corpo de Cristo onde os dons espirituais se manifestam escreve sobre a essencialidade do amor de Deus na prática cristã. Não adianta somente haver trabalho e carisma é necessário o amor. Paulo cita uma série de habilidades e ações que seriam como um barulho de sino vazio que retine. Não adiante saber falar as línguas dos homens e de anjos. Não adiantaria o dom da profecia e o conhecimento de todos os mistérios de Deus. Não adiantaria ter uma fé que transportasse montes. Não adiantaria distribuir todos os bens para os pobres e nem se entregar em sacrifício. Sem amor nenhuma atitude destas valeria.

Deus sabe se não amamos a Ele como antes, se Ele não está em primeiro lugar. Trabalhe, mas não deixe de amá-lo. Não adianta ortodoxia com o coração frio. Não adianta ativismo sem amor. É preciso o viço do amor. É necessário a cola que une todas as virtudes – o amor, que é o vínculo da perfeição.

Um fato ocorrido com Jesus ao ser recepcionado na casa de Marta e Maria ilustra tal princípio. Marta preocupou-se o tempo todo em servir a Jesus e por isto ficou distraída com muitas coisas. Já Maria assentou-se aos pés de Jesus para ouvir suas palavras. Marta ao perceber a postura da irmã instigou a Jesus a chamar a atenção dela por não a ajudar nas tarefas. Jesus disse a Marta que ela estava muito ansiosa acerca das tarefas e que apenas uma coisa seria necessária. Ele ressaltou que Maria tinha escolhido a melhor parte, que foi se colocar junto a seus pés para usufruir da sua companhia. Muitos servem como Marta, mas se esquecem da intimidade com Jesus e Sua Palavra de Maria e por isto são consumidos por suas agendas num ativismo sem devoção e adoração.

Jesus ao falar para a Igreja de Éfeso diz que seriam três atitudes para que o primeiro amor fosse restaurado. A primeira atitude é lembrar onde caiu. Fazer um autoexame e ponderar sobre onde começou a separação entre o fazer e a motivação, entre o amor e o trabalho. Não se pode tapar o sol com a peneira. É preciso reconhecer o início da queda. A segunda atitude seria o arrependimento, uma mudança de mente. O arrependimento envolve quatro passos. Primeiro, sentir a tristeza pelo pecado. Em Segundo, a confissão do pecado. Terceiro, o abandono do pecado. O quarto, são novos hábitos, que aponta para terceira atitude de restauração, que seria a prática das primeiras obras, voltar ao início, e agora trabalhar com amor.

A restauração do primeiro amor é um avivamento espiritual na vida espiritual. Ocorre o casamento entre a motivação correta (o amor a Deus) e as obras. A partir da restauração do primeiro amor as obras são feitas com o coração envolvido. Não há mais a separação. As partes se reencontram. O servo reencontrou o seu Senhor. E agora tudo que faz o faz de coração. Deus quer que você o sirva, mas que primeiro esteja com Ele, pois é o discipulado do Senhor que nos habilita para o Seu serviço.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

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QUEM É QUE ALCANÇA O PRAZER ESPIRITUAL? 

salmo 1

Creio que é para o crente em Jesus o prazer espiritual é uma descoberta. Fui criado no evangelho e aceitei Jesus aos sete anos de idade e me tornei afiado no manuseio da Bíblia. Mas confesso que só na maturidade entendi o que é ter prazer na lei do Senhor. Por isto afirmo que o prazer espiritual na meditação da Bíblia, na oração e jejum é uma descoberta que o crente faz. Muitas vezes os crentes praticam as disciplinas espirituais sem experimentarem a alegria do prazer espiritual. Praticam por obrigação, por costume, por causa das demandas ou por religiosidade. Tendo até experiências, mas sem o deslumbramento da prática. Sem descobrir as maravilhas da lei. Sem recreia-se na presença de Deus. Trataremos neste pequeno artigo baseando-nos no salmo capítulo um quem são as pessoas que encontram o prazer espiritual. 

