Arquivo da categoria: Solidariedade

A FELICIDADE DOS PACIFICADORES.

pacificadores

É tão chamativo o fato de Jesus ter dito que os pacificadores seriam chamados filhos de Deus. Mostrando que a paz é algo tão intrínseco a Deus e que seus filhos carregariam esta marca mesmo o homem sendo suscetível a violência até entre seus familiares como foi o caso do primeiro homicídio entre os dois irmãos Caim e Abel.
A pessoa se torna filho de Deus por adoção quando recebe a Jesus e nasce de novo (Jo 1;12). Deixa de contender contra Deus (Os 4:1) e passa ter paz com Deus (Rm 5:1). Portanto, o pacificador é aquele que é nascido de novo e deseja paz estando disposto a fazer tudo quanto for verdadeiro para que esta paz esteja presente em todos os níveis. Digo isto, porque muitos pensam que pela paz se pode fazer qualquer “coisa”, mas não deve ser assim. O pacificador procura a paz e segue-a (Sl 34:14 e Rm 14:19). Seguindo-a ele não tem a vida contaminada pela amargura (Hb 12:14 e 15).
A personagem Jack Bauer da série 24 horas retrata bem o pensamento de muitos. Ele fez muitas coisas de forma arbitrária para manter a paz e usou de métodos controvertidos e até torturas. O pacificador não vê a paz como apenas uma finalidade, mas como o modo de conduzir a própria vida. Portanto, não usará de meios arbitrários.
Por mais que tentemos fazer a paz com determinadas pessoas, elas se recusaram a viver em paz conosco, porque somos de Cristo, e nosso estilo de vida cristão revela a inimizade já existente contra Deus, A nossa parte é seguir a recomendação: “se for possível, quando estiverdes em vós, tendes paz com todos os homens”. Como filhos de Deus desejaremos a paz indo contra o fluxo de ódio, rancoroso deste mundo. Teremos a disposição para pedir perdão e perdoar. Buscando a reconciliação para que possamos cultuar a Deus sem empecilhos (Mt 5:23 e 24).
Não devemos nos assombrar, e nem nos maravilhar, quando tais coisas acontecem, porque primeiro aconteceu com Cristo. Como Jesus alertou aos seus discípulos primeiro odiaram a Ele. Somos seguidores de Cristo e como tais, receberemos retaliações e perseguições. Quando isto acontecer pela causa de Cristo devemos: “exultar e nos alegrar porque grande é o nosso galardão no céu”. Estamos tão identificados com Cristo e Sua causa que a animosidade a Ele vira antagonismo a nós.
Diante das situações de oposição o pacificador também tem que lidar com a forma de reagir aos enfrentamentos oposicionistas. Portanto, é importante saber reagir positivamente ao mal combatendo-o com o bem (Rm 12:18-21). Não podemos nos esconder em desculpas e reagirmos de forma destrambelhada ao ódio deste mundo. Quando se combate o mal com o mal se está sendo derrotado. O pacificador é aquele que responde a palavra dura com brandura (Pv 15:1), tardio no falar e pronto a ouvir (Tg 1:19). Como Paulo escreveu aos Coríntios: “as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruir fortalezas” (II Co 10:4). Portanto, como pacificadores nos utilizaremos destas armas disponíveis em Cristo que habita em nós pela pessoa do Espírito Santo.
Concluindo, podemos afirmar que o pacificador será levará a mensagem do evangelho, que são as boas-novas da Paz com Deus, que é refletida em paz nos relacionamentos. Como parte da armadura cristã estão os pés do crente calçados dos na preparação do evangelho da paz (Ef 6:15). Jesus na cruz desfez a inimizade que havia entre gentios e o povo de Deus mostrando que o caráter do cristianismo é a pacificação. Como Paulo falou a respeito de Cristo: E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto (Ef 2:17). Unindo aqueles povos que eram antagônicos em um único povo, que é a família de Deus, a saber os que creem em Jesus. A mensagem que o crente proclama é da reconciliação, mas somos mais do que arautos, somos embaixadores da reconciliação. “Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus” (2 Co 5:20).
Felizes são vocês os pacificadores!