A pessoa que encontra o prazer espiritual é aquela que não é influenciada pela impiedade dos homens. Segundo o salmista o bem-aventurado é aquele que não anda segundo o conselho dos ímpios. Sem dúvida, o frescor da vida espiritual não é compatível com uma vida influenciada pelo mau caminho. A intimidade com Deus é para aqueles que o temem. A Palavra de Deus tem tudo que o homem necessita para guiar a sua vida pelo caminho de Deus. Portanto, o homem que tem o prazer nela não aceitará a impiedade e os conselhos do mal. 

A pessoa que encontra o prazer espiritual é aquela que não peca de forma recorrente. Segundo o salmista o bem-aventurado é aquele que não se detêm no caminho dos pecadores. Acontece eventualmente de pecar, mas é algo ocasional. Ele não se detém, não se fixa na prática do pecado. Segundo o apóstolo João “sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca” (1 Jo 5:18). Portanto, quem tem o prazer espiritual é alguém que nasceu de novo, arrependeu-se dos seus pecados e tem segurança em Deus. 

Andando pelo salmo um percebemos que aquele que encontra prazer espiritual é aquele que não se alegra no escarnecimento. O escarnecedor é aquele que profana e zomba das coisas sagradas. Usa de linguagem chula para tratar o alvo do escárnio. Sem dúvida, se alguém senta na roda dos escarnecedores também não se sentará aos pés de Jesus para receber sua instrução. São incompatíveis tais posturas. Não se encontra na mesma fonte o amargo ou o doce. Quem tem prazer do Senhor bebe da fonte doce então não beberá também da fonte amarga. 

Pode até parecer que estou ensinando um estilo de vida espiritual ermitão. Ensinado que só aqueles que se isolam alcança o prazer pela Palavra. Mas, o salmo um fala que há uma congregação dos justos. Portanto, aquele que tem prazer espiritual na Palavra será uma pessoa que tem comunhão com os irmãos de fé. Será a pessoa que não abandona a congregação apesar de meditar na Palavra. Não é autêntica a vida com Deus se o próximo não estiver incluído. O salmista afirma que os maus não congregarão com os servos de Deus no céu. Os servos que congregam aqui também congregarão no ceú, mas os pecadores não arrependidos serão condenados.  

A vida de quem tem prazer na lei do Senhor não será descuidada. Ele sabe que Deus conhece o caminho dos justos e ele vive sobre esta perspectiva. O caminho dos ímpios é de condenação, mas o caminho dos justos é de temor, prosperidade e prazer espiritual. Eles sabem que a Palavra de Deus não é somente para o deleite espiritual, mas é a orientação de Deus para que eles possam caminhar no caminho que é Jesus e por isto ser aprovado por Deus. Quando o salmista fala que Deus conhece o caminho dos justos está como que dizendo que Deus aprova o caminho que eles seguem porque a Palavra de Deus é a bússola que o orienta no caminho que é Jesus. 

Portanto, chegamos à conclusão que o prazer espiritual que a pessoa sente na Palavra de Deus não é um emocionalíssimo barato e passageiro, mas é algo em consonância a vontade de Deus. As emoções desta pessoa estão submissas a vontade boa, perfeita e agradável de Deus. Por isto, devemos cultivar cada vez mais a nossa comunhão com Deus para que nossas vidas se deleitem em Suas Palavras e Vontade todos os dias e assim seremos bem-aventurados. Deus quer que tenhamos vida em abundância e ela necessariamente passa pelo prazer espiritual. A alma que descobriu o prazer da presença de Deus anseia por mais de Deus todos os dias. 

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

VENDO A FACE DE DEUS NO IRMÃO.

jaco e esau

Jacó estava temeroso de se reencontrar com Esaú, seu irmão, depois de vinte anos, tanto que faz planos especiais para o reencontro com ele. Quando ele saiu de casa, anos atrás, seu irmão pretendia mata-lo porque ele seguiu o conselho de sua mãe Rebeca e recebeu a benção de seu pai que deveria ser dado a Esaú, mas através do engano Jacó tomou a benção do irmão. Esaú já havia numa ocasião antes trocado o direito da primogenitura com Jacó por um prato de lentilhas, mas tinha esperança de receber a benção da primazia pelo pai, mas Jacó foi astuto e enganou seu pai Isaque recebendo a benção de Esaú.