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

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QUANDO O ORGULHO ATRAPALHA.

orgulho

O orgulho atrapalha e continua atrapalhando. Relacionamentos arruinados, empresas em bancarrotas e Países a beira do colapso por causa do orgulho. Desde Adão e Eva têm sido assim na história da humanidade. Por desejarem conhecer igual a Deus eles pecaram. Segundo o apostolo João a soberba da vida é um dos fatores que levam o homem a pecar como foi com o primeiro casal. Em nossa sociedade o  orgulho movimenta em boa parte os desejos e as atitudes da maioria que remam em sentido contrário a Deus. Tentando construir reinos privados que visam a glória de si mesmos em detrimento do Reino de Deus.

Diótrefes é um homem na Bíblia que atrapalhou o bom andamento da Obra do Senhor. Ele queria ter a primazia na Igreja a qualquer custo. Discordou de João não por causa do ponto de vista doutrinário, mas por ambição pessoal. Rebelou-se contra a autoridade apostólica de João, que tinha escrito uma carta para igreja que recomendava a Igreja hospedar missionários. Diótrefes destruiu a carta, impediu que os irmãos recebessem missionários e ainda expulsava os que o recebiam. Proferia palavras para impedir que alguém tivesse a primazia na Igreja que não fosse ele. Ele viu os missionários como uma ameaça ao seu primado. John Stot afirmou que a vaidade pessoal ainda está na raiz da maioria das dissensões em toda a Igreja local.

O povo de Edom também andou pelo caminho do orgulho. Eles se vangloriaram da derrota do povo de Deus para os babilônios, também ajudaram o inimigo e aproveitaram a oportunidade para roubar em Jerusalém (Ob v.13) Eles vivam nas cavernas das rochas, lá no alto das montanhas e por isso pensavam que nunca seriam derrotados, mas foram derrubados por causa do juízo Divino. O profeta Obadias profetizou sobre o pecado do povo e da consequente destruição que sofreriam.

Nabucodonozor foi um grande rei do Império Babilônico quando Babilônia estava no seu apogeu. Ele mesmo avisado por Deus para não fazê-lo se vangloriou da glória que teve deleitando-se na própria soberba e conquista. O orgulho foi um laço para ele que lhe atrapalhou. Deus executou um juízo na vida de Nabucodonozor que foi tirado do trono, do convívio com os homens e viveu 7 anos como um animal fora do Palácio ao relento sendo molhado pelo orvalho.

Poderia citar muitos mais exemplos de como o orgulho atrapalha a si mesmo, aos outros e afronta a Deus. Deus resiste aos soberbos e dá graças aos humildes. Devemos cultivar a humildade, que é o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus. O humilde entende que as primeiras posições são posições servidoras. É para servir a Deus e ao próximo que se é colocado na liderança, e não para ser utilizar egoisticamente das prerrogativas visando somente seu próprio benefício.

Os discípulos de Cristo também apresentaram dificuldades em compreender a diferença do modo de viver de Cristo em relação a outros líderes religiosos do seu tempo. Enquanto, os religiosos buscavam a glória dos homens Jesus buscava a Glória de Deus. Houve em alguns momentos entre os discípulos discussões por disputas de posições no futuro reino esperado por eles. Jesus usou como exemplo uma criança para falar de humildade e ensiná-los sobre a grandeza do Reino dEle.  Em outra ocasião Tiago e João pediram a Jesus que eles ocupassem uma posição de honra no Reino dEle e Jesus disse que não era sim, que a grandeza do Reino dele era servir, que o menor seria o maior, e que Ele próprio não veio para ser servido, mas para servir. Foi conhecendo seus discípulos que Jesus antes de ser preso na ceia lavou os pés dos discípulos e recomendou que eles fizessem a mesma coisa que ele, ou seja, que tivessem uma vida de serviço a Deus a ao próximo e não cedessem ao orgulho vão.

Na verdade, até os dias de hoje ainda há esta tensão. O orgulho continua atrapalhando. Pessoas servem a Cristo com mente secularizada em busca de ascenção social por meio da religião. Tão diferente de Cristo que serviu, se doou e não se utilizou da popularidade para se regalar e tirar benefícios. A carta aos Filipenses que é uma carta de agradecimento mostrou que mesmo numa igreja boa acontecem contendas por causa do orgulho. A recomendação de Paulo foi que eles tivessem o mesmo sentimento de Cristo Jesus, que sendo Deus, não fez valer seus direitos a força, mas tomou a forma de servo e por isto a exaltação veio de Deus e não por meios compulsórios. A humildade precede a honra mesmo que o humilde não priorize a honra como faz o soberbo, que prioriza a glória vã e passageira, e cuja soberba precede sua destruição.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

A FELICIDADE DOS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA.

 

fome e sede

Jesus não disse que a felicidade vem como resultado da fome e sede da felicidade. Isto é um verdadeiro desmonte no conceito moderno sobre a felicidade. Certamente, muitos pensam assim, que a felicidade é alcançada quando colocada como alvo principal. A mídia e as artes de uma forma geral instigam em nós esse tipo de pensamento. Aqueles que entram nesta onda, muitas vezes, entram pelo caminho onde os fins justificam os meios e ao invés de encontrarem a felicidade trazem para si muitas dores. Outros projetam a felicidade nas realizações dos sonhos de forma idolátrica, quando realizam não encontram a satisfação e ficam insatisfeitos com aquilo que almejavam e alcançaram.

Algo que fica claro nesta bem-aventurança é que se a pessoa tem fome e sede de justiça ela sabe que é desprovida de justiça própria. Ela não se considera autossuficiente na questão da justiça. O que é um posicionamento diferente da maioria dos religiosos no tempo de Cristo e de hoje que consideram o cumprimento dos ritos e dos preceitos como suficientes para alcançar a justificação pelos próprios méritos. No sermão do monte Jesus mostra que a justiça é mais do que uma conduta exterior adequada, mas que envolve um posicionamento como um todo o qual começa no interior. Não adiante ser “certinho” por fora e “corrompido” por dentro. Jesus disse neste sermão que a nossa justiça deveria exceder a dos fariseus, que se achavam autossuficientes. Portanto, ter fome e sede de justiça é ir além de si mesmo, esperar e receber a justiça que vem de Deus.

Cristo nos ensina que os felizes são os que têm fome e sede de justiça. São os que tem desejo de cortar relações com a injustiça tão presente na vida moderna. A Bíblia faz distinção entre o caminho do justo e o caminho do ímpio. Aquele que tem esta fome anda distintamente no caminho da justiça diferentemente dos ímpios. Muitos associam a felicidade a transgressão e a quebra de princípios. Para Jesus não é assim, a injustiça é caminho que leva a destruição e a justiça é o caminho daqueles que desfrutarão a eternidade. Caminhar sem alianças espúrias e injustas e desvencilhar-se das injustas é uma forma de manifestação desta fome e sede.

A fome também é sinal de apetite que é necessária para o crescimento. A falta de fome e sede pela justiça é sinal de problema espiritual. Mostra uma acomodação com o raquitismo e a pequenez da injustiça praticada na sociedade, que é dominada pelo sistema de pensamento mundano dominado pelo maligno. O bem-aventurado rompe com esse padrão e busca a justiça na prática e nos relacionamentos.

Esta fome que estamos tratando só pode ser satisfeita em Jesus, pois a justiça do homem, segundo o profeta, é trapo da imundícia. A fé em Cristo é o meio da pessoa ser justificada e tornar-se justa. Não são obras, sacrifícios, rituais que justificam, mas é por meio da fé na Obra de redenção feita por Jesus Cristo. Os felizes são aqueles que creem na justificação pela fé. Portanto, não vivem no autoengano confiando numa justiça própria que não justifica e só faz a pessoa se achar melhor que os outros.

A promessa para aqueles que têm este tipo de fome é que serão fartos. O caminho do cristão, aqui e agora, é uma busca constante pela santificação e comprometimento com a justiça, sendo uma pessoa justa, pois ele é justificado. Tal justificação traz pacificação interior e saciedade quanto a salvação. O cristão sabe que chegará o dia em que a justiça será plena e cabal quando estiver na Presença de Deus. Não havendo mais este tipo de fome no céu, pois lá haverá a perfeição.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS.

pai e filho

Aprendemos na oração modelo que a oração deve se basear na Paternidade Divina e na verdade que Deus é Pai de todos os que creem em Jesus. Para o judeu o nome de Deus era algo tão Digno, porém tão distante que a intimidade na oração que Jesus ensinou confrontou o entendimento da época. Pode parecer “chover no molhado” afirmar, mas muitos não compreendem até hoje a oração modelo com seus elementos e significados. A oração é um recurso espiritual que muitos não se utilizam ou distorcem com seus pragmatismos. Entretanto, ao iniciar chamando-O de Pai Jesus nos ensinou que precisamos deixar a superficialidade e aprofundar no relacionamento com Deus. O relacionamento com Deus precisa ser algo denso como é o pai com um filho porque os que creem são de fato filhos por adoção.