Numa tentativa de aplacar a possível ira do irmão, que vinha ao seu encontro juntamente com 400 homens, e se proteger, ele divide sua família e toda caravana que ia com ele em grupos, pensando que, se um grupo fosse atacado, o outro poderia escapar. Também separou muitos animais para dar de presentes a Esaú e enviou em grupos para ele.

Depois de atravessar sua família e seus bens pelo vau de Jaboque ele fica só e um homem da parte de Deus, que é o próprio Senhor, trava uma luta corporal com ele mudando sua vida e seu nome. Depois deste encontro, ele não foi chamado mais de Jacó, o suplantador, mas Israel, aquele que luta com Deus. Jacó chamou aquele lugar de Peniel, que quer dizer face a face com Deus. Ele disse: Eu vi Deus face a face, mas ainda fiquei vivo.

Muitos quando pensam no encontro de Jacó com O Senhor ressaltam apenas este momento divisor na vida dele onde viu Deus face a face. Mas, me inspirou o fato de que no reencontro com Esaú seu irmão lhe trata bem como um querido e Jacó exclama que ver o rosto de Esaú é como ver o rosto de Deus. Jacó sabia o que era ver Deus. Ele tinha tido a experiência. Ele não usou de lisonja quando falou isto com Esaú. Ele foi verdadeiro. Portanto, ele viu o agir de Deus naquela reconciliação com o irmão. A vida com Deus não tem apenas o sentido vertical, ou seja, com Ele, mas inclui o próximo, que é o aspecto horizontal da vida com Deus. O homem que havia visto Deus face a face estava dizendo que ver o rosto do seu irmão era como ver o rosto de Deus. Tal fato lembra o apóstolo João que afirmou: Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (1 João 4:20).

Quantos dizem servir a Deus, mas seus relacionamentos interpessoais estão dominados pela mágoa, rancor, vingança, amargura e outros sentimentos nocivos.  Muitos que já tiveram o encontro com Deus precisam reconciliar-se com o irmão e assim ver a face de Deus também no irmão. Jesus ao responder sobre o questionamento sobre qual seria o maior dos mandamentos resume toda a lei em dois mandamentos. Veja Mateus 22:34-40: E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. Ele ensinando aos discípulos disse que deixava um novo mandamento que esclarece que o amor ao próximo deveria ter como base o amor que Ele nos amou em João 13:34: Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Ele continuando a falar disse que se amassem seriam reconhecidos por causa do amor. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35).

Quando Jacó afirmou que ver a face de Esaú era como ver a face de Deus não estava se referindo ao caráter piedoso de Esaú, ou sua santificação, mas o que ele via era o significado daquele encontro depois de 20 anos onde os irmãos se abraçaram e tiveram um momento de reconciliação. Nós que fomos reconciliados com Deus por meio de Cristo temos também a mensagem da reconciliação por meio de Cristo (2 Co 5: 17 – 20). Portanto, não devemos ter os relacionamentos interpessoais em frangalhos, destroçados. Deus é visto em nós quando nos reconciliamos com aqueles que nos magoaram e nos ofenderam. O amor é a principal marca identificadora do crente. Jesus no sermão do monte ensina que se algum irmão tiver algo contra nós antes de entregar a oferta no altar deveríamos ir até para que houvesse reconciliação (Mateus 5:23-26). A reconciliação com Deus é a base para que busquemos o concerto com o irmão também.