Paulo ensina que O Espírito Santo clama em nós “Abba”., que é uma palavra em aramaico e era de uso diário dita num ambiente familiar indicando a intimidade que devemos ter com Deus. Nenhum judeu se atreveria a dirigir-se a Deus dessa forma. O “Abba” é como se fosse o nosso “papai”. Revolucionário para a época e até para os dias de hoje esta visão acerca da oração.

O Espírito Santo, segundo o mesmo Paulo, testifica no crente o fato de ser esse um filho de Deus. John Wesley numa viagem missionária teve sua vida mudada quando entendeu a doutrina da testificação do Espírito Santo influenciado pelos Morávios. Portanto, percebemos o quão é o interesse de Deus que oremos e vivamos como filhos de Deus se cremos em Jesus. Não podemos agir e nem orar como bastardos, mas sim como filho, que de fato somos se recebemos Jesus como Salvador e Senhor.

A oração modelo mostra também a necessidade de vivenciar o relacionamento comunitário com o outro e não usar a oração para fins egoístas que só visam o deleite pessoal em detrimento dos seus relacionamentos com Deus e o próximo. Tiago asseverou que quem faz assim pede mal e por isto não é atendido por Deus. Hoje se “cunhou” popularmente o termo “oração contrária”, que é praticamente uma espécie de feitiçaria, porque pensa que um crente possa orar contra o outro, mas o Deus que ensinou a orar “Pai nosso” atenderá um mal pedido que visa o mal do outro? Obviamente que O Deus Bondoso não faria isto. Então, de fato não existe oração contrária, pois tal não pode ser chamada de oração.

Sabendo dessa verdade, podemos pedir, buscar e bater em nossas orações, porque temos um Pai que nos ouve e se preocupa conosco. Jesus falou que o pai terreno mesmo sendo mau, na maioria das vezes, dá boas dádivas aos seus filhos, e Jesus comparou afirmando que se o pai terreno faz isto quanto mais o Pai Celestial dará aos seus filhos quando pedirem bem. Portanto, a Paternidade de Deus é citada por Jesus como um incentivo a oração. Um dos pedidos que Jesus se refere é acerca do Espírito Santo que visa glorificar a Cristo e como já afirmei testifica ao crente que é filho de Deus.

Entretanto, a expressão “Pai Nosso que está nos céus” não mostra somente o sentido de Deus para conosco, o sentido nosso para com o próximo, mas o sentido nosso para com Ele. Podemos afirmar que é uma expressão de adoração que exalta a Sublimidade de Deus acima de tudo que existe na terra e que apesar disto nos adotou como filhos através de Jesus, está disposto a relacionar-se conosco e disposto a ouvir nossas necessidades espirituais, emocionais, morais e físicas.

Jesus orou afirmando que Deus é Pai “que está nos céus”, ou seja, diferente do Pai terreno. Seja qual for a nossa visão acerca da figura paterna boa ou ruim Deus como Pai é superior a tudo que conhecemos a nível terreno. Costumamos misturar as estações, ou seja, o terreno com o espiritual, e temos dificuldades no nosso relacionamento com Deus como Pai Celestial. Portanto, precisamos meditar na Palavra dia e noite para que nossa mente seja renovada e compreendamos a imensa distinção de Deus como Pai em relação aos terrenos. O profeta falou que os caminhos de Deus são mais altos do que os nossos, como são também os Seus pensamentos então permitamos as nossas emoções o aprendizado da Paternidade superior de Deus.

Nesta oração percebemos que uma das maiores necessidades humanas é suprida que é o pertencimento. O Pai é Nosso. Portanto, o crente tem a Deus como Pai e muitos irmãos na fé que compõem a família de Deus. A crise existencial da falta de sentido, de propósito acaba logo no início da oração se entendermos o significado da plenitude que é ser filho de Deus.

Aconselho a você se aprofundar na vida de oração. Ela é mais do que uma mera obrigação religiosa. Ela é mais do que um ritual ritualístico. Ela é mais do que uma forma para se obter as bênçãos que deseja de Deus. Ela é relacionamento com Deus. Ele é diálogo. Ela mostra que há vida e comunhão. Pratique, aprofunde a sua vida de oração.

( O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

A FELICIDADE DOS QUE CHORAM.

choro

Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.  Esta bem-aventurança de Jesus afirma que na Vida Cristã a felicidade passa pelo choro. Nós imaginamos, muitas vezes, que só existe o sorriso na vida cristã, mas existem lágrimas, e por sinal, especificamente essas lágrimas são poucas derramadas. Muita gente que serve a Deus esquece ou não sabe que estas lágrimas são necessárias e vitais para a vida com Deus. Se não sentirmos esse tipo de tristeza não seremos realmente felizes. Parece uma afirmação paradoxal, mas conforme eu for expondo você entenderá o significado.

De que choro Jesus falou? O choro de arrependimento pelos nossos pecados. Paulo escrevendo aos coríntios fala deste tipo de tristeza como uma tristeza segundo Deus e quando escreveu sobre esta tristeza contrastou com a tristeza segundo o mundo que leva a morte. Na Bíblia há muitos exemplos destes dois tipos de tristezas. Pedro por ter negado a Jesus sentiu a tristeza segundo Deus e se arrependeu. Judas por ter traído a Jesus sentiu a tristeza segundo o mundo e enforcou-se. Davi diante dos pecados que não saiam diante dele ele sentiu a tristeza segundo Deus e se arrependeu. Saul não sentiu a tristeza segundo Deus e de derrocada em derrocada acabou tirando a própria vida.

A tristeza segundo Deus nos põe cara a cara com a nossa concupiscência, que é a nossa inclinação para o pecado, e nos põe cara a cara com a incapacidade de solucionar o problema do pecado, o que nos leva a Deus pelo Espírito Santo como único que pode nos perdoar através de Jesus. O choro segundo o mundo nos faz cometer antropofagia em nós mesmos porque quando não buscarmos Deus como solução violentamos a nós mesmos com o sentimento de remorso.

Podemos entender o tipo de choro que Jesus se referiu quando observarmos quando próprio Jesus chorou e uma das duas vezes foi quando Jesus viu o choro das irmãs de Lázaro pela morte dele e pela comoção da multidão em torno do acontecimento. Jesus viveu assim o que Paulo mais tarde recomendaria: chorai com os que choram. Jesus sentiu a dor do outro. Percebeu o drama que é para o ser humano perder alguém. Mesmo sabendo que haveria de ressuscitar Lázaro não deixou se conturbar pelo dor alheia. Bem-aventurados são os que choram com os que choram.

A outra vez que Jesus chorou somente Lucas relata o fato. Aproximando-se de Jerusalém Ele chora afirmando que Jerusalém seria destruída pelos inimigos o que aconteceu em 70 d.C., quando as tropas romanas cercaram e destruíram a cidade. Jesus chorou pela falta de senso de oportunidade que Jerusalém teve com a sua entrada triunfal e desperdiçando a oportunidade de arrependimento. O choro foi pela calamidade, pelo desperdício, pela obstinação da cidade.

Voltando ao entendimento sobre a tristeza segundo Deus creio que a temos quando choramos pelos nossos pecados, dos outros e pela obstinação para o mal do próximo. Temos os exemplos da situação de Jesus acerca de Jerusalém e a comoção que Daniel teve registrada no seu livro com seu nome e autoria no capítulo 9. Daniel faz uma oração e confessa a Deus seus pecados e os do seu povo. Ele estava preocupado com a profecia de Jeremias acerca do cativeiro que duraria 70 anos, que já chegava ao fim, e pediu a restauração do Templo e do Povo a Deus. Chorar pelos pecados dos outros também é uma tristeza segundo Deus e por isto bem-aventurada.