A experiência de Jacó com o reencontro com Esaú também nos ensina que o relacionamento com Deus não é somente de grandes encontros, de grandes lutas, como foi em Peniel, mas também vemos Deus no reencontro com o próximo. Jesus falando sobre o juízo final disse que os seus escolhidos em vida deram de comer a Ele, deram de beber, o visitaram e vestiram-no. Falando mais, Jesus disse que os escolhidos perguntarão: quando fizemos estas coisas a Ti Jesus? E Jesus respondeu: “Eu afirmo a você que é verdade, quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram” (Mateus 25:31-46). Creio que você quer ver a face de Deus então ame a seu irmão, perdoe seu irmão e ajude ele em sua necessidade porque ao fazermos isto com os pequeninos estaremos fazendo ao próprio Cristo.

Creio que seja oportuno em falarmos sobre este assunto porque estamos acostumados a ouvir sempre sobre as experiências com Deus, que são imprescindíveis, inesquecíveis, mas esta experiência de Jacó abre o nosso entendimento de que se queremos uma vida abundante em todas as áreas o próximo precisa ser incluído. Não podemos ser daqueles que dizem: eu quero Deus e o próximo é que exploda, não é assim. Se amarmos o irmão, se nos reconciliarmos com os desafetos teremos a experiência de ver a face de Deus no irmão.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

O SENHOR PRECISA DE VOCÊ.

entrada triunfal

Jesus estava se dirigindo a Jerusalém para celebração da Páscoa, quando se aproximava de Betfagé, enviou dois dos seus discípulos para trazer um jumentinho que estaria preso. Esse jumentinho não havia sido montado por ninguém. Cristo recomendou: “soltai-o, trazei-mo e se o dono perguntar por que vocês estão fazendo isto? Dizei-lhe que O SENHOR PRECISA DELE”. Ele queria entrar em Jerusalém montando naquele animal e para isto precisava dele. Esta frase é muito interessante, pois sendo Jesus, o Filho de Deus, dono de tudo, disse que precisava de algo. Tal fato foi o cumprimento da profecia de Zacarias 9:9. Onde está escrito que O Messias entraria em Jerusalém montando num jumentinho. Muitos estenderam suas vestes pelo caminho, e outros cortaram ramos das árvores para que Jesus passasse e clamaram em alta voz: “hosana, bendito o que vem em nome do Senhor”!

A primeira lição que destaco é que O senhor é dono de tudo. Ele pode dispor do que deseja. Ao encontrar um jumentinho amarrado os discípulos deveriam desamarrá-lo e trazê-lo para Cristo. Será que estamos disponíveis a Deus a ponto de atendermos aquilo que Ele deseja? Será que vivemos sobre está ótica que Jesus é dono de tudo e que na verdade somos administradores (1 Co 4:1 e 2) do que temos? O que se requer dos mordomos é a fidelidade, que inclui a disponibilidade para o uso de Jesus tudo o que nós temos. A resposta de Isaías ao chamado de Deus deve ser a nossa: Eis-me-aqui, envia-me a mim (Isaías 6:8). Se respondermos assim devemos estar dispostos a abrir mão do que O Senhor quiser em nossas vidas.

A segunda lição é que O Senhor dono de tudo precisou do jumentinho conforme Ele disse. Colocaram as vestes de Jesus sobre ele e Jesus assentou-se sobre o animal. Já vi em algumas situações líderes que queriam ensinar aos seus liderados a obediência usarem a expressão: ninguém é insubstituível, o que é uma verdade, mas devemos considerar algumas coisas sobre isto. A nossa posição pode ser ocupada por outro, mas ninguém será como nós. Somos ímpares. O fato de Jesus dizer precisar daquele jumentinho mostra o quanto O Senhor precisa de cada um de nós. Quem somos, somente nós seremos.

Quando pensamos nesta passagem pensamos somente no jumentinho, mas a jumenta mãe do jumentinho também foi trazida (Mt 21: 2 e 3). Jesus precisou dela também. Nela foi colocada parte das vestes de Jesus também. Em geral, a jumenta seguia de perto o filhote. Ela também foi necessária como são necessários aquele que apoiam e auxiliam os pregadores e professores da mensagem do Evangelho. Todos os membros do corpo de Cristo são úteis e todos precisam estar envolvidos com a missão da Igreja. A Igreja não é composta só daqueles que divulgam diretamente o Evangelho, mas também daqueles que apoiam, contribuem, oram, e assim como um corpo a Igreja cumpre o ide de Jesus.

Ele escolheu precisar de nós. Ele escolheu precisar dos seus servos aqui na terra para pregar o evangelho, e alcançar o mundo inteiro com a Sua Palavra. A missão que temos não foi dada aos anjos, ou aos animais, mas a nós como parte do corpo de Cristo.  Na maioria das vezes os chamados por Deus diante de tal sublime missão se acham indignos e incapazes, mas a escolha de Deus é baseada na Graça que também nos capacita. Moisés ao ser chamado apresentou cinco desculpas para não aceitar, mas diante da persistência Divina entendeu e aceitou o seu chamado (Ex 3 e 4). Gideão era de família pobre e se considerava o menor da família, mas foi usado por Deus para vencer os amalequitas (Jz 6:15). Isaías reconheceu que era um homem de lábios impuros, mas o Senhor o purificou e ele aceitou o chamado (Is 6:5). Jeremias alegou que não sabia falar e que era muito Jovem, mas O Senhor usou-o poderosamente (Jr 1:6). Como O Senhor precisou destes homens também precisa de você mesmo você se achando inadequado ao chamado. Ele capacita.

Outro aspecto que observamos neste trecho é que Deus faz escolhas humildes para que a Glória não seja dada aos homens, mas a Ele. Jesus não escolheu um corcel negro, ou um cavalo romano, mas um jumentinho, que era um símbolo de humildade (Zc 9:9). Paulo esclarece bem aos coríntios o critério diferenciado de Deus que deixa os homens boquiabertos. “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele” ( 1 Coríntios 1:27 -29).

Vemos que O Senhor é dono de tudo. Porém, Ele escolheu precisar de nós. A sua escolha foge dos padrões humanos. Ele escolheu os humildes e mesmo você se sentindo incapaz Ele pode te usar para entrar na vida de alguém, na vida de uma família, cidade ou nação.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

INTIMIDADE COM O SENHOR.

intimidade

“O segredo do Senhor é com aqueles que o temem; e ele lhes mostrará a sua aliança” (Salmos 25:14).

Para vivermos precisamos de sabedoria. Ela nos dá possibilidade de discernimos melhor e caminharmos acertadamente. É mais do que ter conhecimento. Mais do que ser culto. A sabedoria tem haver mais com a aplicabilidade daquilo que se conhece. Tem mais haver em ter soluções para os embates que demandam da vida. Moisés que foi um homem sábio compôs um salmo em que ele fala da eternidade de Deus e a brevidade da vida humana onde pede a Deus: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios” (Sl 90:12). Mostrando que para ele a sabedoria era necessária para se viver todas as fases da vida e que Deus é a fonte. A vida sendo preciosa é necessária uma valorização dela e a sabedoria é parte desta valorização porque quem a tem pondera os passos.

Salomão é tido como um dos homens mais sábios que existiram e de fato foi. Deus deu sabedoria a ele depois dele pedir. Porém, conforme foi envelhecendo Salomão deixou-se levar pela luxúria, ostentação o que levou a adorar outros deuses. A sabedoria dele foi empalidecida porque ele deixou de aplicá-la em sua vida. Diferentemente, Jesus teve como alimento a vontade de Deus e não cedeu as tentações sempre aplicando a Sua sabedoria nas questões que lhe aconteciam. Ele foi maior do que Salomão. O seu sermão do monte termina como que explicando a sabedoria de Deus quando compara o homem que ouve e pratica a Palavra de Deus com um construtor que constrói sua casa na rocha que depois sofre uma tempestade, mas se mantém de pé porque aplicou tudo o que aprendeu.  A sabedoria não é para acúmulo e soberba, mas para viver.