A bem-aventurança inclui uma promessa: eles serão consolados. A consolação do choro dentre os significados podemos destacar seu caráter fisiológico. Ao chorar fisicamente depois sentimos um certo alívio. O choro é no seu aspecto fisiológico um certo escape para a dor do corpo ou da alma. A tristeza segundo Deus, que pode nos levar o choro, é a primeira etapa do arrependimento e havendo-o há depois a confissão, o abandono e novo conduta, ou seja, o penitente é consolado. O Resultado será o consolo e a felicidade de ser perdoado. O perdão não acontece por causa do choro, mas por causa do sacrifício de Jesus. Entretanto, o arrependimento, muitas vezes, manifesta-se através das lágrimas. Agora quando a tristeza segundo Deus é pelo dor alheia habilita a apoiar o triste no seu momento de aflição recebendo a consolação ao ver o outro de alguma forma sendo ajudado. Quanto aos que choram pelos pecados alheios estes tornam-se verdadeiros intercessores que não oram com formalidade, mas com amor e entrega, encontrando o consolo no amor de Deus que está compartilhando pelo próximo.

Concluindo podemos afirmar que a Bem-aventurança deixa implícita que quando os que choram segundo Deus estão em sintonia com Deus e por isto são consolados. Este choro é sinal de inquietude no relacionamento com Deus, com relação a si mesmo ou com o próximo e este é bem-aventurado. No futuro próximo a bem-aventurança também se refere ao estado final de Glória no céu, onde o consolo de Cristo será completo, pois o pecado não existirá mais. O choro segundo Deus pode ser incialmente de tristeza, mas a promessa para os que choram assim é consolação, ou seja, a felicidade segundo Deus passa pelo choro.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

A NECESSIDADE NÚMERO UM.

número 1

A maior necessidade na vida cotidiana da Igreja é o amor. Não o amor banalizado pelo mundo, mas o amor de Deus. Paulo descrevendo o amor escreve que podemos ter as atitudes mais radicais, mais sábias, mais “generosas”, mas que sem o amor não teria valor. O versículo áureo da Bíblia é João 3:16 mostrando o imenso amor como atributo de Deus, com relação ao povo de Deus João 13:35 mostra o que nos identifica como discípulos de Cristo é o amor. Por isto, afirmo que o amor é a necessidade número um.

Certo homem chamado José passou a ser chamado de Barnabé (Filho  da Consolação) por causa da sua conduta e caráter cristão. Ele foi um homem solidário e fraterno. Compartilhou seus bens, apoiou Paulo apresentando-o aos apóstolos e investiu no vacilante João Marcos. Jesus chamou um dos seus discípulos (João) de Boanerges, quer dizer, filho do Trovão, por causa do seu temperamento tempestuoso e irascível. Depois da transformação que passou, João, ficou conhecido na história como o apóstolo do Amor. Na sua velhice a sua ênfase foi o amor ao próximo. Deus transforma pessoas belicosas em pessoas fraternas e pacificadoras. Estes são alguns exemplos de pessoas transformadas pelo Espírito Santo e por isto viveram o amor no seu real sentido. Eles são o exemplo de que o amor cristão praticado é um diferencial diante do mundo onde a vida é egocentralizada e necessário no convívio com os irmãos de fé. Barnabé, João e muitos outros trilharam por este caminho e mostram que na família de Deus as vidas que foram transformadas passam a amar como resultado do novo nascimento oriundo do amor de Deus.

O amor de Deus também possibilita a termos uma vida de real adoração a Deus. Pois, Jesus alertou-nos que o amor a Deus deve ser em primeiro lugar, pois se Ele não for o primeiro, o amor estará desfocado e com as prioridades invertidas, o que faz errar todo o caminho. A adoração é a manifestação do amor a Deus em todos os aspectos da vida não apenas no momento do louvor, mas no cotidiano como um todo. A adoração é mais do que um ato. É uma questão de ser adorador. Envolve a vida toda. Não é setorizada em departamentos, envolve o todo.

Creio que a grande questão é que a palavra amor perdeu e ganhou muitos sentidos que não são o seu real significado. As pessoas falam até com facilidade sobre o amor, mas sem consonância com a prática diária. O egoísmo tem preponderado e até no amor quando se pensa amar ama-se egoisticamente, que na verdade não pode ser chamado de amor. Segundo Langston a essência do pecado é o egoísmo. Pecamos por causa do nosso egocentrismo e falhamos tremendamente no amor. O pecado é viver girando em torno de si fazendo escolhas contrárias a vontade de Deus e que prejudica o próximo. Pensando assim, percebemos que essa visão distorcida do amor contaminada pelo egoísmo é utilizada como desculpas para atos arbitrários. Então a pessoa peca é dá a desculpa que foi por amor, mas como vimos esse tipo de amor não é o amor vindo de Deus e nem o amor que a Bíblia ensina.

Quem ama pratica a lei – afirma a Palavra. O amor a Deus leva a obediência. O amor é a motivação correta para a realização da Obra de Deus. É por causa do amor que evangelizamos. É por causa do amor que adoramos. É por causa do amor que nós perdoamos. Algo diferente disto não tem sustentabilidade. Tendo o amor de Deus temos o motor propulsor necessário par avançarmos e alcançarmos os propósitos de Deus para a Igreja. Se não houver amor é como uma grande máquina sem lubrificação. Acaba enferrujando e encrencando. A Igreja de Jerusalém nos inspira até hoje porque eles tinham comunhão perseverante uns com os outros propiciando um ambiente evangelizador onde O Senhor acrescentava pessoas todos os dias. Não que não houvessem falhas nela, mas O Espírito do Senhor atuava poderosamente e a virtude primordial do Seu fruto é o amor.

O amor é também necessário na vida da Igreja para que as vidas doentes espiritualmente possam ser tratadas e curadas pelo poder do Evangelho. No ministério de Jesus havia uma acessibilidade dos marginalizados pela religião da época que precisa também ser vista no Seu corpo, que é a Igreja. A maioria dos religiosos nos tempos de Cristo amavam a si mesmos e buscavam a glória dos homens. Usavam a religião para desfilarem suas vidas espirituais falsas para alcançarem um reconhecimento e respeitabilidade do povo. Assim havia um ciclo vicioso: aqueles que não se enquadravam em suas tradições não eram aceitos por eles e não tinham lugar para serem curados espiritualmente e continuavam enfermos espiritualmente. Jesus foi no caminho contrário dessa religião hipócrita que eram belos por fora, mas por dentro mortos. Jesus recebia aqueles que se reconheciam pecadores e arrependidos que queriam uma nova chance. Jesus comia com os publicanos e pecadores e chegou até mesmo ter um discípulo publicano que arrependido deixou tudo e seguiu a Cristo. Jesus foi como médico que procurava curar os doentes e os que se achavam sãos, mas não eram, Jesus confrontava-os com o verdadeiro Evangelho. A Igreja vivendo este amor restaurador de Jesus será um instrumento nas mãos de Deus para pessoas que verdadeiramente não conhecem a cura para a doença, que já identificaram em si, que é o pecado. A Igreja pregando e vivendo o evangelho será a mensageira das boas novas do Evangelho.

Em suma, podemos afirmar que a vida cristã não se resume no desempenho, no ativismo, na aparência.  O “ainda que” de Paulo ecoam até os dias de hoje. Antes da ação vem a motivação. Antes da ação vem o pensamento. Antes da boa ação tem que haver o bom coração. Portanto, o amor é a necessidade número um porque se antes de tudo o amor a Deus não nos mover de nada nos adiantará fazer obra alguma. O amor seja a nossa motivação. É da natureza do amor manifestar-se e provar de fato sua existência.

As três maiores virtudes cristãs são: Fé, Amor e Esperança, mas a maior delas é o Amor.solidonduta e car

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).

NÃO É BOM O ISOLAMENTO!

isolamento

Gn 2:18 -E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.

Não é bom o isolamento porque Deus nos mostra que para vivermos com mais qualidade é necessário que não sejamos apenas verticais pensando somente no nosso relacionamento com Deus, mas também horizontais pensando no nosso relacionamento com o próximo. O resumo que Jesus fez dos 613 mandamentos em dois mandamentos é coerente com que a palavra que Deus proferiu a respeito de Adão que estava só sem ninguém ao seu lado, alguém que lhe fosse correspondente.