Salomão já idoso retorna ao bom senso. O livro de Eclesiastes mostra uma busca pessoal dele pelo sentido da vida. Ele faz um exame considerando as coisas debaixo do sol pela razão da existência e chega a conclusão que não é o prazer, o conhecimento, o trabalho e as riquezas que dão o sentido das coisas, mas sim desfrutar da vida temendo a Deus e lhe sendo sujeito porque um dia prestará contas a Deus de tudo. “ De tudo o que se tem ouvido, o fim é: teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo a toda a obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” escreveu Salomão em Eclesiastes 12: 13 e 14.

O temor a Deus é resultado do entendimento que Deus está em todos os lugares e por isto se tem uma vida de reverência e respeito aliada a adoração. O entendimento da Onisciência, Onipresença e Onipotência Divina na prática traz a consciência de que ninguém consegue esconder-se de Deus o que trará respeito e reverência para vida. Em Sl 139:7 está escrito: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face?” Os livros de sabedoria e poéticos da Bíblia ressaltam o temor como o princípio da sabedoria, pois a pessoa com o temor aparta-se do mal (Pv 1:7; Jó 28:28; Pv 8:13).

O nosso versículo escolhido ressalta que “O segredo do Senhor é com aqueles que o temem”, ou seja, “a intimidade do Senhor é com aqueles que o temem”. A devoção a Deus implica em respeitá-lo, honrá-lo com amor e fé. Havendo este temor a pessoa penetrará nas maravilhas de Deus tendo o entendimento do que é viver aliançado com Deus, pois o versículo acrescenta: “e ele lhes mostrará a sua aliança”. Para viver em aliança com Deus é preciso estar em acordo com Ele e discernir em vida as implicações do pacto (Am 3:3). A reverência, respeito e fé serão atitudes decorrentes e entendidas por aqueles que temem a Deus e tem uma aliança com Ele.

Percebemos pelo versículo a associação do temor a Deus com a adoração e a devoção a Deus. O temor não é ter medo. É respeitar e honrar, portanto está incluído o amor a Deus. O versículo  base deixa implícito que o amor também está presente porque Deus é amor e só terá intimidade com Ele quem o ama, quem o adora. Paulo ressalta que “o amor ´não folga com a injustiça. Mas, folga com a verdade” (1 Co 13:7). Quem ama procede bem, teme ao Senhor e anda na justiça. Quem ama a Deus o respeita o que é diferente do medo. João escreveu: “No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor”(1 João4:18).

O versículo também afirma que a pessoa que teme ao Senhor não viverá na superficialidade com Deus, mas desfrutará de Sua intimidade, portanto, do Seu conhecimento compreendendo Sua Palavra pelo Espírito Santo. Terá uma vida de oração contínua que se entenderá as suas obras como pessoa. Fazendo isto porque ama ao Senhor. Conhecerá mais a Deus e terá uma vida profunda com Ele. Jesus disse: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamados amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer” (Jo 15: 14 e 15). Mostrando que aqueles que creem, amam, temem a Deus também o obedecem e assim terão um relacionamento dinâmico, revelador e profundo com Deus.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

ANDAR EM JESUS.

andar com Jesus

ANDAR EM JESUS

Colossenses 2: 6 e 7

É possível que o Evangelho tenha chegado a Colossenses durante o ministério de Paulo em Éfeso (At 19:10), embora tenha cabido a Epafras o papel principal na evangelização desta igreja. Paulo não conhecia pessoalmente os cristãos de Colossos (2:1), mas Epafras relatou as condições desta igreja.

A Igreja de Colossos estava sendo atingida por heresias sincréticas, que misturava legalismo judaico, com filosofia grega como um pré-gnosticismo e misticismo oriental. Dentre seus pontos específicos pode-se citar a observância do sábado e de leis alimentares, circuncisão, a adoração a anjos e a pratica do asceticismo derivada da crença de que o corpo era intrinsicamente mau.

A epístola enfatiza a Divindade de Cristo e a união íntima, espiritual e vital entre o crente e Cristo. Veremos nestes dois versículos citados no início o significado de andar e viver em Cristo. A pessoa que recebeu Jesus precisa saber o significado. Quando cremos em Jesus o recebemos pela fé e assim devemos andar e viver nEle conforme Paulo escreve aos Colossenses.