Principalmente nos primeiros séculos da história da Igreja muitos buscaram o isolamento porque pensaram que era a melhor maneira de não se misturar com o mundo. O cristianismo começava a deixar de ser perseguido e passou a ser favorecido pelo Império Romano. O que foi visto como favor de Deus por alguns, mas para muitos outros, era o mundo entrando na Igreja e por isto alguns começaram a buscar viver isolados da sociedade para a maior consagração a Deus.

O problema do estilo de vida “ermitão”, urbano, em áreas desérticas, rurais ou não, é a falta de influência positiva que deixa de acontecer na sociedade por causa do isolamento. As comissões deixadas por Jesus nos incentivam pregar o arrependimento, discipular, batizar, ir até os confins da terra para tanto é necessário a vivência em sociedade. Jesus na oração sacerdotal foi claro: Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (17:15). Temos que viver no mundo, mas de uma forma que não nos comuniquemos com as obras infrutuosas das trevas, ou seja, vivermos no mundo sem nos envolver com a malignidade.

O tempo “a sós” tem o seu valor e devemos cultivá-lo, mas que seja para a renovação das forças físicas, espirituais, da devocionalidade para com Deus, mas não podemos nos isolar do convívio com a família, irmãos de fé, colegas de trabalho e da sociedade como um todo. Não é bom que o homem esteja só. O contexto do versículo é a vida a dois, o casamento, porém, podemos estender o entendimento do versículo para a necessidade humana de se relacionar com o próximo. Em Eclesiastes o pregador afirma: “que é melhor serem dois do que um”. Precisamos do momento a sós com Deus, mas também precisamos salgar e iluminar esse mundo como luzeiros de Cristo. Se não salgarmos perderemos a relevância no mundo, não exerceremos a vocação dada pelo Senhor e não seremos respeitados. Nosso chamado é para evangelizar, edificar o Corpo de Cristo, servir a Deus e ao próximo. Não busque o isolamento. Tenha sempre seu momento a sós com Deus, tenha o seu lugar de oração e meditação na Palavra, tenha seus horários regulares para a devoção, mas também viva uma vida influente com todos os seus riscos lembrando-se sempre que quem está com Deus é maioria e que temos uma família, que é a Igreja do Senhor, que coopera com os dons para o desenvolvimento da nossa carreira cristã.

Quando acontece a conversão de alguém a pessoa é inserida pelo Espírito Santo no corpo de Cristo, que é a família de Deus, mostrando que o chamamento é para comunhão com Deus e com o próximo. O novo convertido deve ser acompanhado até que ele possa também acompanhar outros e assim a Igreja do Senhor se multiplica e cumpre o seu chamado.

Jesus se retirou algumas vezes para orar sozinho, mas no Getsemâni quando deixou seus discípulos a sós para orar desejou que eles tivessem acordados enquanto ele orava e repreendeu-os quando encontrou Pedro, Tiago e João dormindo. Jesus sentiu a falta de companheirismo deles, a falta de vigilância.

Nas artes nós vemos também está necessidade ser retratada quando o cavaleiro solitário tem como companheiro um índio chamado Tonto. Quando o Robison Crusoé encontra e tem como amigo o índio Sexta-feira. No filme Náufrago com Tom Hanks, que interpreta o personagem Chuck, o qual após a queda do avião onde viajava, encontra-se preso numa ilha, privado de tudo que o homem moderno precisa, faz amizade com uma bola de volei da marca Wilson que se torna seu amigo imaginário na ilha desértica. Tem um momento emocionante do filme quando ele perde no mar o seu amigo imaginário, o que levou algumas pessoas sensíveis às lágrimas. Tais obras mostram claramente a necessidade do homem do próximo. O homem é um ser social.

A solitude, a meditação é necessária durante um tempo, mas o isolamento não pode ser uma filosofia de vida. Sempre precisamos de alguém! Ninguém basta a si mesmo! A constatação Divina foi que não é bom que o homem esteja só. Talvez você tenha se fechado para o outro por causa das decepções, desilusões, mas o remédio não é encaramujar-se, mas perdoar o abandono, a decepção e viver uma vida saudável, produtiva, e relacional com Deus e com o próximo.  Abra-te! Primeiramente para Deus, e quando isto verdadeiramente acontece, abrimo-nos para o próximo também.

(O autor do artigo é o Pr. Eber Jamil, dono do blog).