COMO, POIS, RECEBESTES O SENHOR JESUS CRISTO

Nós recebemos ao Senhor Jesus pela fé quando ouvimos a Palavra de Cristo (Romanos 10:17). Ao crermos assentimos a mensagem que foi pregada (Rm 10:9) e a temos como verdadeira. A fé é a condição básica e indispensável para se andar em Jesus. Zaqueu é exemplo de alguém que recebeu Jesus pela fé (Lc 19:1-10). Jesus mostrou interesse de estar com ele em sua casa e Zaqueu recebeu a Jesus, creu nEle e tornou-se uma pessoa generosa e honesta. Zaqueu era uma pessoa desprezada pelas autoridades religiosas, mas Jesus revelou-se a ele e Zaqueu recebeu-o pela fé com o coração aberto, assim houve salvação em sua vida e em sua casa.

ASSIM, TAMBÉM ANDAI NELE

A vida cristã não consiste em apenas receber Jesus pela fé, mas segui-lo, pois, Ele é o caminho que leva a Deus (Jo 14:6). Precisamos viver a vida que Ele nos deu pela fé seguindo os passos de Jesus cultivando a comunhão com Deus através da leitura, meditação bíblica, orando e jejuando. O apóstolo João que registrou as palavras de Jesus afirmando ser Ele o caminho era do círculo íntimo de Cristo e chegou a reclinar a cabeça no peito dEle. João escreveu em sua epístola que aquele que diz estar em Cristo deve andar como Ele andou (1 Jo 2:6). Andar nEle é um imperativo para aqueles que creem e o passo que se segue ao recebimento dEle pela fé. Quem anda nEle tem Ele como direção.

ENRAIZADOS

Andar em Jesus não é andar ao léu. Segundo esta palavra de Paulo o crente tem raízes. Sua vida é aprofundada em Cristo.  Ele é nutrido pela seiva da videira verdadeira que é Jesus (Jo 15:1).  O justo “é como uma árvore plantada junto ao ribeiro de águas, a qual dá seu fruto no seu tempo e tudo quanto fizer prosperará” (Sl 1:3). Ele não se deixa envolver pelas inúmeras influências que recebe e afastam da sua caminhada porque a sua vida é enraizada em Cristo.

E EDIFICADOS NELE

Nesta parte do versículo, a ideia não é mais da árvore enraizada em Cristo, mas sim de um edifício, uma construção. Andar em Jesus é construí a vida sobre Ele. Não se pode ter outro fundamento além de Jesus. Todo o crescimento é uma edificação nEle. A edificação da vida cristã tem como fundamento a Palavra de Deus que inclui os escritos proféticos e apostólicos, mas Jesus é a pedra principal. O servo de Deus é como a casa edificada na rocha. Vem a chuva, os rios, os ventos, e combatem contra ela, mas ela permanece de pé porque está bem fundamentada (Mt 7:24 e 25)

E CONFIRMADOS NA FÉ, ASSIM COMO FOSTES ENSINADO

Andar em Jesus é demonstrar que a fé inicial nEle foi verdadeira. Portanto, a pessoa permanecerá naquilo que aprendeu. A prática e o crescimento na fé terão como base aquilo que o conhecimento que recebeu de Jesus no início da caminhada e que se confirmou na trajetória. Jesus ao falar a Igreja de Filadélfia recomendou que ela guardasse o que tem para que ninguém tomasse sua coroa (Ap3:11). É importante na vida cristã que se conserve o que recebeu verdadeiramente do Senhor porque assim a pessoa receberá a recompensa do Senhor pela fidelidade.

NELA ABUNDANDO COM AÇÃO DE GRAÇAS

Andar em Jesus é andar em fé aliada com a gratidão. È ser grato por esta união com Cristo, que resulta a Vida dEle em nós e em nosso crescimento espiritual nEle. Há sempre motivos para agradecer porque estamos em Cristo Jesus. Esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus que sejamos gratos (1 Ts 5:18). A vida com Deus é vida com o coração pacificado e nutrido pela vida de Cristo.

Chegamos a conclusão que quem anda em Jesus anda pela fé como no início. Tendo Jesus como sua direção. Alimentando-se dEle. Sustentado por Ele. Aprovado por Ele. Conforme aprendeu no início sempre com muita gratidão.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

O PROPÓSITO DO DISCIPULADO.

discipulado

Um dos propósitos da Igreja é o discipulado. É orientado em várias passagens bíblicas, mas tem um destaque na grande comissão com as ordens: “fazei discípulos” e “ensinando os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”. O discipulado é algo que começa quando uma pessoa nasce de novo e continua pelo resto da vida buscando que ele seja cada vez mais parecido com Cristo. Paulo em Colossenses 1: 28 diz: “A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria. Para que apresentemos todo o homem perfeito em Cristo Jesus”. Não basta ganhar uma alma para Cristo e leva-la ao batismo, mas é preciso levá-la também a maturidade espiritual. O discipulado é uma caminhada compartilhada onde os cristãos maduros avançam, mas levam outros com eles. É responsabilidade da Igreja desenvolver a maturidade dos crentes. Paulo aos Efésios escreveu: “Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4:12 e 13).

A Igreja tem a Palavra de Deus como instrumento usado pelo Espírito Santo para levar seus membros ao crescimento espiritual, a semelhança de Cristo e a habilitação dos seus ministérios. Paulo a Timóteo escreveu: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Tm 3: 16 e 17). Ser discípulo é seguir a disciplina do mestre. Portanto, a Igreja pela Palavra de Deus ensina ao crente aquilo que Deus revelou para a sua caminhada. Jesus disse; “”(…) Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos”.

O modelo da Igreja para discipular é dado pelo próprio Cristo que discipulou seus seguidores mais próximos lado a lado (Mc 3:13-15). Ao chamá-los deu primeiramente como ordem que eles tivessem com Ele. Antes de pregar e expulsar demônios os discípulos precisavam estar com Jesus e assim foi feito. O discípulo é aquele que permite que Cristo viva sua vida através dele (Gl 2:20). Se os crentes precisam crescer a imagem de Jesus, como precisam de fato, a Igreja discipula para que Cristo seja evidenciado nos crentes em suas caminhadas de fé. A união com Cristo é frutífera porque o crente permanece nEle. Jesus disse; “Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas, quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15: 4 e 5).

Este discipulado tem início na caminhada do crente assim que ele se converte. Pedro ressalta que o nascido de novo deseja o alimento vindo de Deus porque assim com esta alimentação pode ir crescendo e a Igreja tem esta missão de alimentar o novo através do discipulado (1 Pe 2:2). A Igreja também é um lugar onde os discípulos de Cristo mais maduros terão como marca identificadora o amor (Jo 13:35) recebendo assim também os novos que se chegam amando-os como Cristo os amou (Jo 15:12). Como parte do discipulado a Igreja cuida dos novos protegendo-os com acompanhamento e oração (1 Pe 5:8) ensinando-os com a doutrina e com o exemplo (Fp 4:9).

O discipulado começa com o novo nascimento, passa pelos batismo, age também no envolvimento do crente no desenvolvimento dos seus  dons e talentos na Igreja, na evangelização do mundo e também no desenvolvimento como discipulador de outro que se achega a Igreja depois dele. É preciso ganhar a alma, edificando lhe a vida em Cristo, acompanhando-a com o ensino da Palavra até que ela possa ganhar uma outra alma levando a essa pessoa ganha a ganhar outra também  (Dt 6: 1 e 2 e II Tm 2:2).

O discipulado foi o modus operandi de Jesus e a Igreja deve fazer o mesmo tanto que Jesus o inclui em suas comissões como um dos propósitos da Igreja. No corpo de Cristo não pode haver membro inativo, mas todos precisam estar imbuídos em busca dos cumprimentos dos propósitos deixados por Jesus nos dois grandes mandamentos e na Grande comissão.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).